Gabriel Morais, sócio da Usee Brasil, empresa de Serrana (SP), e a maturidade que nasce quando o caixa não fecha
Por Miguel El Debs*
Nem toda história empreendedora é marcada por grandes acontecimentos ou movimentos visíveis. Algumas, são feitas de momentos silenciosos de lucidez, aqueles em que tudo parece funcionar até que, na prática, percebe-se que não funciona.
A trajetória de Gabriel Morais, sócio da Usee Brasil ao lado de Cleiton Brizola e Raul Capitelli Bernardino, é um retrato direto disso. Um negócio fundado em Serrana (SP) que crescia, vendia bem, e ganhava escala, mas escondia uma fragilidade capaz de comprometer tudo. “Na pandemia, a gente percebeu que não dominava o fluxo de caixa como achava. A empresa crescia, mas o dinheiro simplesmente não fechava”, lembra Gabriel.
Esse tipo de choque muda qualquer empreendedor, não pela crise em si, mas pelo que ela revela.
Crescer não é o mesmo que evoluir
Raul Capitelli Bernardino, Gabriel Morais e Cleiton Brizola | Crédito: Divulgação
“A gente pode quebrar mesmo trabalhando muito”, afirma o empreendedor, que aprendeu a lição. Ali, na crise do caixa, perdeu a ilusão de controle (algo comum em empresas que escalam rápido demais) e ganhou algo muito mais valioso: a consciência que “crescimento sem gestão é só vaidade”.
Esse momento não transformou apenas o negócio, como também os sócios. Foi quando, de fato, pararam de ser operadores e começaram a se tornar gestores. Sem margem para erro e sem capital sobrando, não havia espaço para ideias mirabolantes. “Paramos de buscar ideias brilhantes e fomos resolver dores reais da operação”, conta
Essa decisão mudou o jogo. A partir dali, construíram tecnologia interna focada em automação de estoque, logística e integração com marketplaces, que logo deixou de servir apenas para sobrevivência e virou diferencial competitivo.
“A oportunidade não apareceu. A gente construiu na marra.”
– Gabriel Morais
Esse tipo de mentalidade separa quem espera o cenário melhorar de quem decide melhorá-lo.
Cultura que não negocia
Ao longo da jornada, três princípios passaram a guiar as decisões da empresa: “Erro não é escondido, é analisado; número manda mais que opinião; e decisão ruim é corrigida rápido, sem apego ao ego”.
Parece simples, mas, na prática, é uma disciplina difícil de sustentar, especialmente quando o ego dos sócios está em jogo. Contudo, a regra interna sempre foi clara: errar faz parte; insistir no erro, não.
Foi essa cultura que criou um ambiente de aprendizado constante, sem romantização e sem drama.
De vendedores para construtores
A maior reviravolta da Usee Brasil veio quando passaram a se enxergar como marketplaces. “A gente entendeu que não precisava só vender mais. Precisava construir sistema”, explica Gabriel.
Centro de Distribuição da Usee Brasil | Crédito: Divulgação
Essa mudança de perspectiva elevou o nível do negócio. Os sócios passaram a investir em tecnologia própria, mesmo sem garantia de retorno, já que a incerteza foi tratada com pragmatismo: testar, validar e só depois escalar. Sem saltos no escuro.
Antes dessa visão ser adotada, um dos mais importantes erros dessa trajetória foi justamente crescer rápido demais sem estrutura. O aumento acelerado de demanda durante a pandemia expôs falhas e forçou a criação de processos, indicadores e tecnologia. Sem esse tropeço, talvez a base sólida de hoje não existisse.
Inovação que paga a conta
Para Gabriel, inovação não é sobre tendência, mas sim sobre resultado. “Inovação só é boa se paga a conta. Se não melhora margem, eficiência ou controle, não é inovação, é distração. Sustentabilidade vem antes da tendência. Sempre”.
Outra ilusão desconstruída ao longo da jornada foi a ideia de que o empreendedor precisa saber tudo. “O que salva é aprender rápido, ouvir quem já apanhou e montar um time complementar”, ensina o empreendedor, que avalia o crescimento da Usee como uma construção coletiva, baseada em complementaridade, confronto saudável e construção conjunta.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
Sua história reforça algo que aparece com frequência nos negócios que amadurecem de verdade: não é o crescimento que sustenta a empresa. É a estrutura que sustenta o crescimento.
E, acima de tudo, é a maturidade de entender que faturamento não paga conta; caixa paga. Parece básico, mas é justamente o básico que separa negócios que escalam de negócios que desaparecem.
Se você conhece alguém cuja história empreendedora merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBShub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Crescer sem estrutura é só vaidade
Gabriel Morais, sócio da Usee Brasil, empresa de Serrana (SP), e a maturidade que nasce quando o caixa não fecha
Por Miguel El Debs*
Nem toda história empreendedora é marcada por grandes acontecimentos ou movimentos visíveis. Algumas, são feitas de momentos silenciosos de lucidez, aqueles em que tudo parece funcionar até que, na prática, percebe-se que não funciona.
A trajetória de Gabriel Morais, sócio da Usee Brasil ao lado de Cleiton Brizola e Raul Capitelli Bernardino, é um retrato direto disso. Um negócio fundado em Serrana (SP) que crescia, vendia bem, e ganhava escala, mas escondia uma fragilidade capaz de comprometer tudo. “Na pandemia, a gente percebeu que não dominava o fluxo de caixa como achava. A empresa crescia, mas o dinheiro simplesmente não fechava”, lembra Gabriel.
Esse tipo de choque muda qualquer empreendedor, não pela crise em si, mas pelo que ela revela.
Crescer não é o mesmo que evoluir
“A gente pode quebrar mesmo trabalhando muito”, afirma o empreendedor, que aprendeu a lição. Ali, na crise do caixa, perdeu a ilusão de controle (algo comum em empresas que escalam rápido demais) e ganhou algo muito mais valioso: a consciência que “crescimento sem gestão é só vaidade”.
Esse momento não transformou apenas o negócio, como também os sócios. Foi quando, de fato, pararam de ser operadores e começaram a se tornar gestores. Sem margem para erro e sem capital sobrando, não havia espaço para ideias mirabolantes. “Paramos de buscar ideias brilhantes e fomos resolver dores reais da operação”, conta
Essa decisão mudou o jogo. A partir dali, construíram tecnologia interna focada em automação de estoque, logística e integração com marketplaces, que logo deixou de servir apenas para sobrevivência e virou diferencial competitivo.
Esse tipo de mentalidade separa quem espera o cenário melhorar de quem decide melhorá-lo.
Cultura que não negocia
Ao longo da jornada, três princípios passaram a guiar as decisões da empresa: “Erro não é escondido, é analisado; número manda mais que opinião; e decisão ruim é corrigida rápido, sem apego ao ego”.
Parece simples, mas, na prática, é uma disciplina difícil de sustentar, especialmente quando o ego dos sócios está em jogo. Contudo, a regra interna sempre foi clara: errar faz parte; insistir no erro, não.
Foi essa cultura que criou um ambiente de aprendizado constante, sem romantização e sem drama.
De vendedores para construtores
A maior reviravolta da Usee Brasil veio quando passaram a se enxergar como marketplaces. “A gente entendeu que não precisava só vender mais. Precisava construir sistema”, explica Gabriel.
Essa mudança de perspectiva elevou o nível do negócio. Os sócios passaram a investir em tecnologia própria, mesmo sem garantia de retorno, já que a incerteza foi tratada com pragmatismo: testar, validar e só depois escalar. Sem saltos no escuro.
Antes dessa visão ser adotada, um dos mais importantes erros dessa trajetória foi justamente crescer rápido demais sem estrutura. O aumento acelerado de demanda durante a pandemia expôs falhas e forçou a criação de processos, indicadores e tecnologia. Sem esse tropeço, talvez a base sólida de hoje não existisse.
Inovação que paga a conta
Para Gabriel, inovação não é sobre tendência, mas sim sobre resultado. “Inovação só é boa se paga a conta. Se não melhora margem, eficiência ou controle, não é inovação, é distração. Sustentabilidade vem antes da tendência. Sempre”.
Outra ilusão desconstruída ao longo da jornada foi a ideia de que o empreendedor precisa saber tudo. “O que salva é aprender rápido, ouvir quem já apanhou e montar um time complementar”, ensina o empreendedor, que avalia o crescimento da Usee como uma construção coletiva, baseada em complementaridade, confronto saudável e construção conjunta.
Sua história reforça algo que aparece com frequência nos negócios que amadurecem de verdade: não é o crescimento que sustenta a empresa. É a estrutura que sustenta o crescimento.
E, acima de tudo, é a maturidade de entender que faturamento não paga conta; caixa paga. Parece básico, mas é justamente o básico que separa negócios que escalam de negócios que desaparecem.
Se você conhece alguém cuja história empreendedora merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBShub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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