De um lado, os dados que precisam ser protegidos; de outro, a praticidade que as últimas criações têm proporcionado. Nesse cenário, é o usuário que fica na berlinda

Desde o escândalo que revelou o vazamento de dados pelo Facebook em 2018, a privacidade da navegação do usuário vem sendo discutida amplamente. O tema foi, inclusive, pano de fundo do festival SXSW 2019 (South by Southwest), que acontece na primavera em Austin, nos Estados Unidos.

Especialistas apontam que a privacidade de dados já não existe mais, que é ilusório pensar que estamos protegidos, uma vez que fornecemos informações para a maioria das empresas em troca de conveniência. E, se pensarmos no momento em que ampliarmos essa coleta através de reconhecimento facial e da biometria, o controle da privacidade será mesmo impossível.

Imagine você querendo sair de casa e seu carro decidindo se você vai motorizado ou a pé, baseado no seu peso corporal e na frequência de exercícios diários que fez na semana? A geladeira inteligente poderá decidir também se você pode atacar aquele pudim de leite ou apenas pegar com uma banana.

Podemos olhar para esse cenário com receio ou como uma oportunidade para utilizar os dados a favor de todos – é pensando assim que gigantes como Amazon, Google e Alibaba avançam com tecnologias.

Pelo mundo, já vemos estações de trem e metrô dispensando o uso da carteira, substituída por reconhecimento facial e biometria; programas de Inteligência Artificial já monitoram motoristas de ônibus e caminhões e disparam alertas ao notar sinais de sonolência; supermercados de São Paulo testam o “scan & go” e têm loja de conveniência operando de forma 100% autônoma, onde nem fazer a leitura do código de barra do produto se faz necessário (você entra, pega o que quer e sai apenas mostrando seu rosto para a câmera, validação suficiente para o valor da sua compra ser debitado no seu cartão).

Não se trata de ser bom ou ruim. Mas sim de um debate sobre ética e políticas regulatórias, que se torna imprescindível e não caminha na mesma velocidade dos dados. Quem ganha essa corrida?

Eduardo Soares
Professor e Especialista em Mídias Digitais e
Vice-presidente da APP Ribeirão
@edusoaresprof

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