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Temos vagas?

Por que deficientes encontram dificuldades para encontrar vagas no mercado de trabalho?

Desde que comecei essa coluna, sempre tentei falar de temas leves, experiências positivas, mas nesse texto, peço licença para “aumentar meu tom de voz” contra a atual “política de inclusão” dos deficientes no mercado de trabalho. Se qualquer um de nós fizer um levantamento das vagas que são oferecidas às pessoas com limitação, em 99% dos resultados encontraremos: repositor de estoque, caixa e auxiliar administrativo.

Nada contra essas profissões, porém, se procurarmos o verbo “incluir” no Dicionário Aurélio, veremos o significado: “inserir num ou fazer parte de um grupo”. Inclusão, se fôssemos seguir o “Grande Aurélio”, seria se tivéssemos um cenário em que fosse oferecido ao deficiente condição de brigar por qualquer cargo, com um plano de carreira, se JUNTANDO e se INSERINDO no contexto onde estão todos os demais.

A meu ver, o que fazem está mais para “livra-se” ou “safar-se” de um dever. Já que a legislação determina uma cota de 2% a 5% de cargos para pessoas com deficiência (PCD), nas empresas com 100 ou mais empregados. O que acontece hoje é que separam as vagas mais baixas no organograma corporativo, que não tem muita responsabilidade e oferecem para as pessoas com limitação. Fazem o MÍNIMO, apenas para se livrar de uma eventual fiscalização.

Mas aí, muitos falam: “Antes isso que nada”. Sim, concordo, o que não dá, é comer só a massa da coxinha, acreditar que isso é a “linha de chegada” do assunto inclusão. Pelo contrário, é a “largada”. É como se estivéssemos numa estrada imensa e ficássemos contentes apenas com o primeiro passo.    

Gabriel Pereira 
Jornalista, deficiente físico e escritor
Autor do livro “NEM TE CONTOs”
@gabspjornalista

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