Se hoje o último rei francês antes da Revolução Francesa desembarcasse em Brasília ele se sentiria em casa…

Para ele, a capital brasileira talvez fosse uma versão moderna, e um pouco mais árida, de Versalhes, sede do poder francês na sua época e para onde as riquezas de todo o país migravam. A incapacidade da nobreza de compreender a realidade do resto do país certamente lhe seria familiar.

Logo, ele reconheceria a toda poderosa família real, as decisões intempestivas do rei e seus príncipes-pimpolhos, e os alegres conselheiros reais. Provavelmente, estranharia que o mais influente conselheiro real vivesse em Virgínia, nos Estados Unidos. No Congresso, Luís XVI veria a corte, suas mordomias e a convicção de que as regras que valem para os demais não têm de valer para os nobres. No funcionalismo público, veria a aristocracia moderna, sustentada pela riqueza produzida pelo povo, mas pouco sensível a suas mazelas.

Seriam as lagostas do STF os famosos brioches de Maria Antonieta? E as dezenas de bilhões de reais pagas anualmente a funcionários públicos, inclusive aposentados, independentemente de seus resultados e que recebem o nome de bônus de desempenho, “isto, nem nós tivemos”. E os auxílios moradia, creche, paletós, livros, esposas, filha solteira e cachorro com cinco patas, “como nunca pensamos em algo assim?”.

A notícia da falência do setor público por excesso de gastos lhe soaria familiar; a decisão de excluir o funcionalismo estadual do duro ajuste da Previdência, necessário para evitar que o país colapse, provavelmente mais ainda.

A Revolução Francesa aconteceu há 230 anos, mas a julgar pelo comportamento dos políticos e do setor público brasileiro, a notícia não chegou aqui ainda. Seria prudente eles aprovarem uma Reforma da Previdência ampla e profunda antes que Robespierre e o diligente médico Guillotin possam pensar em viajar na máquina do tempo também.

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Ricardo Amorim
Economista, apresentador e palestrante 
Linkedin: ricardoamorimricam
Instagram: @ricamorim
www.ricamconsultoria.com.br

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