Queda de cabelos e quimioterapia

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Pesquisas demonstram que 30% das pacientes oncológicas sofrem limitações nas vidas afetiva e social decorrentes da insegurança em relação à aparência

O valor dos cabelos para uma mulher é algo inquestionável. Vagando pela história da humanidade, podemos entender o quão importantes eles são: inclusive, as deusas possuíam longas madeixas, vide Afrodite que cobria toda a sua nudez com seus longos cabelos loiros.

Os séculos passaram e os cabelos continuam falando muito a respeito de uma mulher, sendo a vitrine de nossa sensualidade e personalidade, além de denunciar nosso nível de vaidade e ajudar a criar uma identidade.

Algumas mulheres ficam lindas com a “carequinha à mostra”, mas essa escolha é considerada positiva quando é facultativa. Em pacientes oncológicas, por exemplo, a perda de cabelos, para muitas delas, é considerada uma privação de seus atributos femininos, quase uma castração emocional. Pesquisas demonstram que 30% dessas pacientes sofrem limitações nas vidas afetiva e social decorrentes da insegurança em relação à aparência. E mesmo sabendo que a queda de cabelos em si não apresenta risco à vida, a medicina não pode ignorar essa aflição de tantas pessoas.

A busca da redução dos danos aos cabelos durante a quimioterapia começou na década de 1970 quando toucas de gelo e neve carbônica eram usadas nas cabeças das pacientes durante a quimioterapia. Mas o século XXI chegou e, com ele, a medicina passou a oferecer esperança para as pacientes oncológicas, principalmente aquelas com câncer de mama.

A nova tecnologia de resfriamento do couro cabeludo, conhecida como “sistema de scalp cooling”, vem sendo aprimorada e oferecendo bom custo-benefício a quem se submete a ela. O tratamento compreende o resfriamento do couro com temperaturas muitas baixas, a fim de que o fluxo sanguíneo local seja diminuído e faça com que uma menor quantidade de quimioterápicos, os quais intoxicam os folículos pilosos, cheguem neles. A queda não é evitada completamente, mas uma preservação grande de cabelos pode ocorrer, evitando que a paciente necessite de próteses.

A eficácia do tratamento é individualizada e depende da vários fatores, como os tipos de drogas usadas, as quantidades e os intervalos das sessões, além de condições inerentes a cada paciente. O fato é que a tecnologia veio para ajudar as mulheres no sentido de preservar seus cabelos e se sentirem tão fortes quanto Sansão.

Dra. Lilian Brasileiro | CRM/SP 156908
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e
Médica Dermatologista do
CTO – Centro de Tratamento Oncológico

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