Menos poderes

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Menos poderes | Crédito: Divulgação
Gabriel Pereira | Crédito: Divulgação

Claro que é ruim, mas nem tanto

Óbvio que, se eu pudesse escolher, jamais viria a esse mundo para ser deficiente físico, é uma realidade duríssima, o esforço comum a todas as pessoas para nós é dobrado. Se todo mundo tem que matar um leão por dia, nós precisamos fazer isso com dois ou três. Por outro lado, sempre tive sonhos que seriam mais “realizáveis” se eu fosse “normal”: ser pai, tocar guitarra, jogar futebol e entrar para aeronáutica são exemplos disso.

Entretanto, não me cabe ser ingrato, preciso olhar para o que poderia ser, porém, é imperativo que eu olhe para o que de fato é: minha vida é, no mínimo, razoável, saio, faço bem o que me proponho porque me empenho para isso, tenho amigos e uma vida social bem movimentada; não tenho muitas razões para lamúria.

Isso posto, é incrível como tem pessoas que, mesmo conhecendo o panorama que eu tracei acima, acreditam piamente que minha existência é um suplício sem interrupção. Eu sou o que se pode chamar de uma “formiguinha”, adoro doce e, é claro que eu controlo essa vontade de glicose, até por questão de saúde. Quando tento me segurar, não é raro eu escutar a frase: “Pra que isso? Você já sofre tanto”! Oi? Quem disse? Eu tô na cadeira de rodas, não pregado na cruz! Calma, galera!

Ser deficiente é uma parte grande da minha vida, mas é importante não dar mais poderes do que, de fato, ela tem na minha história.  

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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