Me afastar de um grande amor?

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É duro saber que você não é imune ao preconceito

Embora sempre tenha tido noção da existência do preconceito, é engraçado que, durante mais de metade de uma década, me senti meio imune a isso. Um trabalho “mamão com açúcar, um bom networking, salário que me deu várias coisas legais e um monte de bajuladores de plantão.

Eu, inocentão, quando perdi o emprego, acreditei que o tal networking me garantiria uma recolocação automática, jamais pensei em stand-up e palestras como alternativas. Mas, minha ilusão com isso acabou mais rápido que fama de ex-BBB. Parece que, para os bajuladores, ao sair do jornal, caiu um raio e eu “voltei a ser deficiente”.

Todas as dúvidas com relação a minha capacidade profissional voltaram em um estalar de dedos, assim que assinei minha rescisão. Me recordei dos primeiros anos de colégio, faculdade e profissão. Sensação horrível, indigna!

É engraçado que minha mãe não gosta muito desse mundo de stand-up e palestra e, quase que me implora por um emprego “igual ao jornal”, como se aquilo fosse repetir-se tranquilamente. Eu também mãezinha, acredite!

Mas, a real é que, se não impossível, conseguir aquelas condições de trabalho, é improvável, tanto pela penumbra da comunicação atualmente, quanto pela minha falta de paciência para tirar obstáculos preconceituosos do caminho. Estou mais velho e mais azedo para ter que lidar com discriminações.

Amo o jornalismo, quero voltar e conciliar com minha outra paixão que é o stand-up. O negócio é que, quando a gente ama muito e não é correspondido, temos que “dar um tempo” para ver se queremos continuar vivendo aquilo.

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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