A sinceridade precisa ser valorizada

Estou solteiro. E, como todo cidadão nesse estado civil, frequento ou frequentei esses aplicativos de relacionamento. Foi em uma incursão nesse tipo de tecnologia que descobri o “The Inner Circle”, o Tinder dos “playboys”. Para você entender, o Tinder é o pudim de pão murcho e o The Inner Circle é o de leite condensado.

Cara, o Inner é genial. A começar pela própria descrição do app: “Somos elitistas, sim”! Frase curta só para acabar com a ilusão democrática da galera (kkkkkkkkkk). Antes de me inscrever, vi o de uma amiga. Mano, que impressionante!

Só tinha aquele povo que fez “Pós-Graduação em Beleza” antes de nascer… oh, povo lindo! Eu fiquei felizão, foi a primeira vez que me senti igualado; se essa galera mega, blaster, máster linda está encalhada, “pegando papel na ventania” em app de celular, quem sou eu para questionar meu destino?

Resolvi me inscrever há uns treze dias, até hoje minha entrada não foi aprovada e todo dia entro no e-mail para ver se tem novidade a respeito. Sem brincadeira, estou me sentindo na época do vestibular. Será que vou ter que prestar ENEM para beijar na boca?! Zoeiras à parte, eu sei que isso é um preconceito odioso, mas quero deixar claro meu respeito por esse app.

Eu gosto de saber onde pouso minha atenção. A partir do momento que eles colocam na descrição que são elitistas, sei que posso criticar e enxovalhar, com certeza, sem medo. A coisa velada, dúbia, que é, mas eles (as), juram que não, me corrói. Por isso, apesar do ranço, você é um inimigo respeitável, The Inner Circle.          

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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