Início Colunistas Gabriel Pereira A formiga da evolução e seus pequenos passos

A formiga da evolução e seus pequenos passos

Nem tudo são más notícias

Eu cansei de falar que ser deficiente é ruim. Até os paralelepípedos da rua sabem disso. Acredito piamente que, em sã consciência, nenhum pai ou mãe deseja que o seu filho possua alguma limitação. Mas, se eu disser que só acontecem coisas ruins na vida de um deficiente, cometerei uma desonestidade intelectual das maiores.

Falta muito, em termos de mobilidade urbana e mudança de mentalidade social. Mas já houve uma evolução muito grande e, as tão crucificadas mídias digitais tiveram e têm um papel importante nessa melhora.

Em 1995, quando estava na Educação Infantil, sofri um caso absurdo de preconceito, a ponto de só poder frequentar o horário do recreio, minaram tanto as minhas forças que acabei pedindo transferência. Se isso acontecesse hoje, meus pais fariam um post no Facebook, o treco iria viralizar, a escola sofreria punições e eu poderia garantir uma boa grana de indenização.

Outros exemplos simples de evolução

Em onze anos no meu antigo colégio, contei nos dedos de uma mão as vezes em que frequentei a biblioteca da escola, que ficava no pavimento superior e, quando isso acontecia, eram os colegas da minha idade que me subiam no braço. Hoje, a mesma instituição tem elevador e rampa para todo lado e um inspetor designado para cada aluno deficiente.

Pouco joguei videogame, quando por um milagre isso acontecia, era porque meu pai prendia o controle com fita isolante na mesa. Atualmente temos controles e jogos totalmente adaptados e acessíveis a todos os tipos de limitação.

A evolução acontece a passos de formiga, mas existindo!

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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