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Impactos do acordo com União Europeia serão apenas no médio prazo

A redução das tarifas é gradual, reduzindo os impactos imediatos, algumas levarão até 10 anos e no caso de carros, 15 anos

O acordo entre Mercosul e União Europeia agitou o mês. Foram duas décadas de conversas, e não deixa de ser uma onda contrária aos movimentos protecionistas recentes, por isto foi bastante comentado na imprensa mundial. É um bloco de 720 milhões de pessoas e 25% do PIB mundial.

De início, estima-se uma redução de tarifas de 4 bilhões de Euros à UE. Para a UE vai interessar mais os mercados de produtos manufaturados, entre eles carros, vinhos, queijos, além de contratos públicos.

Para o Mercosul abre-se mais o mercado para frutas, suco de laranja, café, carnes, açúcar e etanol. A redução das tarifas é gradual, reduzindo os impactos imediatos, algumas levarão até 10 anos e no caso de carros, 15 anos.

Ainda precisa de aprovação dos países, o que pode levar muito tempo. Vai enfrentar muita resistência dos lobbies agrícolas europeus, bem como levantar preocupações e riscos ao Brasil na área ambiental.

Cotas de produtos

A UE estabeleceu cotas em alguns produtos mais sensíveis ao bloco. Na carne bovina uma cota de 99 mil toneladas com carcaça, no frango 180 mil toneladas com carcaça, na carne suína são 25 mil toneladas (tarifa de 83 euros por tonelada).

No açúcar uma cota de 180 mil toneladas para o refinado, no etanol 200 mil toneladas para uso como combustível com 1/3 da tarifa e 450 mil para uso químico sem tarifa, 60 mil toneladas para o arroz, 45 mil toneladas para o mel, entre outros.

São licenças que serão distribuídas de alguma forma pelo Governo Brasileiro, na cota que o couber dentro do Mercosul. Lembremos que perto das nossas exportações, são volumes muito pequenos. Temos sim que comemorar, mas a Ásia é muito mais importante.

Os cinco fatos do agro para acompanhar agora diariamente em julho são:

1. O mais importante: as primeiras estimativas do que será produzido nos EUA. Devido às chuvas excessivas é uma safra com risco maior;

2. Como serão os impactos da evolução da gripe suína africana na China nas importações e preços de carnes e grãos. Há percepções de que algo pode estar sendo escondido pelo Governo como também pode não ser tão grave. Grande incerteza.

3. As questões comerciais de China e EUA e se haverá mesmo gesto de boa vontade para aumentar a importação de alimentos dos EUA pela China visando acelerar as negociações, sendo este um risco ao Brasil;

4. A reforma da previdência no Brasil e os efeitos no câmbio;

5. Evoluções do acordo comercial Mercosul e União Europeia.

Estamos em um momento bom, com preços razoáveis em reais e boas produções. Torcer para permanecer!

Passei duas semanas na China, estou com o cérebro esgotado com tudo o que vi, uma velocidade impressionante. Tenho feito esforço em colocar o aprendizado nas mídias sociais e farei texto específico sobre isto. Acompanhem!

Marcos Fava Neves
Engenheiro Agrônomo
Professor da FEARP/USP e EAESP/FGV
favaneves@gmail.com
www.favaneves.org

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