Nobel 2018 de Medicina premiou terapia que enfoca no sistema imunológico

Combater o câncer com medicamentos que estimulam o sistema imunológico para que ele reconheça e destrua as células cancerígenas. Esse é o princípio da imunoterapia, tratamento contra o câncer que foi reconhecido pelo Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia 2018.

A cerimônia ocorreu na Suécia, no início deste mês de outubro. Os cientistas James P. Allison, dos Estados Unidos, e Tasuku Honjo, do Japão, foram premiados pelas suas descobertas relacionadas a proteínas produzidas pelos tumores que bloqueiam a célula mais importante do sistema imune. A decisão do Comitê do Nobel consolidou a estratégia da imunoterapia como o quarto pilar do tratamento contra a doença, juntamente com quimioterapia, cirurgia e radioterapia.

Imunoterapia
Segundo a Dra. Cristiane Alves Mendes, médica oncologista do InORP/Grupo Oncoclínicas, a imunoterapia tem potencial para combater variados tipos de câncer|Crédito: Divulgação

Para Cristiane Alves Mendes, médica oncologista do InORP/Grupo Oncoclínicas, a medicina avançou muito com a descoberta da imunoterapia. “Em 2016, a ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) já havia reconhecido a imunoterapia como o maior avanço contra o câncer. Agora, com o reconhecimento por parte do Prêmio Nobel, temos um marco na história da medicina”.

O tratamento tem potencial para combater variados tipos de câncer como melanoma, câncer de bexiga, de pulmão, de estômago, de cabeça e pescoço, linfoma e leucemia. Ainda há estudos em andamento para identificar outros casos que também podem usufruir da imunoterapia.

De acordo com Dra. Cristiane, a imunoterapia compreende uma diversidade de drogas. Os medicamentos impedem que o câncer bloqueie o sistema imunológico do organismo, dando as condições necessárias para que a defesa trabalhe no combate e eliminação das células cancerígenas. Esse processo ainda deixa uma memória de proteção, o que permite que a resposta ao tratamento seja duradoura.

“É uma alternativa que vai além dos tratamentos tradicionais. Devemos selecionar muito bem os pacientes para esse tratamento, porque ele não funciona igual para todo mundo. Quando indicada, a imunoterapia pode tratar o câncer sem causar os mesmos efeitos colaterais tradicionais da quimioterapia, como náuseas e vômitos, queda de cabelo e queda de imunidade. A imunoterapia pode causar diarreia e, em casos mais raros, inflamação de rim, de tireoide e de fígado. O controle do tratamento deve ser muito rigoroso para identificar a resposta e eventos adversos, para tratá-los precocemente”, completa a oncologista.

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