Marido da Tatiana, pai do João Vitor e da Mirella, torcedor do Santos e com raízes bem profundas em Ribeirão Preto. Assim se define Kleber Gomes, CEO da Ourofino Saúde Animal, uma das principais empresas do setor. Há cinco anos à frente dessa gigante, ele nos conta qual o caminho o levou até ali e por meio do qual espera conduzir a empresa à liderança nacional e a novos mercados internacionais
Life Zumm: Antes do profissional, quem era Kleber Gomes? Kleber Gomes:Eu venho de uma família muito simples. Meu pai foi soldado, hoje está aposentado, e minha mãe me teve muito cedo, com 18 anos. Meus pais são daqui e meus avós moraram aqui muitos anos também. Então, minhas raízes todas estão nessa cidade. Mais novo, morei em um bairro residencial bastante simples e fui trabalhar aos 14 anos, como office boy. Depois disso, tive a possibilidade de fazer um curso técnico profissionalizante na Fundação Bradesco, para trabalhar com manutenção de máquinas – de escrever, eletrônicas, manuais, de conta-cédula –, trabalhei com isso na Olivetti, depois fiz Tiro de Guerra e fui fazer faculdade de Ciências Contábeis.
LZ: Por que Ciências Contábeis? KG: Como eu disse, minha família é de uma origem bastante humilde e é óbvio que eu tinha sonhos de transformar a minha vida. Então, sempre vi no trabalho uma grande oportunidade para essa transformação. Por isso também, procurei trabalhar muito cedo, para já ganhar meu dinheiro e fazer minhas coisas. Sempre me dediquei muito para o trabalho. Então, na hora de ir para a faculdade, tinha que escolher um curso noturno e que coubesse no bolso dos meus pais. Ao mesmo tempo, olhava muito para questões de Administração, Economia, Contabilidade, que na minha cabeça eram os cursos que mais se relacionavam à gestão. Fiz também uma consulta com um primo, que era bancário e me trouxe uma visão de como as Ciências Contábeis eram um curso versátil, com o qual eu poderia abrir um negócio, prestar concurso, trabalhar em empresas… e aí essa conjunção de fatores me levou a essa possibilidade. E apesar de nunca ter sido um contador propriamente dito, entendo que a contabilidade foi muito relevante para minha vida. Com ela, consegui trabalhar em auditoria externa, na PwC [rede global de serviços profissionais de auditoria, consultoria tributária e societária], uma ótima empresa, na qual trabalhei muito, mas aprendi muito também. Inclusive, porque eu visitava muitas empresas para auditá-las, em setores muito diferentes. Isso me deu até a possibilidade de trabalhar no exterior – único ano que vivi fora de Ribeirão Preto –, o que abriu muito meus horizontes, em termos de pensar em negócios, em processos, em pessoas.
“Sempre procurei aprender em tudo e acho que a vida é isso: um grande aprendizado, do qual vamos tirando diversas lições e levando-as para frente.”
– Kleber Gomes
LZ: Quais aprendizados você leva dos seus 11 anos como auditor da PwC? KG: Nossa, foram muitos. Porque, desde o meu primeiro emprego, como office boy, eu estive superatento a aprender. Aprendi, inclusive, no meu tempo no Tiro de Guerra, como conviver com pessoas totalmente diferentes umas das outras, também sobre a seriedade de como se envolver em campanhas sociais, sobre hierarquia. Mas a PwC me abriu os olhos para entender várias empresas e diferentes segmentos de negócio, como se relacionar com pessoas de altíssimo nível, mesmo sendo ali uma pessoa bastante jovem naquele momento.
LZ: E como aconteceu a transição para a Ourofino? KG: Ainda trabalhando para a PwC,era auditor da Ourofino e ela estava no momento de receber um aporte de capital. Foi quando o CFO da época me convidou para ser o gerente de controladoria, para apoiá-lo nesse projeto de receber um novo sócio, estruturar o departamento de controladoria, e preparar a empresa para essa abertura de capital, ou seja, preparar todo ambiente de governança, de estrutura financeira, junto com o CFO. Hoje vejo que foi um momento bastante importante. E sigo lá há 18 anos.
Kleber Gomes | Crédito: Divulgação
LZ: Nesse tempo, você deu um salto relevante na gestão. Quais foram os passos dessa jornada? KG: Depois de gerente de controladoria, me tornei diretor do setor, mas a grande mudança foi em 2016 – quase 10 anos após eu entrar –, quando me tornei o CFO da empresa e diretor de relações com investidores. Em 2018, também teve um momento em que assumi a parte de produtos como vice-presidente, o que me deu uma visão muito abrangente da empresa. Até porque sempre fui um CFO que não ficava preso só às finanças; eu me dedicava aos negócios, fazia visitas a campo com o time comercial, participava de todos os eventos. Tenho esse lado, que é a curiosidade de não querer ficar só na minha função, de querer me envolver com tudo. E aí, no final de 2019, a Ourofino Saúde Animal começou um processo de sucessão profissional, para o qual foi contratada uma empresa de consultoria que me avaliou como um candidato interno da empresa. Então, eu participei – em igualdade de condições, fiz assessment e entrevistas, mesmo as pessoas já me conhecendo – e fui escolhido como novo presidente. Assumi em 1º de abril de 2020.
LZ: Desde então, qual a sua missão? KG: O mandato que veio do Conselho de Administração foi para acelerar a empresa em todos os setores. E estamos perseguindo esse objetivo todos os dias, com um time muito bacana. Eu sempre falo: principalmente como presidente, não tenho o poder de fazer as coisas, mas sim de formar o melhor time possível para que elas aconteçam e continuemos avançando. Nosso objetivo é ficar sempre muito próximo da liderança de mercado no Brasil, na América Latina e, inclusive, na sequência, buscar também uma expansão para outras geografias, o que nos faz pensar muito mais para o caminho da Ásia, provavelmente. Ou seja, queremos buscar a liderança do setor. É muito complicado, a gente sabe disso, porque as empresas no topo do mercado são extremamente potentes globalmente, mas creio que, pelo menos no Brasil, temos esse caminho sim. E queremos continuar sendo a empresa mais admirada da América Latina. Afinal, já conseguimos esse reconhecimento, por exemplo, no ano de 2022, em uma premiação global que nos colocou ali como a empresa mais admirada da América Latina. E eu, particularmente, também tive o reconhecimento em 2023 como o “CEO de Saúde Animal do Ano” no mundo, por essa mesma premiação. Foi, inclusive, a primeira vez que um latino-americano ganhou essa premiação.
LZ: E, agora, quem é o Kleber Gomes CEO? KG: Eu diria que meu estilo de gestão é bastante intenso, participativo e comunicativo. Procuro participar de tudo, ainda que saiba que não dá para controlar tudo – pelo contrário, seria contraproducente se pensarmos em termos de agilidade. Então, busco empoderar as pessoas para que possam dar o seu máximo e exercer o seu protagonismo. Sou bastante acessível, procuro transmitir o contexto macro em várias oportunidades e em vários ambientes. Por exemplo, tenho uma reunião mensal, que faço com os mais de 1.000 colaboradores da Ourofino Saúde Animal, na qual falo tudo que está acontecendo e o que é importante, porque entendo que todo mundo precisa ter o contexto do negócio, desde o operador da fábrica à diretoria. A partir desse contexto, do nosso propósito (reimaginar a saúde animal) e dos nossos valores (jogar para ganhar, cuidar das pessoas e conectar com o mundo), eles conseguem, por si só, desempenhar melhor as suas funções e fazer com que a empresa atinja as suas metas, chegando aos patamares que desejamos e cada vez mais na liderança desse mercado.
Life Zumm entrevista Kleber Gomes
Marido da Tatiana, pai do João Vitor e da Mirella, torcedor do Santos e com raízes bem profundas em Ribeirão Preto. Assim se define Kleber Gomes, CEO da Ourofino Saúde Animal, uma das principais empresas do setor. Há cinco anos à frente dessa gigante, ele nos conta qual o caminho o levou até ali e por meio do qual espera conduzir a empresa à liderança nacional e a novos mercados internacionais
Life Zumm: Antes do profissional, quem era Kleber Gomes?
Kleber Gomes: Eu venho de uma família muito simples. Meu pai foi soldado, hoje está aposentado, e minha mãe me teve muito cedo, com 18 anos. Meus pais são daqui e meus avós moraram aqui muitos anos também. Então, minhas raízes todas estão nessa cidade. Mais novo, morei em um bairro residencial bastante simples e fui trabalhar aos 14 anos, como office boy. Depois disso, tive a possibilidade de fazer um curso técnico profissionalizante na Fundação Bradesco, para trabalhar com manutenção de máquinas – de escrever, eletrônicas, manuais, de conta-cédula –, trabalhei com isso na Olivetti, depois fiz Tiro de Guerra e fui fazer faculdade de Ciências Contábeis.
LZ: Por que Ciências Contábeis?
KG: Como eu disse, minha família é de uma origem bastante humilde e é óbvio que eu tinha sonhos de transformar a minha vida. Então, sempre vi no trabalho uma grande oportunidade para essa transformação. Por isso também, procurei trabalhar muito cedo, para já ganhar meu dinheiro e fazer minhas coisas. Sempre me dediquei muito para o trabalho. Então, na hora de ir para a faculdade, tinha que escolher um curso noturno e que coubesse no bolso dos meus pais. Ao mesmo tempo, olhava muito para questões de Administração, Economia, Contabilidade, que na minha cabeça eram os cursos que mais se relacionavam à gestão. Fiz também uma consulta com um primo, que era bancário e me trouxe uma visão de como as Ciências Contábeis eram um curso versátil, com o qual eu poderia abrir um negócio, prestar concurso, trabalhar em empresas… e aí essa conjunção de fatores me levou a essa possibilidade. E apesar de nunca ter sido um contador propriamente dito, entendo que a contabilidade foi muito relevante para minha vida. Com ela, consegui trabalhar em auditoria externa, na PwC [rede global de serviços profissionais de auditoria, consultoria tributária e societária], uma ótima empresa, na qual trabalhei muito, mas aprendi muito também. Inclusive, porque eu visitava muitas empresas para auditá-las, em setores muito diferentes. Isso me deu até a possibilidade de trabalhar no exterior – único ano que vivi fora de Ribeirão Preto –, o que abriu muito meus horizontes, em termos de pensar em negócios, em processos, em pessoas.
LZ: Quais aprendizados você leva dos seus 11 anos como auditor da PwC?
KG: Nossa, foram muitos. Porque, desde o meu primeiro emprego, como office boy, eu estive superatento a aprender. Aprendi, inclusive, no meu tempo no Tiro de Guerra, como conviver com pessoas totalmente diferentes umas das outras, também sobre a seriedade de como se envolver em campanhas sociais, sobre hierarquia. Mas a PwC me abriu os olhos para entender várias empresas e diferentes segmentos de negócio, como se relacionar com pessoas de altíssimo nível, mesmo sendo ali uma pessoa bastante jovem naquele momento.
LZ: E como aconteceu a transição para a Ourofino?
KG: Ainda trabalhando para a PwC, era auditor da Ourofino e ela estava no momento de receber um aporte de capital. Foi quando o CFO da época me convidou para ser o gerente de controladoria, para apoiá-lo nesse projeto de receber um novo sócio, estruturar o departamento de controladoria, e preparar a empresa para essa abertura de capital, ou seja, preparar todo ambiente de governança, de estrutura financeira, junto com o CFO. Hoje vejo que foi um momento bastante importante. E sigo lá há 18 anos.
LZ: Nesse tempo, você deu um salto relevante na gestão. Quais foram os passos dessa jornada?
KG: Depois de gerente de controladoria, me tornei diretor do setor, mas a grande mudança foi em 2016 – quase 10 anos após eu entrar –, quando me tornei o CFO da empresa e diretor de relações com investidores. Em 2018, também teve um momento em que assumi a parte de produtos como vice-presidente, o que me deu uma visão muito abrangente da empresa. Até porque sempre fui um CFO que não ficava preso só às finanças; eu me dedicava aos negócios, fazia visitas a campo com o time comercial, participava de todos os eventos. Tenho esse lado, que é a curiosidade de não querer ficar só na minha função, de querer me envolver com tudo. E aí, no final de 2019, a Ourofino Saúde Animal começou um processo de sucessão profissional, para o qual foi contratada uma empresa de consultoria que me avaliou como um candidato interno da empresa. Então, eu participei – em igualdade de condições, fiz assessment e entrevistas, mesmo as pessoas já me conhecendo – e fui escolhido como novo presidente. Assumi em 1º de abril de 2020.
LZ: Desde então, qual a sua missão?
KG: O mandato que veio do Conselho de Administração foi para acelerar a empresa em todos os setores. E estamos perseguindo esse objetivo todos os dias, com um time muito bacana. Eu sempre falo: principalmente como presidente, não tenho o poder de fazer as coisas, mas sim de formar o melhor time possível para que elas aconteçam e continuemos avançando. Nosso objetivo é ficar sempre muito próximo da liderança de mercado no Brasil, na América Latina e, inclusive, na sequência, buscar também uma expansão para outras geografias, o que nos faz pensar muito mais para o caminho da Ásia, provavelmente. Ou seja, queremos buscar a liderança do setor. É muito complicado, a gente sabe disso, porque as empresas no topo do mercado são extremamente potentes globalmente, mas creio que, pelo menos no Brasil, temos esse caminho sim. E queremos continuar sendo a empresa mais admirada da América Latina. Afinal, já conseguimos esse reconhecimento, por exemplo, no ano de 2022, em uma premiação global que nos colocou ali como a empresa mais admirada da América Latina. E eu, particularmente, também tive o reconhecimento em 2023 como o “CEO de Saúde Animal do Ano” no mundo, por essa mesma premiação. Foi, inclusive, a primeira vez que um latino-americano ganhou essa premiação.
LZ: E, agora, quem é o Kleber Gomes CEO?
KG: Eu diria que meu estilo de gestão é bastante intenso, participativo e comunicativo. Procuro participar de tudo, ainda que saiba que não dá para controlar tudo – pelo contrário, seria contraproducente se pensarmos em termos de agilidade. Então, busco empoderar as pessoas para que possam dar o seu máximo e exercer o seu protagonismo. Sou bastante acessível, procuro transmitir o contexto macro em várias oportunidades e em vários ambientes. Por exemplo, tenho uma reunião mensal, que faço com os mais de 1.000 colaboradores da Ourofino Saúde Animal, na qual falo tudo que está acontecendo e o que é importante, porque entendo que todo mundo precisa ter o contexto do negócio, desde o operador da fábrica à diretoria. A partir desse contexto, do nosso propósito (reimaginar a saúde animal) e dos nossos valores (jogar para ganhar, cuidar das pessoas e conectar com o mundo), eles conseguem, por si só, desempenhar melhor as suas funções e fazer com que a empresa atinja as suas metas, chegando aos patamares que desejamos e cada vez mais na liderança desse mercado.
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