Eduardo Brondi, do Dabi Business Park, mostra que inovação exige mais que boas ideias: é preciso conectar pessoas, organizar recursos e criar condições para que os negócios avancem
Por Miguel El Debs*
Existe uma diferença importante entre ter uma boa ideia e conseguir transformá-la em um negócio sustentável. Ao longo da minha trajetória, percebi que muitos projetos não esbarram necessariamente na falta de criatividade. O desafio, diversas vezes, está em reunir as condições para que aquela ideia saia do papel, encontre mercado e consiga crescer.
A história de Eduardo Brondi, gestor do Dabi Business Park, em Ribeirão Preto, traz uma reflexão interessante sobre isso. Especialmente porque o próprio Dabi precisou rever seu caminho para encontrar um papel mais relevante no ambiente de negócios.
O projeto original era de ser um centro empresarial tradicional, ou seja, um espaço para receber empresas, como tantos outros. Mas as mudanças nas relações de trabalho, aceleradas pela pandemia, mostraram que havia uma oportunidade maior.
Eduardo Brondi | Crédito: Divulgação
“Um dos maiores desafios foi justamente transformar o projeto inicial, pensado para um centro empresarial, em um espaço que valoriza e promove conexões e novos negócios, com uma comunidade própria e um hub voltado à inovação aberta”, conta Eduardo.
Gosto dessa passagem porque ela revela uma característica importante de quem empreende: a disposição para questionar o próprio modelo de negócio, mesmo quando ele já está em movimento.
Nem sempre insistir no planejamento original é sinal de persistência. Às vezes, a maturidade está justamente em reconhecer que o cenário mudou e que precisamos mudar com ele.
Quando conectar não é suficiente
Com essa nova visão, o Dabi passou a aproximar empresas, startups e profissionais capazes de desenvolver soluções para desafios reais do mercado. Muitas dessas iniciativas estão ligadas ao agronegócio, setor de grande relevância para Ribeirão Preto e região.
Dessa forma, as conexões aconteciam, as soluções eram identificadas, apresentadas e testadas, e havia empresas interessadas e empreendedores desenvolvendo tecnologias. Ainda assim, faltava algo para completar esse processo. “Faltava um pilar para sustentar esse ciclo: o capital”, resume Eduardo.
Essa observação me chamou a atenção porque toca em uma dificuldade recorrente no empreendedorismo. Podemos ter um bom produto, conhecer o cliente e identificar uma oportunidade. Mas, se não houver recursos e capacidade de execução, o crescimento encontra limites. Em ecossistemas fora dos grandes centros, esse desafio pode ser ainda maior.
Dabi Business Park
Foi a partir dessa percepção que surgiu o Dabi Impulso Agro, uma iniciativa criada para aproximar investidores de negócios inovadores ligados ao agronegócio. E aqui existe uma diferença importante: a proposta não é simplesmente reunir pessoas dispostas a investir dinheiro em startups; é organizar um modelo de investimento conjunto, com critérios, governança e participação dos investidores nas decisões. “O foco foi criar um ambiente onde boas decisões pudessem ser tomadas de forma conjunta”, lembra o gestor.
Na prática, o capital passa a fazer parte de um processo mais amplo, que envolve entender os desafios das empresas, avaliar soluções, aproximar empreendedores do mercado e criar condições para o crescimento.
É um raciocínio que considero fundamental para qualquer empresário. Dinheiro, por si só, não resolve problemas de gestão. Em determinadas situações, pode até ampliá-los. Antes de buscar recursos, precisamos entender se existe um modelo consistente para utilizá-los.
O valor de construir junto
Para estruturar essa iniciativa, o Dabi reuniu parceiros com competências complementares. A Arara Seed contribui com sua experiência em investimentos em startups do agro. Já a Treesales atua na aproximação entre os desafios das empresas e as soluções tecnológicas, especialmente no agronegócio. O objetivo é fazer com que investimento, conhecimento e demanda de mercado caminhem juntos.
Mas o que mais me interessou nessa história foi a maneira como Eduardo define o papel do próprio Dabi: “O principal conceito não é o de ser protagonista, mas atuar como orquestrador”, destaca. Essa frase merece atenção.
Estamos acostumados a associar liderança à figura de quem aparece, toma a frente e concentra as decisões. Mas, em muitos negócios, a liderança mais valiosa é aquela que consegue reunir competências, alinhar interesses e fazer outras pessoas avançarem.
É algo que observo também no trabalho de aconselhamento estratégico. O empresário não precisa ter todas as respostas; precisa saber fazer as perguntas certas, reconhecer talentos e criar um ambiente no qual boas decisões possam acontecer. No caso do Dabi, isso significa conectar investidores, empreendedores, empresas e especialistas, respeitando o papel de cada um.
E existe outro ponto importante: inovação não acontece apenas quando surge uma tecnologia diferente. Ela também está na maneira como organizamos processos, construímos relacionamentos e desenvolvemos novos modelos de negócio. Eduardo resume bem essa visão ao questionar uma crença bastante comum.
“O maior mito é acreditar que a inovação depende de uma ideia genial. Na prática, as soluções mais consistentes nascem da colaboração”.
Concordo com essa leitura. Vivemos um momento em que novas ideias e tecnologias surgem em uma velocidade impressionante. Mas transformar possibilidades em resultados continua exigindo características que nenhuma boa apresentação substitui: método, execução e capacidade de trabalhar com outras pessoas. A trajetória do Dabi Business Park mostra justamente isso.
Um empreendimento concebido para funcionar como centro empresarial encontrou uma nova vocação ao perceber que poderia participar de maneira mais ativa do desenvolvimento de outros negócios. E, quando identificou que as conexões precisavam de capital para avançar, buscou estruturar uma solução.
O Dabi é um ambiente de conexões empresariais
Para mim, fica uma reflexão que vale para qualquer empreendedor, independentemente do tamanho da empresa. Às vezes, estamos tão preocupados em encontrar a próxima grande oportunidade que deixamos de olhar para aquilo que já construímos e para o que ainda podemos fazer com isso.
E você, está apenas buscando novas oportunidades ou criando as condições para que elas realmente aconteçam?
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs é sócio do Grupo ZK, conselheiro estratégico de empresas de pequeno e médio porte, head do DBS|Hub, colunista da Zumm e da KissFM sobre empreendedorismo.
Capital vira aposta sem método
Eduardo Brondi, do Dabi Business Park, mostra que inovação exige mais que boas ideias: é preciso conectar pessoas, organizar recursos e criar condições para que os negócios avancem
Por Miguel El Debs*
Existe uma diferença importante entre ter uma boa ideia e conseguir transformá-la em um negócio sustentável. Ao longo da minha trajetória, percebi que muitos projetos não esbarram necessariamente na falta de criatividade. O desafio, diversas vezes, está em reunir as condições para que aquela ideia saia do papel, encontre mercado e consiga crescer.
A história de Eduardo Brondi, gestor do Dabi Business Park, em Ribeirão Preto, traz uma reflexão interessante sobre isso. Especialmente porque o próprio Dabi precisou rever seu caminho para encontrar um papel mais relevante no ambiente de negócios.
O projeto original era de ser um centro empresarial tradicional, ou seja, um espaço para receber empresas, como tantos outros. Mas as mudanças nas relações de trabalho, aceleradas pela pandemia, mostraram que havia uma oportunidade maior.
“Um dos maiores desafios foi justamente transformar o projeto inicial, pensado para um centro empresarial, em um espaço que valoriza e promove conexões e novos negócios, com uma comunidade própria e um hub voltado à inovação aberta”, conta Eduardo.
Gosto dessa passagem porque ela revela uma característica importante de quem empreende: a disposição para questionar o próprio modelo de negócio, mesmo quando ele já está em movimento.
Nem sempre insistir no planejamento original é sinal de persistência. Às vezes, a maturidade está justamente em reconhecer que o cenário mudou e que precisamos mudar com ele.
Quando conectar não é suficiente
Com essa nova visão, o Dabi passou a aproximar empresas, startups e profissionais capazes de desenvolver soluções para desafios reais do mercado. Muitas dessas iniciativas estão ligadas ao agronegócio, setor de grande relevância para Ribeirão Preto e região.
Dessa forma, as conexões aconteciam, as soluções eram identificadas, apresentadas e testadas, e havia empresas interessadas e empreendedores desenvolvendo tecnologias. Ainda assim, faltava algo para completar esse processo. “Faltava um pilar para sustentar esse ciclo: o capital”, resume Eduardo.
Essa observação me chamou a atenção porque toca em uma dificuldade recorrente no empreendedorismo. Podemos ter um bom produto, conhecer o cliente e identificar uma oportunidade. Mas, se não houver recursos e capacidade de execução, o crescimento encontra limites. Em ecossistemas fora dos grandes centros, esse desafio pode ser ainda maior.
Foi a partir dessa percepção que surgiu o Dabi Impulso Agro, uma iniciativa criada para aproximar investidores de negócios inovadores ligados ao agronegócio. E aqui existe uma diferença importante: a proposta não é simplesmente reunir pessoas dispostas a investir dinheiro em startups; é organizar um modelo de investimento conjunto, com critérios, governança e participação dos investidores nas decisões. “O foco foi criar um ambiente onde boas decisões pudessem ser tomadas de forma conjunta”, lembra o gestor.
Na prática, o capital passa a fazer parte de um processo mais amplo, que envolve entender os desafios das empresas, avaliar soluções, aproximar empreendedores do mercado e criar condições para o crescimento.
É um raciocínio que considero fundamental para qualquer empresário. Dinheiro, por si só, não resolve problemas de gestão. Em determinadas situações, pode até ampliá-los. Antes de buscar recursos, precisamos entender se existe um modelo consistente para utilizá-los.
O valor de construir junto
Para estruturar essa iniciativa, o Dabi reuniu parceiros com competências complementares. A Arara Seed contribui com sua experiência em investimentos em startups do agro. Já a Treesales atua na aproximação entre os desafios das empresas e as soluções tecnológicas, especialmente no agronegócio. O objetivo é fazer com que investimento, conhecimento e demanda de mercado caminhem juntos.
Mas o que mais me interessou nessa história foi a maneira como Eduardo define o papel do próprio Dabi: “O principal conceito não é o de ser protagonista, mas atuar como orquestrador”, destaca. Essa frase merece atenção.
Estamos acostumados a associar liderança à figura de quem aparece, toma a frente e concentra as decisões. Mas, em muitos negócios, a liderança mais valiosa é aquela que consegue reunir competências, alinhar interesses e fazer outras pessoas avançarem.
É algo que observo também no trabalho de aconselhamento estratégico. O empresário não precisa ter todas as respostas; precisa saber fazer as perguntas certas, reconhecer talentos e criar um ambiente no qual boas decisões possam acontecer. No caso do Dabi, isso significa conectar investidores, empreendedores, empresas e especialistas, respeitando o papel de cada um.
E existe outro ponto importante: inovação não acontece apenas quando surge uma tecnologia diferente. Ela também está na maneira como organizamos processos, construímos relacionamentos e desenvolvemos novos modelos de negócio. Eduardo resume bem essa visão ao questionar uma crença bastante comum.
Concordo com essa leitura. Vivemos um momento em que novas ideias e tecnologias surgem em uma velocidade impressionante. Mas transformar possibilidades em resultados continua exigindo características que nenhuma boa apresentação substitui: método, execução e capacidade de trabalhar com outras pessoas. A trajetória do Dabi Business Park mostra justamente isso.
Um empreendimento concebido para funcionar como centro empresarial encontrou uma nova vocação ao perceber que poderia participar de maneira mais ativa do desenvolvimento de outros negócios. E, quando identificou que as conexões precisavam de capital para avançar, buscou estruturar uma solução.
Para mim, fica uma reflexão que vale para qualquer empreendedor, independentemente do tamanho da empresa. Às vezes, estamos tão preocupados em encontrar a próxima grande oportunidade que deixamos de olhar para aquilo que já construímos e para o que ainda podemos fazer com isso.
E você, está apenas buscando novas oportunidades ou criando as condições para que elas realmente aconteçam?
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br
* Miguel El Debs é sócio do Grupo ZK, conselheiro estratégico de empresas de pequeno e médio porte, head do DBS|Hub, colunista da Zumm e da KissFM sobre empreendedorismo.
Leia também
Fusão da Arezzo com o Soma promete gerar faturamento de R$12 bilhões
Dona da marca de calçados e também da Reserva ficará com 54% …
Walking Together lança podcast sobre temas globais e de cidades do interior
Os episódios curtos, disponíveis todas as terças e sextas-feiras na plataforma, abordam …
A jornada profissional de Mario Bodnar, fundador da CRIATIVIVENDAS
Dessa vez, entrevistei o fundador da CRIATIVIVENDAS para entender, em detalhes, os …
Porsche é eleita marca de luxo mais valiosa do mundo
Em 2022, a Porsche perdeu 2% em valor de marca quando comparado …