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Designer de joias, Antonio Bernardo comemora 50 anos de sua marca

Com 11 lojas no Brasil e em diversos pontos do exterior, como Estados Unidos, Hong Kong e Europa, o designer de joias Antonio Bernardo sabe conduzir, em ritmo perfeito, uma dança que alia a racionalidade da engenharia com as formas lúdicas construídas pelo o ouro e a prata

O designer de joias Antonio Bernardo comemora 50 anos de sua marca colecionando prêmios internacionais de design, como o If Product Design, o Red Dot Design Award, o Inhorgenta Awards e o IJL, da International Jewellery London.

Em entrevista à Zumm Select, ele revelou como conquistou os quatro cantos do mundo unindo, com maestria, o design contemporâneo com a alma tradicional da ouvessaria. Confira!

Suas origens

ZUMM: Como começou seu trabalho no universo da joalheria?

Antonio Bernardo: Passei a infância ao lado do meu pai na loja de ferramentas para ourives e relojoeiros, no Rio de Janeiro. Sou autodidata e me tornei um designer de joias por acaso. Comecei passando o que desenhava para outras pessoas fazerem. Depois de alguns anos, achei que era hora de começar a dominar todo o processo, já que, quando se desenha, você representa no papel em 2D um objeto que é 3D. Sendo assim, você não está em contato direto com o material, o que para mim é essencial. Por isso, decidi comprar as ferramentas e timidamente comecei a fazer joias. Foi aí que meu trabalho alavancou!

designer de joias | Crédito: Zoro Seixas
As esmeraldas ganham espaço para transitar de forma mais casual nessa coleção | Crédito: Zoro Seixas

Z:  Como foi seu caminho para se tornar pioneiro no Brasil em criar uma marca de joias com seu próprio nome e ser reconhecido pelo DNA autoral de suas peças?

A.B.: Foi de muito trabalho. Não foi uma coisa pensada. Sempre digo que meu processo de desenvolvimento foi orgânico. Então a oportunidade de mostrar meu trabalho no exterior aconteceu e, por sorte, fui bem-sucedido.

O processo

Z: Qual a principal característica das joias A.B.?

A.B.: Sempre digo que para uma joia “ser minha”, ela tem que surpreender. Tem que mostrar que não há nada parecido com ela. Esse é meu desafio. A joalheria pode ser meramente decorativa e, dessa forma, as peças ficam iguais umas às outras, mais bonitas ou não. Eu gosto de dar sentido às minhas criações! Quem tem uma peça minha estará levando o sentido que ela tem e isso agrega um valor maior.

Z: Quais características da indústria relojoeira suíça você trouxe para o seu trabalho?

A.B.: As ferramentas. Até porque sempre me interessei por mecânica. Quando prestei vestibular na década de 1960, resolvi optar por engenharia mecânica, pois gostava de montar, de ver os processos. Quando passei, meu pai me presenteou com uma viagem para Suíça, pois ele sempre acreditou que eu seria o sucessor dele. Lá fiz estágios em várias empresas da área de relojoaria. Foi espetacular! Tudo o que vivi abriu a minha cabeça para um universo de precisão, de qualidade, tecnologia e estilo.

Z: Suas peças são um convite à imaginação: cheias de movimentos, formas… elas te inspiram?

AB: Sim, desde sempre, já que a confecção de uma joia não deixa de ser uma construção. Você pode fazer joias de duas maneiras: esculpindo, como um escultor pega uma pedra de mármore e vai desgastando; ou construindo, de acordo com o seu método.

Assinatura pessoal

Z: Um dos seus best-sellers é o anel “Puzzle”. Como se deu sua criação?

AB: Queria fazer uma joia composta por várias partes, mas não sabia que chegaria À ideia do anel “Puzzle”. Apenas imaginava que as peças se encaixariam. Sempre gostei que a pessoa tivesse algum tipo de interação com a joia – acho que isso agrega na apreciação dela. Então, quis fazer um anel que tivesse várias partes. Quando ele está no dedo, permanece travado; mas quando você tira, é possível desmontá-lo com uma pequena chave. Ah, e ele é unissex!

Z: Você já assinou algumas peças decorativas e uma linha de revestimentos. Como foi a experiência?

AB: Há anos trabalhando como designer, percebi que esse universo é muito amplo. Vi que posso aplicar minhas ideias e meus pensamentos de outras maneiras. O design serve para ser aplicado em vários trabalhos artísticos. Então, comecei a criar objetos, como pequenas esculturas. Criei uma luminária para a Lumine. Depois fui convidado para assinar a linha de revestimentos “Bossa” da Solarium e também a parte artística de um edifício no Rio de Janeiro. Gosto desses projetos, eles me põem para pensar em outras escalas, com outros materiais…. Agora, no início de 2020, lançarei uma coleção em parceria com a Portobello Shop.

designer de joias | Crédito: Zoro Seixas
Formas minimalistas e a presença de pedras preciosas revelam uma maneira sutil de explorar o brilho de maneira nada óbvia | Crédito: Zoro Seixas

O futuro

Z: Falando em arte, quais as expressões que mais te inspiram?

AB: A arte me inspira de maneira geral! Sempre gostei muito de arte e design. Este, pela coerência e perfeição; a arte, pelo mistério. Mas a inspiração para o meu trabalho vem do meu próprio trabalho! Quando eu dividia o tempo entre a faculdade e a loja do meu pai, fazia amizade com alguns clientes que eram designers. Certo dia, pedi a um deles que confeccionasse, em prata, um anel que eu havia desenhado. Após 15 dias, ele trouxe o anel. Fiquei tão encantado com o resultado que já pensei no segundo!

Z: Completando quase 50 anos, o que a joalheria brasileira pode esperar de Antonio Bernardo?

AB: Vou continuar desenvolvendo meu trabalho. É uma coisa que gosto e faço naturalmente! Para comemorar a data, vou lançar duas peças novas ainda esse ano: uma que explora a criação e outra que explora o percurso. E, claro, vamos celebrar com festa!

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