Das pistas olímpicas do Chile às encostas patagônicas da Argentina, a temporada de neve promete ser uma das melhores dos últimos anos
Por Salma Tannure*
Enquanto o Hemisfério Norte aguarda o verão, a América do Sul se prepara para receber milhares de viajantes em busca de algo que parece improvável entre os trópicos: neve abundante, pistas empolgantes e a adrenalina do esqui entre paisagens de tirar o fôlego. A temporada 2026 começa a tomar forma com expectativas positivas para nevadas e algumas novidades concretas nas maiores estações do continente.
Chile e Argentina concentram as melhores infraestruturas para esportes de inverno da região, com destinos que vão de centros ultramodernos nos Andes Centrais a refúgios no extremo sul do continente. Para os brasileiros, a boa notícia é que a conectividade aérea aumenta a cada ano, aproximando cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte de Bariloche, Santiago e Ushuaia com voos diretos ou de escala curta.
A temporada de neve na América do Sul normalmente ocorre entre junho e setembro, durante o inverno do hemisfério sul. O pico das condições, com neve mais abundante e pistas em plena operação, concentra-se de meados de julho até meados de agosto, período que coincide com as férias escolares de vários países da região e, portanto, o mais concorrido nas reservas. Para quem tem flexibilidade, as primeiras semanas de agosto costumam combinar neve de qualidade com movimento ligeiramente menor.
Valle Nevado
O Valle Nevado é, sem dúvida, o endereço mais emblemático para os brasileiros que escolhem o Chile. Localizado a 60 km de Santiago, na Cordilheira dos Andes, é o maior centro de esqui do Hemisfério Sul, com 900 hectares esquiáveis, mais de 40 pistas e uma escola de esqui com 150 instrutores – a Jardim da Neve –, que recebe crianças a partir dos quatro anos. Uma das grandes novidades para 2026 é a parceria com a estação La Parva, em que titulares de ingresso de temporada no Valle Nevado poderão esquiar em La Parva sem custo adicional.
Juntas, as duas áreas somam 2.023 hectares, 30 teleféricos e 80 pistas. Em termos de hospedagem, os três hotéis dentro do resort – Puerta del Sol, Tres Puntas e Hotel Valle Nevado – oferecem saída direta para as pistas e, durante o inverno, as taxas de ocupação superam 90%, o que torna a reserva antecipada indispensável.
Portillo
A estação de Portillo, a 164 km de Santiago, é a mais antiga das Américas e segue sendo referência entre os esquiadores mais experientes. Seu diferencial é a localização às margens da Laguna del Inca, um lago de águas escuras e parcialmente congelado durante a temporada, que compõe um dos cenários mais fotográficos do continente.
O resort funciona de forma fechada em um único hotel, sem condomínios externos, o que garante uma atmosfera intimista e serviço muito personalizado. Os pacotes semanais incluem hospedagem, refeições e passe ilimitado de esqui. Para os que buscam adrenalina genuína, o Portillo oferece o Heli Skiin, modalidade de esqui ou snowboard fora de pista com acesso às encostas mais remotas de helicóptero.
Nevados de Chillán
Já se você quer ter a neve garantida e não depender dos caprichos do clima andino, Nevados de Chillán é uma revelação. Encravada em um vulcão ativo, a estação possui a pista mais longa do Hemisfério Sul, a Três Marias, com 13 km de descidas e vistas cinematográficas de vales, montanhas e bosques nevados. Além do esqui e do snowboard, a estação oferece passeios de trenó puxados por cães, motos de neve e, como bônus exclusivo desta localização, mergulho nas termas naturais do vulcão após um dia nas pistas.
El Colorado
El Colorado, a 40 km de Santiago, é a opção mais prática para quem está na capital e quer encaixar um dia de neve sem muito deslocamento. Com mais de 100 pistas, dois teleféricos duplos e três triplos, atende do iniciante ao esquiador avançado.
Cerro Catedral
Na Argentina, o Cerro Catedral, em Bariloche, é o grande protagonista da temporada 2026. Eleito o melhor centro de esqui da América do Sul nos prêmios “O Melhor de Viagem & Turismo” da Editora Abril, com quase 12.000 votos, o complexo não para de crescer. São 1.200 hectares esquiáveis, 27 meios de elevação e 58 pistas que atendem todos os níveis, posicionado como o maior e mais moderno da América do Sul.
Nesta temporada, o Cerro Catedral avança com novos canhões de neve artificial, máquinas pisanieve e melhorias nos meios de elevação – um conjunto de investimentos que garante qualidade mesmo em anos de nevadas abaixo da média. Outra novidade importante é a abertura inédita de pré-venda de passes de esqui com mais de cinco meses de antecedência, permitindo que agências e operadoras montem pacotes com preços fixos e mais previsibilidade para o viajante internacional.
A cidade de Bariloche, ao pé do cerro, é um destino completo por si só. Cervejarias artesanais, chocolaterias premiadas, restaurantes de cozinha patagônica e a bela Avenida San Martín tornam a estadia agradável mesmo nos dias em que o clima não convida às pistas.
Para hospedagem, o Llao Llao Hotel & Resort é o endereço mais icônico da região: uma construção de madeira nobre com vista para o Lago Nahuel Huapi que parece saída de um conto europeu.
A conectividade aérea também está melhor em 2026, com cinco a sete voos semanais diretos do Brasil para Bariloche confirmados, por meio da participação de Aerolíneas Argentinas, Azul, GOL, LATAM, JetSmart e Sky Airline.
Las Leñas
Las Leñas, na província de Mendoza, é o paraíso secreto do freeride sul-americano. Seus terrenos íngremes, o famoso lift Marte e a neve virgem que dura dias sem ser totalmente explorada atraem esquiadores experientes do mundo inteiro. A estação fica distante dos grandes centros urbanos, o que contribui para filas inexistentes nas pistas avançadas.
Cerro Chapelco
Cerro Chapelco, em San Martín de los Andes, é outra joia argentina com 28 pistas e o charme de uma cidade pequena e acolhedora ao pé da montanha — perfeita para quem busca qualidade sem o agito dos grandes resorts.
Ushuaia
No extremo sul do continente, Ushuaia reserva a experiência mais singular de toda a temporada. O Cerro Castor, construído sobre a encosta do Cerro Krund a 26 km da cidade, tem a temporada mais longa da América do Sul – de junho até outubro – e a neve powder que cai em abundância na Terra do Fogo é elogiada por esquiadores do mundo inteiro.
A Cidade do Fim do Mundo raramente decepciona: é improvável visitar Ushuaia no inverno e não encontrar neve suficiente para esquiar. O destino vai muito além das pistas: passeios de trenó puxados por cães, cruzeiros pelo Canal Beagle com avistamento de pinguins e leões-marinhos, e a patinação no gelo compõem um programa rico para toda a família. Os resorts Arakur Ushuaia & Spa e Los Cauquenes Resort + Spa são as melhores opções de hospedagem, com piscinas aquecidas e design elegante.
Com tantas opções, a América do Sul se consolida como um dos destinos de neve mais completos do mundo e cada vez mais acessível para os brasileiros.
A grande dica para 2026 é não deixar a reserva para a última hora. A expectativa climática favorável, os novos voos diretos e a crescente divulgação dos Andes como destino de inverno internacional devem tornar esta uma das temporadas com maior demanda dos últimos anos.
Reserve com antecedência, escolha a estação que combina com o seu perfil e prepare-se para descobrir que, a poucas horas do Brasil, existe um mundo de neve esperando por você.
* Salma Tannure é diretora comercial da Flytour Serviços de Viagens do Iguatemi Ribeirão Preto, especialista em curadoria e gestão de roteiros personalizados, com vivência e experiência em mais de 30 países.
O que esperar na temporada de neve da América do Sul em 2026
Das pistas olímpicas do Chile às encostas patagônicas da Argentina, a temporada de neve promete ser uma das melhores dos últimos anos
Por Salma Tannure*
Enquanto o Hemisfério Norte aguarda o verão, a América do Sul se prepara para receber milhares de viajantes em busca de algo que parece improvável entre os trópicos: neve abundante, pistas empolgantes e a adrenalina do esqui entre paisagens de tirar o fôlego. A temporada 2026 começa a tomar forma com expectativas positivas para nevadas e algumas novidades concretas nas maiores estações do continente.
Chile e Argentina concentram as melhores infraestruturas para esportes de inverno da região, com destinos que vão de centros ultramodernos nos Andes Centrais a refúgios no extremo sul do continente. Para os brasileiros, a boa notícia é que a conectividade aérea aumenta a cada ano, aproximando cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte de Bariloche, Santiago e Ushuaia com voos diretos ou de escala curta.
A temporada de neve na América do Sul normalmente ocorre entre junho e setembro, durante o inverno do hemisfério sul. O pico das condições, com neve mais abundante e pistas em plena operação, concentra-se de meados de julho até meados de agosto, período que coincide com as férias escolares de vários países da região e, portanto, o mais concorrido nas reservas. Para quem tem flexibilidade, as primeiras semanas de agosto costumam combinar neve de qualidade com movimento ligeiramente menor.
Valle Nevado
O Valle Nevado é, sem dúvida, o endereço mais emblemático para os brasileiros que escolhem o Chile. Localizado a 60 km de Santiago, na Cordilheira dos Andes, é o maior centro de esqui do Hemisfério Sul, com 900 hectares esquiáveis, mais de 40 pistas e uma escola de esqui com 150 instrutores – a Jardim da Neve –, que recebe crianças a partir dos quatro anos. Uma das grandes novidades para 2026 é a parceria com a estação La Parva, em que titulares de ingresso de temporada no Valle Nevado poderão esquiar em La Parva sem custo adicional.
Juntas, as duas áreas somam 2.023 hectares, 30 teleféricos e 80 pistas. Em termos de hospedagem, os três hotéis dentro do resort – Puerta del Sol, Tres Puntas e Hotel Valle Nevado – oferecem saída direta para as pistas e, durante o inverno, as taxas de ocupação superam 90%, o que torna a reserva antecipada indispensável.
Portillo
A estação de Portillo, a 164 km de Santiago, é a mais antiga das Américas e segue sendo referência entre os esquiadores mais experientes. Seu diferencial é a localização às margens da Laguna del Inca, um lago de águas escuras e parcialmente congelado durante a temporada, que compõe um dos cenários mais fotográficos do continente.
O resort funciona de forma fechada em um único hotel, sem condomínios externos, o que garante uma atmosfera intimista e serviço muito personalizado. Os pacotes semanais incluem hospedagem, refeições e passe ilimitado de esqui. Para os que buscam adrenalina genuína, o Portillo oferece o Heli Skiin, modalidade de esqui ou snowboard fora de pista com acesso às encostas mais remotas de helicóptero.
Nevados de Chillán
Já se você quer ter a neve garantida e não depender dos caprichos do clima andino, Nevados de Chillán é uma revelação. Encravada em um vulcão ativo, a estação possui a pista mais longa do Hemisfério Sul, a Três Marias, com 13 km de descidas e vistas cinematográficas de vales, montanhas e bosques nevados. Além do esqui e do snowboard, a estação oferece passeios de trenó puxados por cães, motos de neve e, como bônus exclusivo desta localização, mergulho nas termas naturais do vulcão após um dia nas pistas.
El Colorado
El Colorado, a 40 km de Santiago, é a opção mais prática para quem está na capital e quer encaixar um dia de neve sem muito deslocamento. Com mais de 100 pistas, dois teleféricos duplos e três triplos, atende do iniciante ao esquiador avançado.
Cerro Catedral
Na Argentina, o Cerro Catedral, em Bariloche, é o grande protagonista da temporada 2026. Eleito o melhor centro de esqui da América do Sul nos prêmios “O Melhor de Viagem & Turismo” da Editora Abril, com quase 12.000 votos, o complexo não para de crescer. São 1.200 hectares esquiáveis, 27 meios de elevação e 58 pistas que atendem todos os níveis, posicionado como o maior e mais moderno da América do Sul.
Nesta temporada, o Cerro Catedral avança com novos canhões de neve artificial, máquinas pisanieve e melhorias nos meios de elevação – um conjunto de investimentos que garante qualidade mesmo em anos de nevadas abaixo da média. Outra novidade importante é a abertura inédita de pré-venda de passes de esqui com mais de cinco meses de antecedência, permitindo que agências e operadoras montem pacotes com preços fixos e mais previsibilidade para o viajante internacional.
Para hospedagem, o Llao Llao Hotel & Resort é o endereço mais icônico da região: uma construção de madeira nobre com vista para o Lago Nahuel Huapi que parece saída de um conto europeu.
A conectividade aérea também está melhor em 2026, com cinco a sete voos semanais diretos do Brasil para Bariloche confirmados, por meio da participação de Aerolíneas Argentinas, Azul, GOL, LATAM, JetSmart e Sky Airline.
Las Leñas
Las Leñas, na província de Mendoza, é o paraíso secreto do freeride sul-americano. Seus terrenos íngremes, o famoso lift Marte e a neve virgem que dura dias sem ser totalmente explorada atraem esquiadores experientes do mundo inteiro. A estação fica distante dos grandes centros urbanos, o que contribui para filas inexistentes nas pistas avançadas.
Cerro Chapelco
Cerro Chapelco, em San Martín de los Andes, é outra joia argentina com 28 pistas e o charme de uma cidade pequena e acolhedora ao pé da montanha — perfeita para quem busca qualidade sem o agito dos grandes resorts.
Ushuaia
No extremo sul do continente, Ushuaia reserva a experiência mais singular de toda a temporada. O Cerro Castor, construído sobre a encosta do Cerro Krund a 26 km da cidade, tem a temporada mais longa da América do Sul – de junho até outubro – e a neve powder que cai em abundância na Terra do Fogo é elogiada por esquiadores do mundo inteiro.
A Cidade do Fim do Mundo raramente decepciona: é improvável visitar Ushuaia no inverno e não encontrar neve suficiente para esquiar. O destino vai muito além das pistas: passeios de trenó puxados por cães, cruzeiros pelo Canal Beagle com avistamento de pinguins e leões-marinhos, e a patinação no gelo compõem um programa rico para toda a família. Os resorts Arakur Ushuaia & Spa e Los Cauquenes Resort + Spa são as melhores opções de hospedagem, com piscinas aquecidas e design elegante.
Com tantas opções, a América do Sul se consolida como um dos destinos de neve mais completos do mundo e cada vez mais acessível para os brasileiros.
A grande dica para 2026 é não deixar a reserva para a última hora. A expectativa climática favorável, os novos voos diretos e a crescente divulgação dos Andes como destino de inverno internacional devem tornar esta uma das temporadas com maior demanda dos últimos anos.
Reserve com antecedência, escolha a estação que combina com o seu perfil e prepare-se para descobrir que, a poucas horas do Brasil, existe um mundo de neve esperando por você.
* Salma Tannure é diretora comercial da Flytour Serviços de Viagens do Iguatemi Ribeirão Preto, especialista em curadoria e gestão de roteiros personalizados, com vivência e experiência em mais de 30 países.
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