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O agitado mês de agosto no Agronegócio

Resumo do agro em agosto e os cinco pontos selecionados para setembro

No cenário internacional deste agosto, destaca-se novamente a guerra comercial EUA x China. Mais US$ 300 bilhões em bens importados da China poderão ser taxados pelos EUA em 10%, o que levou o Governo Chinês a desvalorizar sua moeda no início do mês. O problema deve continuar lembrando que 2020 é ano eleitoral nos EUA.

De acordo com estudo da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o problema EUA x China elevará as exportações de commodities do Brasil, pois as tarifas colocadas sobre as exportações dos EUA, trazem deslocamento de mercados para nós. No auge da nossa crise ambiental, em 23 de agosto, a China impôs tarifas retaliatórias em US$ 75 bilhões de exportações dos EUA, para as carnes, soja e algodão, abrindo mais espaço para a produção brasileira. Foi um alento “no meio do fogo”.

Brasil

Na economia brasileira, a respeito do problema ambiental e das questões polêmicas na Presidência, foi um alívio a aprovação da reforma da previdência na Câmara e a rapidez com a qual tramita no Senado e também pelo caminhar da reforma tributária. O protagonismo atual do Legislativo me encanta e dá força à nossa Democracia, que assim seja, pautando as reformas necessárias.

As novas previsões do Boletim Focus para nossa economia trazem a taxa Selic em 5,0% no final deste ano e 5,25% no final de 2020, o IPCA em 3,61% neste dezembro e 3,82% em dezembro de 2020, o PIB cresce 0,80% neste ano e 2,10% em 2020, e finalmente o câmbio fica em R$ 3,80 em dezembro deste ano e R$ 3,81 em dezembro de 2020. Analistas acreditam que ele recua dos atuais R$ 4,14 para R$ 3,80 e estou com eles.

No lado interno produtivo, as notícias são muito boas. Vem safra recorde (CONAB), pois a estimativa de agosto ficou 3% maior, sendo que no milho quase alcançaremos 100 milhões de toneladas, 23% a mais que a safra passada. Na soja serão 115 milhões, 3,5% a menos. Se não fosse a seca de janeiro, teríamos um número mais espetacular ainda.  Agora a safra é estimada em 241,35 milhões de toneladas. A área cresceu 2% e a produtividade em 6%, principalmente puxado pelo milho. Na soja devemos exportar 70 milhões de toneladas, aumentando em 2 milhões a última projeção pelo aumento na temperatura do conflito China x EUA.

Outra boa notícia é que a partir de setembro passa a valer a mistura de 11% de biodiesel ao diesel consumido no Brasil. A Ubrabio estima que com isto, a produção brasileira chegará a 6 bilhões de litros. A meta é de adicionar 1% ao ano, até atingir 15% em 2023.  Segundo a Associação, desde que o programa de biodiesel no Brasil iniciou em 2005, a substituição evitou a emissão de 70 milhões de toneladas de CO2.

Amazônia

Não bastasse toda esta agenda, tivemos o “tsunami ambiental”, com o aumento dos incêndios em agosto (é o maior número para o mês em nove anos) e a gigantesca projeção mundial deste assunto, prejudicando nossa imagem tão dificilmente conquistada na área ambiental.

A Amazônia é um tema muito delicado no mundo. Em mais de 25 anos fazendo palestras fora do Brasil, posso atestar isto. Temos que tomar muito cuidado e realmente ter ações estruturantes de preservação daquela região. O fato é que a reação do Governo foi tardia, porém está em andamento e precisamos torcer para que apresente bons resultados, mas não apenas em curto prazo. A Amazônia tem que ser exemplo mundial de preservação e sustentabilidade nas áreas econômica, ambiental e social para as 20 milhões de pessoas que lá vivem, para o Brasil usufruir de seus recursos e para o mundo manter este patrimônio.

Os cinco fatos do agro para acompanhar diariamente em setembro são:

1) O mais importante: o andamento do clima na safra dos EUA e as estimativas de produção;

2) A estimativas de importações de carnes vindas da China com os impactos da evolução da peste suína africana;

3) As questões comerciais de China e EUA e o aumento das quantidades com tarifas;

4) O andamento das reformas da previdência e outras e a gestão das crises criadas pela política;

5) Evoluções do combate ao fogo na Amazônia e as reações internacionais e o clima no Brasil neste início de plantio.

Marcos Fava Neves
Engenheiro Agrônomo
Professor da FEARP/USP e EAESP/FGV
favaneves@gmail.com
www.favaneves.org

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