Não consigo mais falar sério

A época de rádio foi a que me renderam as maiores e melhores lembranças na minha profissão de origem, o jornalismo. Lembro de uma coisa muito engraçada que sempre acontecia. Não sei por qual razão, o meu trabalho passava a impressão que eu tinha me tornado um grande mecenas.

Amigos pediam de tudo: emprego, gratuidade em autoescola, curso de manicure/pedicure etc. Mas, o campeão de solicitação era o “ingresso pro jogo”. Credo! Surgia gente do esgoto querendo ir ao campo. O negócio era tão descarado que os amigos de emissora fizeram uma plaquinha, da qual fizeram uma foto, com os dizeres: “Não tenho ingresso”!

O tempo passou, comecei a fazer stand-up e uma outra frase começou a assolar minha vida: “Faz um stand aí, vai”? Em todo lugar que eu vou, desde que iniciei nessa vida, essa frase surge. No velório da minha avó, uma galera pediu: “Faz uma piada aí”? Juro, não estou brincando!

É complicado! A galera acredita mesmo que eu sou uma máquina de fazer anedota, parece que, de repente, eu me tornei um CD ambulante do Ary Toledo! É muito engraçado! Não consigo mais falar sério. Eu abro a boca, parece que a galera fica esperando sair um punch(termo usado no stand-up para designar a piada principal do show).

Pelo jeito, vou ter que ressuscitar a plaquinha da época de rádio e colocar os dizeres: “Não faço stand-up toda hora”! (Ah, vou aproveitar o tema e colocar meu primeiro vídeo de stand-up no youtube para vocês curtirem!)  

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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