O entendimento entre os blocos representa um avanço relevante, ainda que alguns ajustes ocorram em prazos mais extensos
Por Talita Cury*
O avanço do entendimento entre Mercosul e União Europeia inaugura 2026 com uma sinalização positiva para a economia brasileira e para o agronegócio. Após mais de duas décadas de negociações, o processo entra em sua fase final e reforça a inserção do Brasil em uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
A aproximação entre os dois blocos conecta mercados que somam cerca de 720 milhões de consumidores e uma parcela relevante do PIB global. Para o Brasil, isso representa acesso ampliado a mercados, maior previsibilidade regulatória e um ambiente mais favorável a investimentos de longo prazo, especialmente em cadeias produtivas intensivas em tecnologia, inovação e escala.
No agronegócio, os impactos vão além do curto prazo e influenciam a forma como o setor investe, produz e compete globalmente. A elevada competitividade do agro brasileiro foi, ao longo das negociações, um dos principais pontos de resistência por parte da Europa. O entendimento entre os blocos representa um avanço relevante, ao prever a calibração gradual de tarifas que historicamente limitaram as exportações brasileiras, ainda que alguns ajustes ocorram em prazos mais extensos.
Nesse contexto, setores nos quais o Brasil já é competitivo, como açúcar e etanol – este último especialmente associado à agenda de bioenergia e descarbonização – passam a contar com condições mais previsíveis de acesso. Sustentabilidade, rastreabilidade, eficiência produtiva e qualidade permanecem como exigências centrais e se consolidam como diferenciais estratégicos de competitividade.
Os efeitos econômicos tendem a se refletir no médio e longo prazo, com impacto positivo sobre o Produto Interno Bruto, fortalecimento das exportações e maior atração de investimentos. Mais que ampliar volumes, o avanço do entendimento contribui para elevar o padrão de inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, estimulando a geração de empregos qualificados e um crescimento mais consistente.
Ao avançar nessa agenda, o Brasil reforça sua posição como parceiro confiável e relevante no comércio global. O entendimento entre Mercosul e União Europeia não é uma solução isolada, mas representa um passo importante na construção de um modelo de desenvolvimento que combina produtividade, inovação e responsabilidade ambiental.
Boa notícia para o nosso agro. Resta saber se as ressalvas impostas serão também benéficas. Aguardemos!
* Talita Cury é advogada e Conselheira de Administração e Relações Institucionais do Grupo Santa Clara
Acordo entre Mercosul e União Europeia e uma agenda positiva para o Brasil
O entendimento entre os blocos representa um avanço relevante, ainda que alguns ajustes ocorram em prazos mais extensos
Por Talita Cury*
O avanço do entendimento entre Mercosul e União Europeia inaugura 2026 com uma sinalização positiva para a economia brasileira e para o agronegócio. Após mais de duas décadas de negociações, o processo entra em sua fase final e reforça a inserção do Brasil em uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
A aproximação entre os dois blocos conecta mercados que somam cerca de 720 milhões de consumidores e uma parcela relevante do PIB global. Para o Brasil, isso representa acesso ampliado a mercados, maior previsibilidade regulatória e um ambiente mais favorável a investimentos de longo prazo, especialmente em cadeias produtivas intensivas em tecnologia, inovação e escala.
No agronegócio, os impactos vão além do curto prazo e influenciam a forma como o setor investe, produz e compete globalmente. A elevada competitividade do agro brasileiro foi, ao longo das negociações, um dos principais pontos de resistência por parte da Europa. O entendimento entre os blocos representa um avanço relevante, ao prever a calibração gradual de tarifas que historicamente limitaram as exportações brasileiras, ainda que alguns ajustes ocorram em prazos mais extensos.
Nesse contexto, setores nos quais o Brasil já é competitivo, como açúcar e etanol – este último especialmente associado à agenda de bioenergia e descarbonização – passam a contar com condições mais previsíveis de acesso. Sustentabilidade, rastreabilidade, eficiência produtiva e qualidade permanecem como exigências centrais e se consolidam como diferenciais estratégicos de competitividade.
Os efeitos econômicos tendem a se refletir no médio e longo prazo, com impacto positivo sobre o Produto Interno Bruto, fortalecimento das exportações e maior atração de investimentos. Mais que ampliar volumes, o avanço do entendimento contribui para elevar o padrão de inserção do Brasil nas cadeias globais de valor, estimulando a geração de empregos qualificados e um crescimento mais consistente.
Ao avançar nessa agenda, o Brasil reforça sua posição como parceiro confiável e relevante no comércio global. O entendimento entre Mercosul e União Europeia não é uma solução isolada, mas representa um passo importante na construção de um modelo de desenvolvimento que combina produtividade, inovação e responsabilidade ambiental.
Boa notícia para o nosso agro. Resta saber se as ressalvas impostas serão também benéficas. Aguardemos!
* Talita Cury é advogada e Conselheira de Administração e Relações Institucionais do Grupo Santa Clara
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