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O novo Brasil na taça

segunda-feira, outubro 21, 2019

O Rio Grande do Sul foi – e ainda é – o principal e mais tradicional terroir do vinho nacional. Mas existem muitas outras áreas ganhando espaço nesse cenário

É fato que, no período que antecede a colheita (geralmente no verão), o ideal é que a videira seja submetida a estiagem – isso naturalmente ocorre em países produtores tradicionais de vinho. Ou seja, a viticultura mundo afora é uma cultura de verão, uma estação seca, que resulta em uvas bem concentradas e, consequentemente, em vinhos com grande volume e altos níveis qualitativos.

No Brasil, tal situação não ocorre de forma natural em nosso verão tropical chuvoso, prejudicando o período final da maturação das uvas. Mesmo assim, a Serra Gaúcha conseguiu usar esse fator a seu favor e se destacar na produção de vinhos espumantes, obtidos, quase sempre, a partir de uvas brancas, mais precoces e de maior acidez.

No entanto, o mercado tende a valorizar os vinhos tintos e os produtores buscam produzi-los, mesmo quando essas adversidades climáticas quase sempre resultam em vinhos desinteressantes. Esses, quando confrontados com vinhos de mesmo valor, importados da Argentina, Chile e até mesmo Portugal e Espanha, mostram-se uma escolha menos vantajosa.

Na última década, uma revolução foi iniciada na Mantiqueira Mineira. Pesquisadores da EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) desenvolveram uma técnica revolucionária de manejo da videira a fim de produzir uvas no inverno. Nessa latitude, em função também da altitude, geralmente em regiões acima de 800m, temos invernos ricos em amplitude térmica dia/noite, pouquíssima chuva e frio não tão rigoroso como no Sul, além de muita luz solar. O resultado são uvas perfeitamente maduras, com índices ideais de açúcar e acidez. Os vinhos são surpreendentes!

Em ambos os lados da Serra da Cantareira (São Paulo e Minas), aparecem novos vinhos de alto nível.

Em breve, em Bonfim Paulista (SP), tudo indica que teremos um belo exemplar dessa inovadora vinicultura. Um empreendedor de Ribeirão Preto, seguindo rigorosamente os protocolos desenvolvidos na EPAMIG, está conduzindo um projeto que logo poderá colocar nossa região no mapa da vinicultura nacional, e, pelo que vem demonstrando, com nível internacional. Vamos esperar de taça na mão!

Sérgio Musolino
Sommelier e proprietário da
Enoteca Decanter Ribeirão Preto

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