Uma oficina Harley-Davidson para chamar de sua

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Apaixonado pelas motos e a cultura da marca, o empresário Francisco Botelho Neto montou, com riqueza de detalhes, um espaço para manter todos os seus tesouros

Caso não estivesse no espaço externo da casa do empresário Francisco Botelho Neto, a poucos metros da sala, seria fácil confundir o local com uma loja oficial da Harley-Davidson. Ou ainda com uma oficina da marca, daquelas que existiram em décadas passadas em Milwaukee, (Estados Unidos), onde essa moto – cujo significado vai além de um veículo – surgiu.
A riqueza de particularidades do cenário, com objetos, muitas vezes, encontrados só fora do Brasil, encanta até quem não entende nada desse universo: uma imagem da famosa rota 666 ilustra uma das paredes, na qual simulações de bombas de combustível antigas completam a paisagem. “Eu gosto de detalhes, eles que fazem a diferença nas coisas. Muitas vezes, nem são percebidos. Mas é o que mais valorizo”, afirma o criador. Ao fundo, diversos quadros clássicos e retrôs aparecem intercalados com uma TV, na qual a programação exibida é temática, e 2 janelas, sendo que de uma delas surge o pai de Botelho, montado em uma motocicleta – o recorte de uma foto antiga, mostrando que a paixão está no sangue.

Além disso, tanques de combustíveis originais de modelos clássicos estão em exposição. “Eu fui fazendo as coisas de maneira despretensiosa. Quando eu comecei a comprar os itens, nem tinha ideia de onde colocaria. Até que surgiu a ideia de fazer essa oficina – que hoje minha mulher diz que é minha toca. Cada detalhe fui eu que planejei”, revela Botelho.
As responsáveis por dar início a essa inestimável coleção (e exposição) ficam no centro da oficina: uma Deluxe (2014) e uma Ultra Glide (2015), ambas da Harley – além de uma Honda Goldwin, (1982, placa preta). “Por incrível que pareça, nunca fui muito fã da Harley. Até que um dia estava em uma loja, por convite de um amigo, e eles estavam colocando a Deluxe ali. Era laranja, que é minha cor preferida, e o modelo mais retrô que a marca tem – com faixa branca e uma série de detalhes. Considerei aquilo um sinal”, lembra o colecionador, que, por essa casualidade, entrou de cabeça na cultura da marca.
Como também tem “alucinação” pelo passado, como ele mesmo define, e o estilo dos anos vividos no século XIX, Botelho confessa que seu maior xodó, a Deluxe, “tem cara de antiga, mas não é. É só o estilo que eu dei para ela”, por meio de uma composição de acessórios e mudanças. “Eu gosto muito de mexer, fazer peças, modificar os modelos. Por exemplo, a minha Deluxe possui vários acessórios que eu desenvolvi para ela, transformando-a em um moto clássica, que eu não passo vergonha em nenhum lugar do mundo em termos de clássico, pelo estilo e tudo que ela tem”, garante.
Para Botelho, o espaço dá a ele uma válvula de escape para o dia a dia e é uma forma de “higiene mental”, com a qual, agora, ele consegue se envolver estando próximo de sua família – afinal fica no quintal! E muito além da satisfação de ter um lugar próprio para mexer com seus “brinquedos” e guardar sua coleção, o empresário ressalta que o seu espaço Harley teve reflexos em sua vida social de uma forma surpreendente. “Quando fiz uma reunião depois que a obra ficou pronta, ninguém nem sentou ou ficou na sala, porque ficou ao redor das motos ou olhando os detalhes. Então, como tenho bastante amigos e gosto de reunir as pessoas, acabou se tornando um ponto de encontro e aproximando as pessoas. Além disso, sempre que alguém vê algo da Harley ou retrô se lembra de mim (risos)”, garante.

Por Amanda Pioli – Fotos Roberto Galhardo

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