Como posso inovar?

0
3102
inovar

Não importa se você deseja mudar sua vida pessoal ou profissional. O essencial é fazer diferente e seguir suas necessidades reais ou de sua empresa – as quais também podem ser o desejo de outras milhares pessoas. Arrisque-se!

Falar de inovação pode parecer fácil, ainda mais vivendo em uma era na qual a tecnologia e as novidades se tornam ultrapassadas com rapidez e facilidade. Agora, quando decidimos inovar, seja de forma pessoal ou à frente de uma empresa, os caminhos acabam parecendo distorcidos e sem segurança – até porque o “fazer diferente”, obrigatoriamente, nos tira da zona de conforto, dissolvendo o que conhecíamos e nos levando a errar, inúmeras vezes, até chegar ao resultado esperado.
Mesmo sendo difícil, fazer parte do time “vamos inovar” é uma necessidade inevitável, como garantem os nossos entrevistados, que não tiveram medo do novo e souberam ouvir seus clientes e parceiros para oferecer serviços que suprem os desejos mais específicos.

Mudando o tradicional

Para Bel Pesce, escritora e empreendedora, a forma tradicional de educar precisa passar por diversas reformas a fim de acompanhar a evolução de um mundo que não para de mudar em inúmeros sentidos. É necessário rever desde a base da educação até possíveis caminhos customizados. “As pessoas aprendem de formas diferentes, têm interesses e talentos distintos. Um dos maiores desafios no mundo da educação é criar algo customizado em escala. Acredito que as formas tradicionais de educar, muitas vezes, pecam tanto em preparar para o âmbito profissional quanto para o pessoal”. Na visão de Bel, para que crianças e adultos tenham sucesso de aprendizado, existem três habilidades essenciais que precisam ser desenvolvidas: liderança, inovação e colaboração.
“Na FazINOVA, desenvolvemos essas três habilidades com uma base em comum: Empatia Aplicada. Quando minhas ações vêm de um local empático, ou seja, que eu não apenas entendo o outro, mas também minhas necessidades, sou um melhor líder. Quando as minhas observações suprem uma necessidade em um meio empático, me torno uma pessoa mais inovadora. Quando falo e escuto de forma empática, viro uma pessoa que sabe colaborar melhor”, afirma.

Bel Pesce

Outro fator que também pode influenciar na qualidade da educação, segundo ela, são os tipos de experiências que cada indivíduo vive ou viveu nesse sentido. A escritora, por exemplo, sempre foi uma aluna exemplar e teve muita facilidade em aprender, principalmente no segmento de exatas. “Ou seja, eu não ‘sofri com o sistema’, pois segui todo o ‘script esperado’. Em um primeiro momento, entendia isso como uma dádiva, até porque me abriu muitas portas na vida, como bolsas de estudo, a admiração das pessoas, e cresci achando que eu pertencia perfeitamente a esse mundo do aprender e ‘do tirar 10’. Mas depois que minha vida profissional mudou totalmente de ramo e me encontrei e me realizei em outros universos além da tecnologia, como comunicação, percebi como guiava minha vida pautada no que as pessoas achavam de maravilhoso, o que, necessariamente, não me fazia 100% feliz anteriormente. Até mesmo algo que parece uma dádiva pode ser uma prisão”.
Bel revela que algumas das pessoas mais inteligentes com as quais conviveu sofreram muito com o sistema educacional tradicional porque a inteligência que elas tinham não era a que o mundo via como normal. “Por isso, no meu trabalho, é muito importante levantar uma visão mais ampla do que realmente é ser inteligente, para que as pessoas possam desbravar e descobrir suas verdadeiras paixões sem serem julgadas por um sistema taxativo”.
Na prática, como a FazINOVA ajuda seus clientes? Com a metodologia colaborativa e empática, trabalhada nos cursos desenvolvidos pela profissional, por meio da qual mais de 200 mil pessoas já se beneficiaram de forma online ou presencial. Resumindo, são três vertentes que se ajudam nessa metodologia, envolvendo, em primeiro lugar, auxiliar pessoas/empresas que já conquistaram resultados positivos no passado e que desejam continuar crescendo, e entendendo as mudanças do mundo por meio da troca de experiências de profissionais de diferentes áreas; segundo, auxiliar empresas que estão muito à frente do tempo a traduzir melhor as suas ideias para a realidade atual, por meio de cursos online gratuitos para o mundo; e terceiro, um programa de assinatura que se chama “O futuro já existe”, no qual diversos segmentos e regiões do mundo são mapeados, destacando pessoas, empresas, comunidades e países que têm seguido por caminhos diferentes da educação e conquistado grandes resultados. “Conhecimento é poder e sempre foi. O problema é que a aplicabilidade dos conteúdos tem ficado obsoleta com muita rapidez. Então, com tanto acesso, não importa apenas aprender mais conteúdo, e sim encontrar um conteúdo que seja relevante para o seu momento atual, entender a aplicabilidade daquilo e realizar em cima do que você sabe, antes que seu repertório fique desatualizado novamente”.

Acelerando ideias


Fruto dos esforços de 10 empresários da área de TI (Tecnologia da Informação) que tinham em comum a vontade de inovar dentro de suas empresas, o Instituto Sevna nasceu em 2011 com a finalidade de promover a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos.
“A aceleradora busca selecionar empreendedores talentosos com propostas inovadoras e apoiá-los, entregando conhecimento, mentorias, networking e investimento”, explica João Paulo Geroldo, CEO da Sevna.
De acordo com o empresário, o modelo de aceleração, por si só, é algo novo, visto que a primeira aceleradora surgiu nos Estados Unidos há 13 anos. “No Brasil, em 2016, segundo estudo publicado pela FGV, haviam 41 aceleradoras em operação. Trabalhamos focados na nossa região, porém conectados com as principais iniciativas do mundo, uma vez que somos a única aceleradora no país a fazer parte do GAN (Global Accelerator Network), rede global que conecta 104 aceleradoras no mundo”, explica.
Acreditando que inovar, na essência, é resolver problemas, o CEO dá um bom exemplo do “fazer diferente”, destacando os aplicativos Uber, Cabify e 99. “A indústria automobilística focou, durante mais de um século, na venda de automóveis. Enquanto clientes, na maioria das vezes, queriam apenas a liberdade de se locomover rapidamente entre um ponto e outro. Os consumidores não estão ‘nem aí’ para o produto! Eles querem ter seus problemas resolvidos!”.
Geroldo afirma que a internet está possibilitando uma nova forma de consumo, que é o “uso” em vez da “posse”. “Os consumidores estão cada vez menos fieis às marcas e tradições, e mais focados em ter suas necessidades atendidas. O ‘uso’ é instantâneo e, se uma determinada empresa não me atender, posso trocar rapidamente para outra. Nesse cenário, as empresas terão que inovar, entregando soluções melhores, ou ficarão pelo caminho. O consumidor está realmente no comando!”.

João Paulo Geroldo

Foco no que o cliente deseja

Quando o assunto “energia solar fotovoltaica” ainda era pouco comentado no Brasil, os dois filhos do empresário Nelson Colaferro se uniram a ele e criaram a Blue Sol. “Isso foi em 2009. No início, julgávamos o negócio como certo, mas em médio prazo. Quase 10 anos depois, acertamos e podemos contar uma história interessante. Afinal, comercializamos projetos que permitem que nossos clientes gerem sua própria energia por meio de sistemas de energia solar e deixem de pagar a tão dolorosa conta de luz”, explica José Renato Colaferro, filho mais velho e diretor de operações da Blue Sol.
Reunindo uma imensa comunidade de empresas parceiras, a Blue Sol soma mais de 1.700 CNPJs cadastrados em todo o país, tendo em seu portfólio centenas de projetos, de residenciais até uma usina no arquipélago Fernando de Noronha que gera 5% do consumo da ilha!
Com tamanha experiência, José Renato acredita que a inovação é essencial e deve primeiro ser aplicada para encantar o cliente, tendo sempre como foco a experiência de compra e de usabilidade do produto. “Atualmente, contamos com a área de ‘Sucesso do Cliente’ dentro da empresa que os atende bem como nossos parceiros, e corrige, de forma rápida e assertiva, eventuais erros”.
Entender o que o público-alvo de sua empresa procura, segundo o diretor de operações, é a chave para fazer diferente. “Basta perguntar a eles o que é importante, por meio de pesquisas de satisfação, por exemplo, e melhorar os pontos que não estão agradando tanto. É como dizia Peter Druker: ‘não há nada tão inútil quanto fazer eficientemente o que não deveria ser feito’”.
Para aqueles que têm vontade de investir em suas ideias e começar a própria empresa, José Renato deixa uma observação: “o mundo está se transformando mais rápido que nunca. A velocidade das mudanças é imensa e uma empresa que não tem renovação não sobreviverá no longo prazo. Com a digitalização dos negócios e dos relacionamentos com o cliente, quem ficar parado não conseguirá acompanhar o mercado!”.

José Renato Colaferro

Comprovando o valor de uma ideia

Observando os problemas que dificultam a vida das pessoas e das empresas, o empreendedor e engenheiro eletricista Myrko Micali criou o aplicativo Alfred Delivery, um assistente pessoal que realiza compras – em supermercados e farmácias, por exemplo –, e entregas em até uma hora (saiba mais na pág. 14). Contudo, até sair do mundo das ideias, sua criação percorreu um longo caminho – e foi justamente ele que a tornou melhor e a autenticou diante do mercado.

Myrko Micali

“É necessário validar a ideia e se movimentar; entender melhor se o que se deseja realizar faz realmente sentido para o público. Desde o início, o Alfred Delivery foi criado junto com os usuários. Fizemos várias pesquisas de mercado e toda nova função ou o que projetamos é testado. Não temos medo de errar! O que mais temos medo é fazer um produto que o usuário não gosta”, ressalta o CEO do app.

Outra dica que Micali dá é procurar mentorias e conselhos externos, para ter uma visão melhor do cenário no qual seu produto está inserido. E, claro, formar uma equipe dedicada e que acredite na ideia. “Acredito que ninguém consegue inovar sozinho, mas, quando se tem um ecossistema e equipe, todos inovam juntos. Montei um ambiente bem colaborativo, pois essa é a essência do Alfred Delivery: todos se ajudam e a comunicação é constante e bem direta”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu Comentário
Por favor coloque seu nome aqui