Segundo a Organização Mundial da Saúde, o espaço no qual as pessoas estão inseridas influencia diretamente a saúde e o bem-estar delas
Em uma Era de grandes estímulos visuais e sonoros, o ambiente pode ser um “potencializador” de tais fatores. Seja no trabalho, em casa ou em espaços públicos, o cuidado com o ambiente que nos rodeia vai muito além do desenho de plantas ou da criação de lugares esteticamente agradáveis.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ambiente construído é responsável por 19% dos fatores que afetam a saúde e o bem-estar das pessoas. Portanto, ambientes mal projetados podem, inclusive, causar doenças – fenômeno conhecido como “Síndrome do Edifício Enfermo”. Cada decisão tomada (da circulação do ar ao posicionamento de uma janela, da escolha de cores à funcionalidade de um espaço) influencia diretamente na rotina, na saúde e no comportamento das pessoas.
A importância do projeto
Muito do que experimentamos diariamente resulta de decisões de projetos atuais que começam no papel, mas se materializam em hábitos e sensações. De acordo com Polyana Franco, professora do curso de arquitetura e urbanismo da Estácio, a iluminação natural regula o ritmo biológico; a ventilação afeta o conforto térmico; a paleta de cores interfere na percepção de amplitude; e a posição dos móveis define o conforto de um ambiente.
“Um bom projeto não nasce apenas de técnica, mas da capacidade de compreender quem vai viver, trabalhar ou circular naquele lugar.”
– Polyana Franco
Para ela, o impacto da profissão é inevitável: “Quando pensamos no cotidiano, percebemos que tudo ao nosso redor foi projetado por alguém. Pequenos ajustes, como ampliar a entrada de luz natural ou reorganizar fluxos de circulação, transformam completamente a experiência de uso de alguns espaços e já podem contribuir para mudanças significativas nos nossos edifícios e também nas cidades”, indica.
Office boutique WTC | Crédito: Reprodução WTC
Ainda segundo a professora, a arquitetura tem um olhar mais sensível e amplo às necessidades humanas e em como isso afeta a convivência, a privacidade e o bem-estar. “Ambientes corporativos, por exemplo, podem estimular a criatividade quando oferecem áreas de respiro, circulação e iluminação adequada, enquanto espaços residenciais planejados com atenção às dinâmicas familiares favorecem descanso, acolhimento e sensação de pertencimento. Quando o ambiente responde às nossas necessidades, tudo flui melhor”, complementa.
O reflexo no comportamento
Ambientes bem planejados também podem reduzir estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos sociais, como destaca a professora de Psicologia Francinne Stronbel. “O cérebro reage constantemente ao ambiente. Espaços desorganizados ou mal iluminados podem elevar a sensação de desconforto para algumas pessoas, enquanto locais planejados com cores adequadas, boa ventilação e áreas de convívio podem auxiliar e estimular o bem-estar”, afirma.
Para pessoas neurodivergentes, por exemplo, o impacto do ambiente pode ser ainda mais intenso. “Estímulos visuais excessivos, padrões muito contrastantes, sons inesperados, cheiros fortes ou circulação desorganizada podem gerar sobrecarga sensorial. Por isso, projetos que consideram esse público priorizam elementos como iluminação regulável, áreas silenciosas, rotas intuitivas, texturas suaves, redução de estímulos conflitantes e espaços de pausa”, garante.
A influência emocional dos ambientes, ainda segundo Francinne, está ligada à forma como o cérebro interpreta estímulos sensoriais. “Texturas, cores, ruídos, cheiros e volumes arquitetônicos criam mensagens que o corpo identifica rapidamente, mesmo que inconscientemente. Assim, um espaço excessivamente fechado pode gerar sensação de aprisionamento, enquanto áreas visualmente organizadas tendem a induzir calma e foco”, comenta.
A psicóloga adverte que em escritórios, escolas e hospitais, essas escolhas são ainda mais decisivas, já que podem impactar no rendimento, na convivência e até nos processos de recuperação terapêutica. Para ela, um ambiente que respeita o ritmo das pessoas, que permite pausas, convivência e privacidade, cria condições para relações mais saudáveis e uma rotina menos exaustiva.
“A arquitetura tem esse poder de organizar a vida sem que a gente perceba, de tornar o cotidiano mais simples e funcional.”
Maneira como ambientes são projetados podem influenciar no comportamento
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o espaço no qual as pessoas estão inseridas influencia diretamente a saúde e o bem-estar delas
Em uma Era de grandes estímulos visuais e sonoros, o ambiente pode ser um “potencializador” de tais fatores. Seja no trabalho, em casa ou em espaços públicos, o cuidado com o ambiente que nos rodeia vai muito além do desenho de plantas ou da criação de lugares esteticamente agradáveis.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ambiente construído é responsável por 19% dos fatores que afetam a saúde e o bem-estar das pessoas. Portanto, ambientes mal projetados podem, inclusive, causar doenças – fenômeno conhecido como “Síndrome do Edifício Enfermo”. Cada decisão tomada (da circulação do ar ao posicionamento de uma janela, da escolha de cores à funcionalidade de um espaço) influencia diretamente na rotina, na saúde e no comportamento das pessoas.
A importância do projeto
Muito do que experimentamos diariamente resulta de decisões de projetos atuais que começam no papel, mas se materializam em hábitos e sensações. De acordo com Polyana Franco, professora do curso de arquitetura e urbanismo da Estácio, a iluminação natural regula o ritmo biológico; a ventilação afeta o conforto térmico; a paleta de cores interfere na percepção de amplitude; e a posição dos móveis define o conforto de um ambiente.
Para ela, o impacto da profissão é inevitável: “Quando pensamos no cotidiano, percebemos que tudo ao nosso redor foi projetado por alguém. Pequenos ajustes, como ampliar a entrada de luz natural ou reorganizar fluxos de circulação, transformam completamente a experiência de uso de alguns espaços e já podem contribuir para mudanças significativas nos nossos edifícios e também nas cidades”, indica.
Ainda segundo a professora, a arquitetura tem um olhar mais sensível e amplo às necessidades humanas e em como isso afeta a convivência, a privacidade e o bem-estar. “Ambientes corporativos, por exemplo, podem estimular a criatividade quando oferecem áreas de respiro, circulação e iluminação adequada, enquanto espaços residenciais planejados com atenção às dinâmicas familiares favorecem descanso, acolhimento e sensação de pertencimento. Quando o ambiente responde às nossas necessidades, tudo flui melhor”, complementa.
O reflexo no comportamento
Ambientes bem planejados também podem reduzir estresse, melhorar o humor e fortalecer vínculos sociais, como destaca a professora de Psicologia Francinne Stronbel. “O cérebro reage constantemente ao ambiente. Espaços desorganizados ou mal iluminados podem elevar a sensação de desconforto para algumas pessoas, enquanto locais planejados com cores adequadas, boa ventilação e áreas de convívio podem auxiliar e estimular o bem-estar”, afirma.
Para pessoas neurodivergentes, por exemplo, o impacto do ambiente pode ser ainda mais intenso. “Estímulos visuais excessivos, padrões muito contrastantes, sons inesperados, cheiros fortes ou circulação desorganizada podem gerar sobrecarga sensorial. Por isso, projetos que consideram esse público priorizam elementos como iluminação regulável, áreas silenciosas, rotas intuitivas, texturas suaves, redução de estímulos conflitantes e espaços de pausa”, garante.
A influência emocional dos ambientes, ainda segundo Francinne, está ligada à forma como o cérebro interpreta estímulos sensoriais. “Texturas, cores, ruídos, cheiros e volumes arquitetônicos criam mensagens que o corpo identifica rapidamente, mesmo que inconscientemente. Assim, um espaço excessivamente fechado pode gerar sensação de aprisionamento, enquanto áreas visualmente organizadas tendem a induzir calma e foco”, comenta.
A psicóloga adverte que em escritórios, escolas e hospitais, essas escolhas são ainda mais decisivas, já que podem impactar no rendimento, na convivência e até nos processos de recuperação terapêutica. Para ela, um ambiente que respeita o ritmo das pessoas, que permite pausas, convivência e privacidade, cria condições para relações mais saudáveis e uma rotina menos exaustiva.
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