Início Matérias Educação Mitos e verdades sobre o ensino bilíngue

Mitos e verdades sobre o ensino bilíngue

A fluência em uma segunda língua nunca foi tão requisitada como hoje. Mas ainda existem tópicos cuja veracidade não é clara para quem procura o ensino bilíngue

De acordo com a Abebi (Associação Brasileira de Estudos Bilíngues), a busca pela introdução de um segundo idioma desde a primeira infância vem aumentando no Brasil. Desde 2014, houve um aumento significativo de 10% no mercado de escolas bilíngues.

Tendo isso em vista, nesse artigo, Daniellen Lopes Torres da Silva Zwierzynski, diretora nacional de Educação Bilíngue do Grupo SEB, desmistifica alguns mitos e elucida os benefícios pouco conhecidos sobre o ensino bilíngue. Confira!

Mito 1: O único benefício de um segundo idioma é no mercado de trabalho.

Na década de 1980 foram desenvolvidas pesquisas na Suíça, Ucrânia e Nigéria evidenciando que pessoas bilíngues apresentavam habilidades verbais mais aprimoradas, criatividade e capacidade analítica. Além disso, inclusive suas habilidades matemáticas eram superiores.

Outras características, como a capacidade para discriminar informações relevantes, o aumento na capacidade de processamento da linguagem e superioridade intelectual também são observados quando o ensino bilíngue é oferecido desde a primeira infância.

Mito 2: A criança pode ficar confusa tentando aprender 2 línguas ao mesmo tempo.

Esse mito deriva de pesquisas antigas e equivocadas. A superioridade intelectual e cognitiva de crianças que aprendem dois idiomas ao mesmo tempo já é comprovada. Uma pesquisa da Universidade de York, no Canadá, mostra que elas adquirem vocabulário com uma profunda compreensão da estrutura de linguagem e desenvolvem capacidade de concentração superior.

Mito 3: Ensino bilíngue quando o aluno é mais velho é ineficaz.

Não há comprometimento na capacidade de aprendizado de uma criança por ser mais velha. O que ocorre é que, até três anos e meio, ela está consolidando o desenvolvimento de uma língua para se comunicar com o mundo. Introduzir um segundo idioma neste momento apenas torna seu aprendizado mais natural.

Contudo, adolescentes e adultos também são capazes de se adaptar a uma nova língua – desde que estejam empenhados (o mesmo vale para a infância).

Mito 4: O vocabulário pode ser confundido na hora de se comunicar.

Quem passa por uma alfabetização em duas línguas consegue distinguir com perfeição as duas falas. Um equívoco natural de acontecer é que algumas expressões só existem em determinado idioma. Como resultado, ao querer comunicar o mesmo sentido em um idioma diferente, o interlocutor procura expressão similar adaptada, sendo que essa equivalência nem sempre ocorre.

Mito 5: Ensinar em 2 línguas ao mesmo tempo pode estressar o aluno com tantas informações.

Ter a capacidade de falar mais de um idioma pode ser sinal de saúde mental e não o contrário. De acordo com pesquisa de Ellen Bialystok, da Universidade de Nova York, entre os benefícios do bilinguismo está a capacidade de adaptação a mudanças.

Ainda existem outros benefícios em longo prazo, como um envelhecimento saudável e o adiamento dos sintomas de demência em idosos.

Mito 6: O bilinguismo é algo para ser aplicado apenas na escola.

O ambiente familiar é uma importante ferramenta para dar continuidade ao aprendizado das crianças. Atividades que estimulem a aquisição de uma segunda língua – histórias, filmes, viagens e brincadeiras, por exemplo – auxiliam e muito esse desenvolvimento.

No aprendizado bilíngue, o processo da fala de um novo idioma é natural e não apenas um exercício de memorização de regras gramaticais. E quanto mais contextualizado no dia a dia, mais eficaz é o aprendizado.

Leia mais: Os desafios da nova geração

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu Comentário
Por favor coloque seu nome aqui

MAIS LIDAS DA SEMANA

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!