ONU alerta para globalização da obesidade

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Atualmente, mais de 2 bilhões de pessoas no mundo estão acima do peso, cerca de 670 milhões delas são obesas e estes números tendem a aumentar

Em reunião dos ministros da Agricultura do G20 realizada no início de maio, no Japão, José Graziano da Silva, chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), fez um alerta para o que descreveu como uma globalização da obesidade.

Hoje, mais de 2 milhões de pessoas estão acima do peso, cerca de 670 milhões delas são obesas. E, projeções sugerem que o número de pessoas obesas no planeta deve ultrapassar em breve os 821 milhões de indivíduos que sofrem com a fome. A inversão já foi registrada na América Latina e Caribe.

“A fome é o pior tipo de desnutrição e deve ser enfrentada, mas temos que ter em mente que outras formas de desnutrição, como a obesidade, também estão causando danos cada vez maiores e graves à humanidade”, ressaltou Graziano da Silva na reunião.

Para o dirigente, a obesidade deve ser combatida por meio de fortes parcerias público-privadas. “Para abordar os problemas interligados da fome, obesidade e mudanças climáticas, a comunidade internacional precisa introduzir normas e padrões que transformem os sistemas alimentares, de modo que eles forneçam, de maneira sustentável, alimentos saudáveis ​​e nutritivos para todos”, cobrou o chefe da FAO.

O especialista explicou que os atuais sistemas alimentares estão deixando de oferecer às pessoas alimentos saudáveis ​​e os nutrientes necessários em uma dieta adequada. “Como resultado, as pessoas estão comendo cada vez mais”, disse o dirigente.

“Embora a fome esteja principalmente circunscrita às áreas afetadas por conflitos ou pelos impactos da mudança climática, a obesidade está em toda parte: estamos testemunhando sua globalização”, acrescentou Graziano.

De acordo com a FAO, a obesidade agrava os riscos de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e algumas formas de câncer. Em nível global, o sobrepeso e a obesidade têm um custo exorbitante para a saúde e em perdas de produtividade — os prejuízos são estimados em 2 trilhões de dólares por ano. O montante é equivalente ao impacto do tabagismo ou dos conflitos armados.

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