A cidade italiana segue sendo onde moda, arquitetura, arte, gastronomia e comportamento se encontram para antecipar não apenas tendências estéticas, mas novas formas de viver
Por Maura Robusti*
A cada edição da Milan Design Week, fica mais evidente que o design deixou de ocupar apenas o território da decoração e se tornou uma expressão cultural ampla, sofisticada e profundamente conectada ao estilo de vida contemporâneo.
E talvez o aspecto mais interessante dos últimos anos seja justamente a maneira como os grandes nomes de moda passaram a ocupar o universo da casa com a mesma força com que sempre dominaram as passarelas.
Hoje, não se trata apenas de criar móveis, luminárias ou objetos assinados. Marcas como Louis Vuitton, Hermès, Fendi, Giorgio Armani, Missoni e Issey Miyake compreenderam que o consumidor contemporâneo deseja habitar os mesmos valores que veste.
Coleção de mobiliário da Hermés
O lar passou a refletir repertório e sensibilidade cultural. Os tecidos ganharam mais identidade, as paletas migraram para os interiores e o mobiliário começou a dialogar com arte, memória e bem-estar. Vestir e habitar, agora, conversam entre si.
Não por acaso, as apresentações dessas marcas durante a semana de design deixaram de parecer simples exposições de produtos. Muitas se aproximam de instalações artísticas, experiências sensoriais e narrativas imersivas.
Poucos exemplos representam tão bem essa ampliação de linguagem quanto a iniciativa da Miu Miu, que realizou, em Milão, mais uma edição do Miu Miu Literary Club, clube literário idealizado por sua fundadora, Miuccia Prada. O projeto celebra a literatura escrita por mulheres e promove discussões sobre desejo, identidade, comportamento e relações contemporâneas.
Miu Miu Literary Club
Neste ano, o tema “Políticas do Desejo” partiu de obras da escritora francesa Annie Ernaux e da autora ganense Ama Ata Aidoo, mostrando como moda e pensamento crítico começaram a caminhar lado a lado.
Isso revela uma mudança importante: as grandes marcas entenderam que design e moda não tratam apenas sobre estética. Falam sobre cultura, comportamento, narrativa e experiência.
O design ganha o mundo
Milão segue sendo o epicentro desse movimento global. Uma cidade onde moda, arquitetura, arte, gastronomia e comportamento se encontram para antecipar não apenas tendências estéticas, mas novas formas de viver.
Contudo, o mais interessante é perceber como esse movimento se espalhou pelo mundo e ganhou sotaques próprios. Hoje, o calendário internacional do design conecta diferentes culturas e perspectivas por meio de eventos como o “3 Days of Design”, em Copenhagen (Dinamarca); a “Nomad”, nos Hamptons (EUA); a (Maison & Objet), em Paris (França); a “Collectible”, em Nova York (EUA); a “Helsinki Design Week”, na Finlândia; a “PAD London”, na Inglaterra; a “Vienna Design Week”, na Áustria; a “Design Mumbai”, na Índia; a “Design Miami”, nos EUA; e a “DesignTide Tokyo”, no Japão.
Coleção de mobiliário de Issey Miyake
Cada uma dessas feiras traduz uma identidade local, uma forma particular de enxergar o morar, os materiais, os afetos e a própria ideia de luxo. O design contemporâneo já não fala apenas sobre objetos bonitos dentro de casa. Ele revela sobre a maneira como escolhemos viver, sentir e nos conectar com o mundo ao nosso redor.
* Maura Robusti é diretora do Mundo Robusti, um dos maiores do segmento de móveis e decoração do interior do estado de São Paulo.
Milão em estado de design
A cidade italiana segue sendo onde moda, arquitetura, arte, gastronomia e comportamento se encontram para antecipar não apenas tendências estéticas, mas novas formas de viver
Por Maura Robusti*
A cada edição da Milan Design Week, fica mais evidente que o design deixou de ocupar apenas o território da decoração e se tornou uma expressão cultural ampla, sofisticada e profundamente conectada ao estilo de vida contemporâneo.
E talvez o aspecto mais interessante dos últimos anos seja justamente a maneira como os grandes nomes de moda passaram a ocupar o universo da casa com a mesma força com que sempre dominaram as passarelas.
Hoje, não se trata apenas de criar móveis, luminárias ou objetos assinados. Marcas como Louis Vuitton, Hermès, Fendi, Giorgio Armani, Missoni e Issey Miyake compreenderam que o consumidor contemporâneo deseja habitar os mesmos valores que veste.
O lar passou a refletir repertório e sensibilidade cultural. Os tecidos ganharam mais identidade, as paletas migraram para os interiores e o mobiliário começou a dialogar com arte, memória e bem-estar. Vestir e habitar, agora, conversam entre si.
Não por acaso, as apresentações dessas marcas durante a semana de design deixaram de parecer simples exposições de produtos. Muitas se aproximam de instalações artísticas, experiências sensoriais e narrativas imersivas.
Poucos exemplos representam tão bem essa ampliação de linguagem quanto a iniciativa da Miu Miu, que realizou, em Milão, mais uma edição do Miu Miu Literary Club, clube literário idealizado por sua fundadora, Miuccia Prada. O projeto celebra a literatura escrita por mulheres e promove discussões sobre desejo, identidade, comportamento e relações contemporâneas.
Neste ano, o tema “Políticas do Desejo” partiu de obras da escritora francesa Annie Ernaux e da autora ganense Ama Ata Aidoo, mostrando como moda e pensamento crítico começaram a caminhar lado a lado.
Isso revela uma mudança importante: as grandes marcas entenderam que design e moda não tratam apenas sobre estética. Falam sobre cultura, comportamento, narrativa e experiência.
O design ganha o mundo
Milão segue sendo o epicentro desse movimento global. Uma cidade onde moda, arquitetura, arte, gastronomia e comportamento se encontram para antecipar não apenas tendências estéticas, mas novas formas de viver.
Contudo, o mais interessante é perceber como esse movimento se espalhou pelo mundo e ganhou sotaques próprios. Hoje, o calendário internacional do design conecta diferentes culturas e perspectivas por meio de eventos como o “3 Days of Design”, em Copenhagen (Dinamarca); a “Nomad”, nos Hamptons (EUA); a (Maison & Objet), em Paris (França); a “Collectible”, em Nova York (EUA); a “Helsinki Design Week”, na Finlândia; a “PAD London”, na Inglaterra; a “Vienna Design Week”, na Áustria; a “Design Mumbai”, na Índia; a “Design Miami”, nos EUA; e a “DesignTide Tokyo”, no Japão.
Cada uma dessas feiras traduz uma identidade local, uma forma particular de enxergar o morar, os materiais, os afetos e a própria ideia de luxo. O design contemporâneo já não fala apenas sobre objetos bonitos dentro de casa. Ele revela sobre a maneira como escolhemos viver, sentir e nos conectar com o mundo ao nosso redor.
* Maura Robusti é diretora do Mundo Robusti, um dos maiores do segmento de móveis e decoração do interior do estado de São Paulo.
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