O Outubro Rosa nos lembra que o diagnóstico precoce é uma etapa importantíssima. Mas o que acontece antes da descoberta e depois do tratamento?
Todo ano, a campanha do Outubro Rosa foca, principalmente, na importância do diagnóstico precoce e isso faz com que acabe faltando espaço para os dois extremos dessa história: o que a mulher pode fazer antes de adoecer e o que acontece com sua imagem corporal e sua autoestima depois de vencer o tratamento.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o tumor mais frequente entre as mulheres, responsável por cerca de 30% dos diagnósticos, e representa aproximadamente 5 mil casos a mais por ano em relação ao triênio anterior (2023–2025).
Dr. Reinaldo Maximo, ginecologista, lembra que encarar a situação começa pelo autoconhecimento que permite a prevenção. “Ninguém melhor do que você mesma, mulher, para identificar e perceber as mudanças do seu próprio corpo. O ideal é manter consultas ginecológicas regulares, geralmente anuais, para avaliar sua saúde, atualizar os exames indicados e identificar possíveis alterações. A periodicidade dos exames preventivos deve ser definida de acordo com a idade, o histórico e as necessidades de cada paciente”, indica o médico.
Mais de 70 mil casos de câncer de mama são diagnosticados em ano
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o rastreamento anual para mulheres de 40 a 74 anos. Durante a consulta, também é importante investigar o histórico familiar de câncer, já que, segundo o INCA, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários. Quando há histórico familiar, a necessidade de investigação genética e a idade para iniciar o rastreamento podem variar conforme o grau de parentesco, a idade em que o familiar recebeu o diagnóstico e outros fatores individuais.
Existem também fatores de risco que podem ser modificados, e isso faz diferença. O excesso de peso, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo merecem atenção, especialmente após a menopausa. Por isso, é importante praticar atividade física regularmente, como caminhada, além de incluir exercícios de força, como a musculação. Manter uma alimentação equilibrada, priorizar frutas, verduras e legumes, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, evitar bebidas alcoólicas e não fumar são medidas que contribuem para a saúde. A amamentação também é considerada um fator protetor contra o câncer de mama.
“A mulher precisa conhecer as próprias mamas e procurar atendimento médico diante de qualquer alteração, como nódulos, secreção pelo mamilo ou mudanças na pele, sem esperar a próxima consulta de rotina. Cuidar de si não é luxo. É uma forma de valorizar a própria saúde e de aumentar as chances de identificar a doença precocemente”, orienta o ginecologista.
Reconstrução e autoestima
Carmelinda Rodrigues Messias, 68 anos, trabalhava na área da saúde e tinha o hábito de adiar a própria consulta. “Senti um carocinho e fiquei com medo de ir ao médico. Ele foi aumentando e eu não falava para ninguém. Fui negligente no início, poderia ter logo no começo já procurado o médico”, conta. Foi uma colega do centro cirúrgico onde trabalhava que marcou a consulta. Com o tumor já grande, o tratamento começou com seis ciclos de quimioterapia, antes da cirurgia e da radioterapia.
Após o tratamento, Carmelinda passou pela cirurgia de retirada parcial da mama, mas, logo em seguida, escolheu fazer cirurgias plásticas reparadoras. “Antes eu não tinha autoestima, nem olhava no espelho. Hoje eu escolho a roupa que eu quero”, revela.
O Dr. Pedro Morales, que operou Carmelinda, é cirurgião plástico e tem entre seus propósitos a restauração corporal e também da autoestima feminina por meio da reconstrução da mama. “O câncer, por si só, já é algo que afeta não só a condição física, mas também o mental. Ninguém está preparado para enfrentar o processo. Muitas mulheres, após a retirada da mama, ficam com marcas profundas, no corpo e na mente. A cirurgia restauradora é para recuperar esse poder feminino e ser mais um elemento vitorioso após vencer o câncer”, explica.
O cirurgião plástico aponta ainda que o acesso a esse cuidado tem avançado e existe uma procura cada vez mais frequente de mulheres por esse tipo de procedimento. Na rede pública, em 2025, o SUS realizou 19,4 mil cirurgias de reconstrução mamária, mais que as 18,3 mil mastectomias realizadas no mesmo ano, pela 1ª vez na série. Em 2022, foram 12,3 mil. O Ministério da Saúde também ampliou o direito à cirurgia reparadora, antes restrito às sequelas do tratamento do câncer, para todas as situações de mutilação mamária, total ou parcial.
Estudos brasileiros e internacionais associam a reconstrução a uma melhor imagem corporal e a menos sintomas depressivos em comparação com a mastectomia isolada. Os resultados variam conforme a metodologia, e a escolha deve ser feita com a equipe médica, respeitando o desejo de cada mulher.
Médicos alertam para etapas difíceis e pouco discutidas do câncer de mama
O Outubro Rosa nos lembra que o diagnóstico precoce é uma etapa importantíssima. Mas o que acontece antes da descoberta e depois do tratamento?
Todo ano, a campanha do Outubro Rosa foca, principalmente, na importância do diagnóstico precoce e isso faz com que acabe faltando espaço para os dois extremos dessa história: o que a mulher pode fazer antes de adoecer e o que acontece com sua imagem corporal e sua autoestima depois de vencer o tratamento.
O INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o tumor mais frequente entre as mulheres, responsável por cerca de 30% dos diagnósticos, e representa aproximadamente 5 mil casos a mais por ano em relação ao triênio anterior (2023–2025).
Dr. Reinaldo Maximo, ginecologista, lembra que encarar a situação começa pelo autoconhecimento que permite a prevenção. “Ninguém melhor do que você mesma, mulher, para identificar e perceber as mudanças do seu próprio corpo. O ideal é manter consultas ginecológicas regulares, geralmente anuais, para avaliar sua saúde, atualizar os exames indicados e identificar possíveis alterações. A periodicidade dos exames preventivos deve ser definida de acordo com a idade, o histórico e as necessidades de cada paciente”, indica o médico.
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o rastreamento anual para mulheres de 40 a 74 anos. Durante a consulta, também é importante investigar o histórico familiar de câncer, já que, segundo o INCA, cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários. Quando há histórico familiar, a necessidade de investigação genética e a idade para iniciar o rastreamento podem variar conforme o grau de parentesco, a idade em que o familiar recebeu o diagnóstico e outros fatores individuais.
Existem também fatores de risco que podem ser modificados, e isso faz diferença. O excesso de peso, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo merecem atenção, especialmente após a menopausa. Por isso, é importante praticar atividade física regularmente, como caminhada, além de incluir exercícios de força, como a musculação. Manter uma alimentação equilibrada, priorizar frutas, verduras e legumes, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, evitar bebidas alcoólicas e não fumar são medidas que contribuem para a saúde. A amamentação também é considerada um fator protetor contra o câncer de mama.
“A mulher precisa conhecer as próprias mamas e procurar atendimento médico diante de qualquer alteração, como nódulos, secreção pelo mamilo ou mudanças na pele, sem esperar a próxima consulta de rotina. Cuidar de si não é luxo. É uma forma de valorizar a própria saúde e de aumentar as chances de identificar a doença precocemente”, orienta o ginecologista.
Reconstrução e autoestima
Carmelinda Rodrigues Messias, 68 anos, trabalhava na área da saúde e tinha o hábito de adiar a própria consulta. “Senti um carocinho e fiquei com medo de ir ao médico. Ele foi aumentando e eu não falava para ninguém. Fui negligente no início, poderia ter logo no começo já procurado o médico”, conta. Foi uma colega do centro cirúrgico onde trabalhava que marcou a consulta. Com o tumor já grande, o tratamento começou com seis ciclos de quimioterapia, antes da cirurgia e da radioterapia.
Após o tratamento, Carmelinda passou pela cirurgia de retirada parcial da mama, mas, logo em seguida, escolheu fazer cirurgias plásticas reparadoras. “Antes eu não tinha autoestima, nem olhava no espelho. Hoje eu escolho a roupa que eu quero”, revela.
O Dr. Pedro Morales, que operou Carmelinda, é cirurgião plástico e tem entre seus propósitos a restauração corporal e também da autoestima feminina por meio da reconstrução da mama. “O câncer, por si só, já é algo que afeta não só a condição física, mas também o mental. Ninguém está preparado para enfrentar o processo. Muitas mulheres, após a retirada da mama, ficam com marcas profundas, no corpo e na mente. A cirurgia restauradora é para recuperar esse poder feminino e ser mais um elemento vitorioso após vencer o câncer”, explica.
O cirurgião plástico aponta ainda que o acesso a esse cuidado tem avançado e existe uma procura cada vez mais frequente de mulheres por esse tipo de procedimento. Na rede pública, em 2025, o SUS realizou 19,4 mil cirurgias de reconstrução mamária, mais que as 18,3 mil mastectomias realizadas no mesmo ano, pela 1ª vez na série. Em 2022, foram 12,3 mil. O Ministério da Saúde também ampliou o direito à cirurgia reparadora, antes restrito às sequelas do tratamento do câncer, para todas as situações de mutilação mamária, total ou parcial.
Estudos brasileiros e internacionais associam a reconstrução a uma melhor imagem corporal e a menos sintomas depressivos em comparação com a mastectomia isolada. Os resultados variam conforme a metodologia, e a escolha deve ser feita com a equipe médica, respeitando o desejo de cada mulher.
Leia também
Congelamento de óvulos: existe idade certa para fazer o procedimento?
Mulheres que congelam 20 óvulos antes dos 35 anos têm 70% de …
Estudo da UFSCar aponta que deficiência de vitamina D aumenta o risco de fraqueza muscular
Pesquisa usou amostras de mais de 3 mil pessoas que foram acompanhadas …
Médico explica como identificar lipedema e quais as formas de tratamento
De acordo com o especialista Paulo Sérgio Egydio, o Lipedema requer diagnóstico …
Ondas de calor, insônia, irritabilidade: como saber se a menopausa chegou?
Ginecologista orienta sobre os principais sintomas e a necessidade de empatia, inclusive, …