A deficiência nunca fez parte do homem que eu sou

Posso falar a real? Por mais que seja difícil ser deficiente, a verdade é que pouquíssimas vezes no meu cotidiano eu me lembro da minha condição física. Para mim, a vida flui tão naturalmente que parece que mais hora menos hora vou levantar e jogar futebol de segunda-feira com meus amigos.

Já ouvi comentários me criticando, com certa razão, por esse meu jeito de ver tudo. Dizem que eu perco um pouco da noção de limite, fico sem saber quais os meus próprios limites. Graças a isso já passei apuros desbravando lugares hostis para caras iguais a mim: festas universitárias, rodeios e carnavais foras de época são exemplos disso que estou falando.

Há quem diga que eu só tenho essa percepção porque nunca tive a chance de andar. A tal vida normal não foi algo arrancado de mim por uma doença, um acidente automobilístico ou algo do tipo. Dessa forma, não há como ter “saudade do que a gente não viveu”, como disse uma vez aquela figura “jeniau” do Brasil pós-moderno.

Assumo que meu jeito de ver as coisas é causado por um pouco de tudo do que disse antes, mas, principalmente pelo fato de eu ter absoluta certeza e conhecimento sobre a pessoa que eu sou e por saber que, como homem, eu tenho milhões de prioridades na vida antes da minha deficiência.

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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