São Paulo alerta para perigo de dengue tipo 2

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Aparecimento do vírus em 19 cidades do estado motivou o alerta; Ribeirão Preto está entre as cidades afetadas (notícia via Agência Brasil)

A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades foi detectado em São Paulo e colocou o estado em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava nos municípios paulistas. Pessoas infectadas por tipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter evolução para formas mais grave da doença.

De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O número é similar ao verificado no ano passado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não representa um quadro preocupante. “Apesar de não ser ainda a maioria dos casos, ele [dengue tipo 2] está circulando já de maneira mais consistente nos municípios da região de Araçatuba, São José do Rio Preto e um pouco em Ribeirão Preto”, afirma o infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.

O especialista esclarece que a dengue tipo 2 não é “especialmente pior”. O risco está relacionado à superposição de vírus. “Estava circulando o tipo 1 até agora e, quando circula um tipo e aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, no caso é o 2, aí pode ter uma evolução com maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explica. Segundo ele, a nomenclatura “dengue hemorrágica” não é mais utilizada, pois nem todos os casos graves de dengue evoluem com hemorragia.

As equipes de saúde das cidades em que a circulação do tipo 2 foi identificada estão sendo orientadas a dar uma assistência mais cuidadosa aos pacientes com suspeita da doença. “Em um caso de dengue no ano passado, quando só circulava o tipo 1, se o paciente estava bem, tomava líquido pela boca, era mandado para casa e, se tivesse alguma coisa, voltaria. Hoje, para fazer isso, tenho que ter convicção. Talvez ficar mais tempo com o paciente no hospital para acompanhar a evolução”, destaca.

O infectologista conta que não há uma explicação para o início da circulação do novo sorotipo. “É aleatório. Esses vírus circulam no mundo todo. Quando você tem o Aedes [aegypti], que é o nosso caso, se vem uma pessoa que está com dengue 2 ou 3 e, é picada pelo vetor, ela pode replicar esse vírus”. A melhor forma de prevenção, portanto, independentemente do sorotipo, é evitar a proliferação do mosquito.

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