A cada fase da Copa do Mundo, uma pergunta invade grupos corporativos, reuniões e corredores das empresas: haverá expediente em dia de jogo da Seleção Brasileira?
Por Gabrielle Restini Vecchi Marques*
Enquanto escrevo esta coluna, ainda não sei o resultado dos próximos confrontos. Mas espero que este texto encontre você com o Brasil classificado e os torcedores animados para as fases decisivas. Afinal, sofrer na fase de grupos já faz parte da tradição; ficar pelo caminho, ninguém quer!
Brincadeiras à parte, existe uma dúvida muito séria por trás da empolgação dos jogos: os dias em que a Seleção entra em campo são considerados feriados? A resposta é não.
Os jogos da Seleção Brasileira não suspendem automaticamente a jornada de trabalho. Isso significa que, salvo previsão em convenção coletiva, acordo coletivo ou decisão da própria empresa, o expediente ocorre normalmente, mesmo durante partidas importantes.
Contudo, isso não quer dizer que empregadores e colaboradores precisem escolher entre produtividade e torcida. A legislação trabalhista oferece alternativas que permitem conciliar os interesses do negócio com um dos eventos esportivos mais aguardados do planeta.
Dependendo da atividade exercida e da dinâmica da empresa, é possível adotar home office, flexibilizar horários de entrada e saída, instituir banco de horas para futura compensação, ou até mesmo liberar integral ou parcialmente os profissionais durante os jogos. O mais importante é que as regras sejam definidas previamente e comunicadas com clareza.
A organização é fundamental para evitar desencontros e questionamentos futuros. Quando a empresa estabelece critérios objetivos e os aplica de forma uniforme, reduz riscos trabalhistas e fortalece a confiança entre liderança e colaboradores.
Também vale lembrar que muitos setores não podem interromper suas atividades. Hospitais, indústrias, operações logísticas e diversos serviços essenciais precisam manter seu funcionamento independentemente do calendário esportivo. Nesses casos, transparência e planejamento são ainda mais importantes.
Dessa forma, a discussão aqui não é sobre futebol. Trata-se de encontrar equilíbrio entre resultados, bem-estar e engajamento das equipes. E talvez essa seja a maior lição que os jogos deixam para o ambiente corporativo: quando existe estratégia, comunicação e espírito de equipe, todos jogam melhor.
No fim, algumas emoções devem ficar restritas aos noventa minutos de jogo, e não à gestão das relações de trabalho.
* Gabrielle Restini Vecchi Marques (OAB/SP 344.991) é advogada, sócia do Gatto Martinussi e Pelissari Advogados, com atuação em gestão estratégia de passivos trabalhistas, contencioso trabalhista e controladoria jurídica.
Classificados ou não, o trabalho continua
A cada fase da Copa do Mundo, uma pergunta invade grupos corporativos, reuniões e corredores das empresas: haverá expediente em dia de jogo da Seleção Brasileira?
Por Gabrielle Restini Vecchi Marques*
Enquanto escrevo esta coluna, ainda não sei o resultado dos próximos confrontos. Mas espero que este texto encontre você com o Brasil classificado e os torcedores animados para as fases decisivas. Afinal, sofrer na fase de grupos já faz parte da tradição; ficar pelo caminho, ninguém quer!
Brincadeiras à parte, existe uma dúvida muito séria por trás da empolgação dos jogos: os dias em que a Seleção entra em campo são considerados feriados? A resposta é não.
Os jogos da Seleção Brasileira não suspendem automaticamente a jornada de trabalho. Isso significa que, salvo previsão em convenção coletiva, acordo coletivo ou decisão da própria empresa, o expediente ocorre normalmente, mesmo durante partidas importantes.
Contudo, isso não quer dizer que empregadores e colaboradores precisem escolher entre produtividade e torcida. A legislação trabalhista oferece alternativas que permitem conciliar os interesses do negócio com um dos eventos esportivos mais aguardados do planeta.
Dependendo da atividade exercida e da dinâmica da empresa, é possível adotar home office, flexibilizar horários de entrada e saída, instituir banco de horas para futura compensação, ou até mesmo liberar integral ou parcialmente os profissionais durante os jogos. O mais importante é que as regras sejam definidas previamente e comunicadas com clareza.
A organização é fundamental para evitar desencontros e questionamentos futuros. Quando a empresa estabelece critérios objetivos e os aplica de forma uniforme, reduz riscos trabalhistas e fortalece a confiança entre liderança e colaboradores.
Também vale lembrar que muitos setores não podem interromper suas atividades. Hospitais, indústrias, operações logísticas e diversos serviços essenciais precisam manter seu funcionamento independentemente do calendário esportivo. Nesses casos, transparência e planejamento são ainda mais importantes.
Dessa forma, a discussão aqui não é sobre futebol. Trata-se de encontrar equilíbrio entre resultados, bem-estar e engajamento das equipes. E talvez essa seja a maior lição que os jogos deixam para o ambiente corporativo: quando existe estratégia, comunicação e espírito de equipe, todos jogam melhor.
No fim, algumas emoções devem ficar restritas aos noventa minutos de jogo, e não à gestão das relações de trabalho.
* Gabrielle Restini Vecchi Marques (OAB/SP 344.991) é advogada, sócia do Gatto Martinussi e Pelissari Advogados, com atuação em gestão estratégia de passivos trabalhistas, contencioso trabalhista e controladoria jurídica.
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