Presos na “década sem lei”

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O que fazer para mudar a mente das pessoas?

O auge da minha luta por uma vida melhor, seja na parte física, mental ou estudantil, se deu nos anos 90, período de tempo que eu costumo chamar de: “Década sem lei”. Basta lembrar que a gente tinha programas com alto apelo sexual rolando sem nenhuma regulamentação em plena tarde de domingo. Esse cenário, convenhamos, não é o ideal para alguém que precisa de igualdade se desenvolver.

Vi e vivi coisas bem ruins. Fui proibido de ir a lugares, de frequentar aulas e as festas dos meus amigos de colégio, olhares de espanto e de desdém comigo eram tão naturais quanto um galo cantar quando o sol nascer. Mas, aí eu me pergunto: “Em 2019, o que mudou nisso tudo?”   

Concordo e bato palmas para os mecanismos de defesa que foram criados. Se um deficiente ouvir da boca de uma professora que uma escola, seja ela qual for, não é o lugar dele, a rede social “quebra”, vira caso policial e passa na TV. Ser proibido de frequentar um parque de diversões, em 2019, seria inimaginável.

Porém, é triste ver que a inclusão acontece na base do “goela abaixo”, ou as pessoas agem nesse sentido ou são punidas. Mas, o preconceito mesmo está igual existia nos anos 90. Os olhares de desaprovação e de superioridade, que nascem na cabeça das pessoas e passa através de gerações, esse não é combatido, muito menos modificado.

Gabriel Pereira
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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