Diferentes gerações o mesmo amor

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Será que mãe é mesmo tudo igual? E ser avó é muito melhor? Se depender do sentimento incondicional e do instinto protetor, podemos afirmar que sim. Mas quem precisa confirmar isso são elas! Para ouvir o que diferentes gerações têm a dizer, a Zumm convidou famílias para contar suas histórias, avaliar as formas de educar e definir o significado de “mãe” – tudo entre beijos, abraços, risadas e clicks que transbordam emoção.

“Filho criado, trabalho dobrado”

O título acima é a frase da mãe que ainda ressoa na mente da empresária Maria de Lourdes Hercules Augusto, hoje mãe de dois filhos e avó de quatro netos. Carinhosamente conhecida como Dona Branca, apelido que vem de infância, ela vê os filhos desempenhando um papel que ainda é dela – afinal, não é porque eles estão criados, e educando outras vidas, que seu trabalho acabou. Na verdade, até aumentou. Mas será que ficou mais difícil? “Ser avó é muito bom! Aquela responsabilidade de ter que educar e preparar seus filhos para a vida é mais ‘suave’. Nós, avós, curtimos mais em relação a brincadeiras, passeios e viagens, quando antes, como mãe, a responsabilidade era muito maior e acabamos curtindo menos, pois tivemos que impor limites e ter muitos cuidados”, lembra. Dessa forma, um dos seus novos papéis é o de conselheira: “eu ajudo com alguns toques, baseada na bagagem que adquiri a partir do que deu certo e o que não deu”.

Considerando-se como um tipo de mãe companheira – daquelas que comparecia em tudo, desde na escola até em eventos entre amigos –, Dona Branca já se acha mais amiga em relação aos netos. Mas ao comparar a forma como criou seus filhos e a qual, agora, eles criam os deles, ela reconhece poucas diferenças e gosta do que vê. “Vejo que eles transmitem muito carinho e amor, assim como eu fazia com eles. Às vezes, falta um pouco mais de energia em algumas situações, mas são gerações diferentes e temos que entender isso. Particularmente não mudaria nada”, afirma.

Dona Branca, acompanhada do seu filho, Marcio Hercules Augusto, e seus netos, Pietra e Lucca

Os valores são a herança mais valiosa

Ser avó é ser mãe duas vezes! É assim que se sente Maria Donisete Faria Sátiro desde o nascimento de Maria Luiza, de 2 anos e 8 meses. Para ela, ser mãe é uma realização, mas ser avó é melhor ainda! “A gente vive dois sonhos, o nosso e o da nossa filha. A Talita me dá todo o direito e a responsabilidade para que eu possa educar minha neta também e chamar a atenção quando necessário. Acho que educar é para os pais mesmo, mas dou uns palpites”, revela.

Ela ressalta que o “mundo tecnológico” de hoje é muito diferente da época em que criou seus filhos, com reflexos que começam logo no parto e nos cuidados com a gravidez, e seguem no decorrer do desenvolvimento das crianças, resultando em pequenos mais teimosos e desafiadores.

Sua filha, a empresária Talita Sátiro, conta, por sua vez, que se espelha sempre em sua mãe para criar Maria Luiza. “Digo todos os ditados dá avó para ela! Minha mãe sempre me ensinou a ser honesta e ter educação para lidar com as pessoas, tratando todos com igualdade. Desde que minha filha passou a entender as coisas, mostro para ela que sempre terá que respeitar os amigos de escola e de seu convívio, independentemente de cor ou classe social. Acho que isso é o princípio para a formação dela, como eu aprendi com a minha mãe”, ressalta.

Talita assume ser uma mãe superprotetora – até demais às vezes – e garante que não deixa de ser rígida, buscando não perder o controle, principalmente com alimentação e os horários. “Eu trabalho bastante, mas procuro direcionar o maior tempo que posso para estar com ela. É minha prioridade! Posso chegar cansada, mas paro para brincar. Vou para o parque passear e conversamos bastante! Quero que minha filha seja uma pessoa independente e de bom caráter. E que saiba que tudo que ela desejar ter nessa vida, necessitará de muito trabalho e que nada vem de mão beijada. E, é claro, que estude e tenha saúde”, deseja a mamãe.

A vovó Maria Donisete Faria Sátiro com a filha, Talita Sátiro, e a neta, Maria Luiza

Conhecendo o amor de forma especial

Ser mãe sempre foi um grande desejo de Sabrina Matthes, que teve dois meninos: Felipe, de 5 anos, e Gabriel, de 7 meses. Antes mesmo da chegada do caçula – na 22º semana de gestação –, a fisioterapeuta descobriu que teria um bebê especial. “Ninguém espera que o filho que está em seu ventre tenha algum problema. Quando engravidamos, todos dizem: ‘que venha com saúde!’ Mas esse não era o meu destino”, relembra. Desde que nasceu, a criança já foi submetida a vários exames na tentativa de se chegar a um diagnóstico final, mas, até agora, o que se sabe é que ele nasceu com a rara Síndrome de Pfeiffer do tipo 2.
As dificuldades, contudo, não impedem Sabrina de manter uma ótima relação com os dois filhos. De certa forma, até os aproxima mais. “Com meu filho mais velho tenho um relacionamento maravilhoso. Sou aquela mãe que senta no chão e brinca na rua. Somos amigos! Porém, mostro que sou a mãe e que ele sempre precisa me respeitar. Já ser mãe de uma criança especial é descobrir outro mundo, um lado que jamais descobriria se não passasse por isso: conhecer pessoas diferentes e viver de uma forma diferente. É dizer ‘sim’ a esse mundo novo, é dizer ‘sim’ para Deus e para seus propósitos, confiando e esperando no colo do Pai. É manter os costumes antigos, mas com um toque novo e especial”, revela Sabrina.

Parte da corrente de amor que une a família, a vovó Maria da Glória Silva Matthes de Freitas não economiza palavras para demonstrar o quanto amou se tornar avó! Para ela, é possível lembrar a infância de seus filhos sem o compromisso financeiro e educativo daquele período. “É muito importante transmitir aos nossos netos a ética familiar que demos aos nossos filhos, por meio de exemplos, amando de forma incondicional, atendendo seus desejos, transmitindo o histórico familiar e o respeito ao próximo”, compartilha.

Sabrina Matthes com a mãe, Maria da Glória Silva Matthes de Freitas, e os dois filhos, Felipe e Gabriel

Os mesmos passos e uma nova história

Quando ainda era criança e estava sob os cuidados e olhos atentos da progenitora, a empresária Laura Azevedo Henriques Gallo já sabia o que seria ao crescer: mãe! Não por acaso, sua brincadeira preferida sempre foi cuidar das bonecas e, avançando a história até o presente, esse é o papel que desempenha com Gabriel, de 2 anos, e Stella, que ainda está na segurança de sua barriga, mas já é profundamente amada. “Sou muito amiga e também protetora, entretanto sempre procurando um balanço para que ele tenha liberdade e independência. Acredito que esse seja o melhor caminho para criar um filho hoje em dia”, confessa.

Essa ideia de criação, que é baseada nos valores de lealdade, solidariedade, honestidade e educação, veio da melhor fonte que Laura poderia ter acesso, ou seja, sua própria mãe. “Ela sempre foi muito cabeça aberta e positiva. Quero essa liberdade para meus filhos, mesmo sabendo que os dias de hoje pedem mais atenção. Acho que tenho um pouco mais de medo do que meus pais tinham”.

E a mãe e agora avó coruja concorda? “Fico muito feliz em ver como minhas filhas foram criadas. Sou muito amiga delas. Elas podem contar comigo em qualquer momento”, conta a também empresária Rita Azevedo Henriques.

Embora se orgulhe de ver muito de seus passos sendo seguidos pela filha, ela enxerga diferenças entre passado e presente, o que influencia no modo de educar. “Hoje, desde o nascimento, as crianças possuem enfermeiras 24 horas e depois, as babás. Antigamente, meus filhos dependiam 100% de nós e de nossos pais”, afirma. Esse exemplo é também um dos motivos pelos quais sua resposta foi rápida quando questionada se a máxima “ser avó é mais gostoso que ser mãe” é verdadeira. “Sim, com certeza! Porque, com nossos filhos, além da responsabilidade ser muito maior, tínhamos mais tarefas ao mesmo tempo: casa, trabalho e a criação deles. Ser avó é ter somente a parte boa, apesar de termos participação fundamental em suas educações: ensinar que respeitem sempre os seus pais e reafirmar a educação que recebem”.

Luiza Azevedo Henriques e Rita Azevedo Henriques com o neto Gabriel, Laura Henriques Gallo à espera de Stella e Isabela Azevedo Henriques

Sempre unidos

Mamãe e vovó superprotetoras sim! Taís Fernanda Pereira Gasparin e Zilda Zanelato Pereira se definem assim. Segundo Taís, ela está sempre querendo cuidar e dar carinho demais! Se preocupa e se apavora se um de seus filhos aparece com um raladinho no joelho, quer saber como seus pequenos estão na escola… Protege e não deixa eles sozinhos nunca. Até hoje, dormiram longe dos pais apenas duas vezes, sendo essas nas casas dos avós.

“Não faço nenhuma viagem, não vou para nenhum lugar onde eles possam não estar bem. Quando estou com eles, não falo com ninguém sobre trabalho, estou só para eles mesmo. É uma relação de muita cumplicidade. Em casa eu leio livrinhos, eles gostam muito de histórias. Não tem esse negócio de ficar somente no computador e celular. É uma horinha por dia e, às vezes, eles nem pegam”, ressalta a empresária.

A dupla que desperta tamanha dedicação na mamãe coruja é Sofia, de 5 anos, e Davi, de 4. As gestações foram seguidas! “Eu não conseguia engravidar. Consegui depois de cinco anos de casada. Não tinha nenhum tipo de problema físico, era psicológico. Mas foi a vontade de Deus mesmo, pois quando a Sofia tinha 4 meses descobri que estava esperando o Davi. Foi um susto! Chorei um mês seguido, mas hoje eu agradeço a Deus por ter tido os dois tão pertinho assim. Foi maravilhoso! ”, relembra.

A avó Zilda sempre criou os filhos de maneira muito unida. Tais é a única mulher entre três homens. “Amo tanto meus filhos que chega a doer e meus netos são a continuação dos meus tesouros. Na minha opinião, mãe não tem que espancar, tem que educar”, afirma a personal organizer.

A união entre irmãos, a boa educação e o respeito são os principais valores que Tais carrega de sua família e que faz questão de passar aos seus filhos. “Sou igual a minha mãe, muito ‘mãezona’, estou sempre atrás e acho que nunca vou deixar eles saírem debaixo da minha asa. Vou estar sempre do lado deles para qualquer situação da vida. Quero que eles sejam felizes, independentemente de qualquer coisa”, finaliza.

Taís Gasparin com a mãe, Zilda Pereira, e os filhos, Davi e Sofia

Fotos Zoro Seixas

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