Há histórias empreendedoras que começam com um plano de negócios, outras começam com uma decisão de vida. A de Carolina Mendonça começou assim
Por Miguel El Debs*
Após mais de uma década em multinacionais em São Paulo, Carolina Mendonça se mudou para Ribeirão Preto. Um ano depois, durante a gestação da 1ª filha, decidiu empreender. Criou uma marca autoral e, desde então, vem construindo uma trajetória que mistura maternidade, trabalho, escolhas e muitas mudanças de rota.
Hoje, há pouco mais de dois anos, Carolina atua como art advisor, assessorando clientes na descoberta, curadoria e aquisição de obras de arte.
Mas o que mais me chamou atenção na conversa que tive com ela não foram as mudanças em sua trajetória, foi a maneira como ela passou a enxergar a própria jornada.
Porque, por muito tempo, ouvimos que, para crescer profissionalmente, é preciso separar completamente a vida pessoal da profissional. Mas e se a vida pessoal também for uma escola para o empreendedorismo?
Doutorado em gestão
Carolina define a experiência de conciliar maternidade e empreendedorismo de uma maneira que resume boa parte da sua história: “Empreender e ser mãe é, para mim, um verdadeiro doutorado em gestão.” E não é difícil entender o porquê.
Com filhos pequenos e um negócio em construção, ela precisou aprender a administrar tempo, recursos e energia de outra maneira. A maternidade desenvolveu sua escuta, sua paciência e sua capacidade de adaptação – competências que também fazem diferença quando o assunto é empreender.
Ela conta que aprendeu a olhar para os erros de uma forma diferente. “Errar não me desqualifica como profissional, assim como um tropeço na criação dos filhos não me torna uma mãe ruim”.
Considero essa uma reflexão importante, já que, nas mentorias, vejo muitos empreendedores gastando energia demais tentando evitar qualquer erro. Só que é isso: o problema não é errar; o problema é não aprender.
A art advisor encontrou no exercício de ouvir mais, a si mesma e às pessoas ao redor, uma maneira de transformar os tropeços em aprendizado.
A experiência pede uma nova rota
Depois de nove anos empreendendo, veio outra grande virada. Um nome de referência no mercado de arte reconheceu seu olhar legítimo e sensível para aquele universo e a incentivou a aprofundar sua atuação na área. Carolina aceitou o desafio e mudou novamente de rota.
Não foi uma decisão simples, visto que a nova atividade exigia viagens mais frequentes e uma reorganização da rotina familiar. Mas ela já não era a mesma profissional que havia começado anos antes. A maternidade havia lhe dado novas ferramentas para lidar com a incerteza e talvez, por isso mesmo, uma das frases mais interessantes da nossa conversa foi: “É impossível fazer tudo e tudo bem!”.
Uma verdade que parece tão óbvia, mas, na prática, não é, contrasta com a crença de tantos empreendedores que costumam acreditar que precisam estar em todos os lugares, acompanhar tudo e dar conta de tudo.
Carolina percebeu que presença significa estar inteira nas escolhas que fazemos e não, necessariamente, estar em todos os lugares. Para ela, inovar também pode significar simplificar, adaptar processos à realidade da rotina, da família e do momento vivido.
Essa é uma visão de sustentabilidade que vai além dos números. Um negócio precisa ser sustentável, mas a jornada de quem o conduz também.
O que realmente precisa caber na agenda
Outro aprendizado dela (e meu com ela) veio das pessoas com as quais escolheu dividir sua caminhada. “Alinhar valores é tão importante quanto alinhar competências”, garante. Só competência não basta.
Inclusive, já vi isso acontecer muitas vezes. Bons profissionais podem formar uma equipe ruim quando não existe alinhamento sobre princípios, expectativas e confiança. Saber dizer “não” também é uma decisão empreendedora.
Atualmente, Carolina não tenta separar completamente a família do trabalho. Quando pode, leva os filhos para exposições, museus, visitas a ateliês e encontros com artistas. Ela quer compartilhar com eles a paixão que encontrou na arte e mostrar, pelo próprio exemplo, que é possível trabalhar com prazer pelo que se faz.
Carolina deu seu 1º passo no mundo literário
Talvez essa seja a parte mais bonita da história. Durante muito tempo, venderam para nós a ideia de que sucesso depende de escolhas excludentes: carreira ou família; trabalho ou qualidade de vida, ambição ou presença. Carolina está construindo sua trajetória de outro jeito.
Não se trata de fazer tudo e, sim, de entender o que realmente importa em cada fase e reorganizar a rota quando a vida muda.
Sua jornada empreendedora agora incluí o lançamento do seu 1º livro infantil “Pé de quê?”, que surgiu justamente através do seu olhar para o universo das artes e da convivência com os filhos aos finais de semana na fazenda. Com esse novo projeto literário, Carolina busca aproximar crianças e famílias da terra, do agronegócio e da origem dos alimentos.
Para finalizar nosso bate-papo, ela deixou um conselho para a mulher que era no início dessa jornada: “Você não precisa escolher entre ser mãe ou ser profissional. Você pode ser os dois, com verdade, presença e profissionalismo.”
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
Nem sempre a vida que acontece ao nosso redor atrapalha a carreira que estamos construindo. Às vezes, é justamente ela que nos prepara para a próxima etapa.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs, sócio do Grupo ZK, conselheiro estratégico de empresas de pequeno e médio porte, Head do DBS|Hub, colunista da Zumm e KissFM sobre empreendedorismo.
Você não precisa escolher
Há histórias empreendedoras que começam com um plano de negócios, outras começam com uma decisão de vida. A de Carolina Mendonça começou assim
Por Miguel El Debs*
Após mais de uma década em multinacionais em São Paulo, Carolina Mendonça se mudou para Ribeirão Preto. Um ano depois, durante a gestação da 1ª filha, decidiu empreender. Criou uma marca autoral e, desde então, vem construindo uma trajetória que mistura maternidade, trabalho, escolhas e muitas mudanças de rota.
Hoje, há pouco mais de dois anos, Carolina atua como art advisor, assessorando clientes na descoberta, curadoria e aquisição de obras de arte.
Mas o que mais me chamou atenção na conversa que tive com ela não foram as mudanças em sua trajetória, foi a maneira como ela passou a enxergar a própria jornada.
Porque, por muito tempo, ouvimos que, para crescer profissionalmente, é preciso separar completamente a vida pessoal da profissional. Mas e se a vida pessoal também for uma escola para o empreendedorismo?
Doutorado em gestão
Carolina define a experiência de conciliar maternidade e empreendedorismo de uma maneira que resume boa parte da sua história: “Empreender e ser mãe é, para mim, um verdadeiro doutorado em gestão.” E não é difícil entender o porquê.
Com filhos pequenos e um negócio em construção, ela precisou aprender a administrar tempo, recursos e energia de outra maneira. A maternidade desenvolveu sua escuta, sua paciência e sua capacidade de adaptação – competências que também fazem diferença quando o assunto é empreender.
Ela conta que aprendeu a olhar para os erros de uma forma diferente. “Errar não me desqualifica como profissional, assim como um tropeço na criação dos filhos não me torna uma mãe ruim”.
Considero essa uma reflexão importante, já que, nas mentorias, vejo muitos empreendedores gastando energia demais tentando evitar qualquer erro. Só que é isso: o problema não é errar; o problema é não aprender.
A art advisor encontrou no exercício de ouvir mais, a si mesma e às pessoas ao redor, uma maneira de transformar os tropeços em aprendizado.
A experiência pede uma nova rota
Depois de nove anos empreendendo, veio outra grande virada. Um nome de referência no mercado de arte reconheceu seu olhar legítimo e sensível para aquele universo e a incentivou a aprofundar sua atuação na área. Carolina aceitou o desafio e mudou novamente de rota.
Não foi uma decisão simples, visto que a nova atividade exigia viagens mais frequentes e uma reorganização da rotina familiar. Mas ela já não era a mesma profissional que havia começado anos antes. A maternidade havia lhe dado novas ferramentas para lidar com a incerteza e talvez, por isso mesmo, uma das frases mais interessantes da nossa conversa foi: “É impossível fazer tudo e tudo bem!”.
Uma verdade que parece tão óbvia, mas, na prática, não é, contrasta com a crença de tantos empreendedores que costumam acreditar que precisam estar em todos os lugares, acompanhar tudo e dar conta de tudo.
Carolina percebeu que presença significa estar inteira nas escolhas que fazemos e não, necessariamente, estar em todos os lugares. Para ela, inovar também pode significar simplificar, adaptar processos à realidade da rotina, da família e do momento vivido.
O que realmente precisa caber na agenda
Outro aprendizado dela (e meu com ela) veio das pessoas com as quais escolheu dividir sua caminhada. “Alinhar valores é tão importante quanto alinhar competências”, garante. Só competência não basta.
Inclusive, já vi isso acontecer muitas vezes. Bons profissionais podem formar uma equipe ruim quando não existe alinhamento sobre princípios, expectativas e confiança. Saber dizer “não” também é uma decisão empreendedora.
Atualmente, Carolina não tenta separar completamente a família do trabalho. Quando pode, leva os filhos para exposições, museus, visitas a ateliês e encontros com artistas. Ela quer compartilhar com eles a paixão que encontrou na arte e mostrar, pelo próprio exemplo, que é possível trabalhar com prazer pelo que se faz.
Talvez essa seja a parte mais bonita da história. Durante muito tempo, venderam para nós a ideia de que sucesso depende de escolhas excludentes: carreira ou família; trabalho ou qualidade de vida, ambição ou presença. Carolina está construindo sua trajetória de outro jeito.
Sua jornada empreendedora agora incluí o lançamento do seu 1º livro infantil “Pé de quê?”, que surgiu justamente através do seu olhar para o universo das artes e da convivência com os filhos aos finais de semana na fazenda. Com esse novo projeto literário, Carolina busca aproximar crianças e famílias da terra, do agronegócio e da origem dos alimentos.
Para finalizar nosso bate-papo, ela deixou um conselho para a mulher que era no início dessa jornada: “Você não precisa escolher entre ser mãe ou ser profissional. Você pode ser os dois, com verdade, presença e profissionalismo.”
Nem sempre a vida que acontece ao nosso redor atrapalha a carreira que estamos construindo. Às vezes, é justamente ela que nos prepara para a próxima etapa.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs, sócio do Grupo ZK, conselheiro estratégico de empresas de pequeno e médio porte, Head do DBS|Hub, colunista da Zumm e KissFM sobre empreendedorismo.
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