Você já pegou um livro que antes leria com facilidade e percebeu que não conseguiu avançar três páginas? Esse tipo de situação, cada vez mais comum, ajuda a explicar porque o termo brain rot passou a circular com tanta força nos últimos anos
A expressão se popularizou para dar nome a um desgaste mentalassociado ao consumo excessivo de conteúdos rápidos, fragmentados e pouco desafiadores. Em 2024, o termo foi eleito a palavra do ano pelo Dicionário de Oxford, contribuindo para popularizar uma preocupação coletiva com os impactos desse padrão de consumo na atenção, no aprendizado e na saúde emocional.
O que é “Brain Rot”?
“Brain rot” é uma expressão informal usada para descrever a deterioração gradual do estado mental ou intelectual provocada pelo contato constante com conteúdos de baixo valor cognitivo. De acordo com a definição adotada pelo Dicionário de Oxford, o termo se refere à perda de capacidade de concentração, reflexão e aprofundamento intelectual, especialmente ligada ao consumo excessivo de material trivial online.
Apesar do nome forte, brain rot não se trata de uma condição clínica formal. O conceito funciona como uma metáfora para explicar mudanças reais no funcionamento cognitivo, observadas por profissionais da saúde mental em pessoas expostas de forma contínua a estímulos rápidos e repetitivos.
A tradução literal e o conceito por trás do “apodrecimento cerebral”
A tradução literal do termo é algo como “aprodrecimento cerebral”, e pode causar estranhamento, mas o foco não está em um dano físico ao cérebro. O que ocorre é um empobrecimento das funções cognitivas, resultado da substituição progressiva de estímulos que exigem esforço mental por recompensas imediatas.
Curiosamente, a expressão não surgiu agora. O escritor Henry David Thoreau já utilizava a palavra “rot” no século XIX para criticar a preferência da sociedade por ideias simples em detrimento de reflexões complexas. O que muda no cenário atual é a escala e a velocidade com que esses estímulos chegam ao cérebro.
Conteúdo superficial: o que realmente significa?
Conteúdo superficial não se define apenas pela duração curta. Ele se caracteriza pela ausência de contexto e profundidade. Esse tipo de material aparece com força em plataformas baseadas em rolagem infinita e estímulos visuais constantes, como TikTok, Instagram e YouTube.
Memes repetitivos, vídeos extremamente curtos e informações desconectadas capturam a atenção por segundos, mas raramente exigem reflexão. Quando esse padrão domina o tempo livre, o cérebro passa a se adaptar a esse ritmo.
Como as pessoas estão deixando de pensar, de fato, no dia a dia
Um exemplo cotidiano desse processo aparece no uso indiscriminado de aplicativos de navegação GPS, como Waze e Google Maps. Até poucas décadas atrás, era comum memorizar caminhos, reconhecer referências do trajeto ou consultar mapas físicos para se deslocar pela cidade. Esse exercício exigia atenção espacial, memória e tomada de decisão.
Com a popularização dos sistemas de navegação por GPS, parte dessas habilidades deixou de ser acionada. Há pessoas que relatam dificuldade para chegar a lugares conhecidos sem o auxílio de uma voz automatizada indicando para onde ela deve ir.
Os impactos neuropsicológicos do excesso de estímulos rápidos
O cérebro humano não foi projetado para processar informações fragmentadas de forma contínua. Quando isso se torna rotina, áreas ligadas à atenção, memória e tomada de decisão passam a funcionar de maneira diferente.
O ciclo da dopamina e o sistema de recompensa imediata
Assim que um recebemos um estímulo visual ou sonoro, nosso cérebro ativa uma espécie de sistema de recompensa, que libera a dopamina, neurotransmissor associado ao prazer. Porém, o problema surge quando essa liberação acontece de forma constante e em intervalos muito curtos.
A psicóloga Rafaela Reginato explica que esse mecanismo se aproxima de um padrão de dependência: “Assim como outras dependências, o uso constante de conteúdos digitais cria uma sensação de prazer imediato, mas temporário, fazendo com que a pessoa busque cada vez mais esses estímulos rápidos”.
Com o tempo, o cérebro passa a exigir estímulos constantes, tornando menos atraentes atividades com recompensas mais lentas.
Fragmentação da atenção e o prejuízo às funções executivas
As funções executivas são responsáveis por planejar, organizar, manter o foco e avaliar consequências. O consumo contínuo de estímulos rápidos fragmenta a atenção e dificulta a permanência em uma única tarefa por períodos mais longos.
O psiquiatra Sávio Teixeira, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, alerta: “Com o passar dos meses, o cérebro perde a capacidade de focar em atividades que demandam maior concentração e análise”.
Esta é a razão pela qual você não consegue mais ler um livro com o mesmo afinco que lia há alguns anos ou até mesmo não consegue sair de casa sem o celular.
O efeito na capacidade de leitura e aprendizado profundo
Um dos reflexos mais perceptíveis do brain rot aparece na relação com a leitura. Em muitos lares, tornou-se raro ver adultos lendo com frequência e isso impacta diretamente as gerações mais novas.
Pais e responsáveis que já lidam com dificuldade de concentração tendem a recorrer com mais facilidade a conteúdos audiovisuais superestimulantes para entreter crianças, em vez de histórias lidas, livros ilustrados ou momentos de leitura compartilhada.
Esse deslocamento de hábito tem efeitos cumulativos. A leitura exige atenção contínua, imaginação ativa e construção de sentido, habilidades que se desenvolvem com prática. Quando esse estímulo deixa de fazer parte da infância, crianças crescem menos familiarizadas com textos longos, vocabulário mais amplo e raciocínio encadeado.
Estamos sendo forçados a lidar com uma mudança cultural inédita. Quando a leitura perde espaço no cotidiano, perde-se também uma das principais ferramentas de desenvolvimento cognitivo e social ao longo da vida.
Brain rot e saúde mental: ansiedade, estresse e isolamento
Além dos efeitos cognitivos, o brain rot também se relaciona a alterações emocionais e comportamentais.
Sobrecarga de informação (infobesity) e o aumento do estresse
O volume constante de informações, o que chamamos aqui de infobesity, muitas vezes negativas ou conflitantes, mantém o cérebro em estado de alerta. Essa sobrecarga favorece quadros de estresse crônico e ansiedade.
Segundo Sávio Teixeira, “Se essa sobrecarga não for abordada, pode levar a problemas como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social e perda de prazer por atividades que antes eram prazerosas”.
O termo infobesity é usado para descrever o excesso de informações consumidas diariamente, muitas vezes sem pausa ou profundidade. Trata-se de uma “obesidade informacional”, em que o volume de dados supera a capacidade do cérebro de processar, filtrar e atribuir sentido ao que é consumido.
Esse acúmulo constante de notícias, opiniões, alertas e estímulos visuais mantém o organismo em estado de atenção contínua, o que favorece cansaço mental, irritabilidade e aumento dos níveis de estresse ao longo do tempo.
Comparação social e a baixa autoestima nas redes
Com relação ao consumo de informações nas redes sociais, a exposição contínua a recortes idealizados da vida alheia pode gerar sensação de inadequação. Esse efeito é mais intenso entre jovens, que ainda estão construindo identidade e autoestima.
Apatia e desmotivação: a dificuldade em se engajar em tarefas complexas
Com o tempo, tarefas que exigem esforço mental passam a ser evitadas, o que resulta em apatia, procrastinação e dificuldade em manter projetos pessoais ou profissionais.
Como se prevenir? Guia de higiene mental digital
Prevenir o brain rot não significa abandonar a tecnologia ou demonizar o uso das telas, mas desenvolver uma relação mais consciente com o consumo digital. Pequenas mudanças de hábito já são capazes de reduzir a sobrecarga mental e recuperar a disposição para atividades que exigem mais atenção e envolvimento cognitivo.
Detox digital: estratégias para limitar o tempo de tela
O detox digital não precisa ser radical, basta começar com a definição de limites claros para o uso do celular e das redes sociais. Estabelecer horários específicos para acessar aplicativos, evitar o uso do telefone logo ao acordar e antes de dormir, além de criar momentos do dia livres de tela, são estratégias eficazes para reduzir o excesso de estímulos.
Outra prática importante é o controle de notificações. Alertas constantes fragmentam a atenção e reforçam o hábito de checar o celular de forma compulsiva. Reduzir ou silenciar notificações ajuda o cérebro a permanecer mais tempo focado em uma única atividade, diminuindo a sensação de cansaço mental ao longo do dia.
Priorizando o “slow content” e o consumo ativo
Uma das formas mais eficientes de combater os efeitos do brain rot é substituir parte do consumo rápido por conteúdos que exigem maior processamento cognitivo, ou seja, slow content.
Slow content significa o consumo de conteúdos produzidos para serem absorvidos com mais tempo e atenção, em contraste com materiais rápidos e descartáveis. São textos, vídeos ou áudios que exigem envolvimento ativo do leitor ou espectador, permitindo reflexão, construção de sentido e retenção de informações.
Ao priorizar esse tipo de conteúdo, o consumo deixa de ser automático e passa a ser uma escolha consciente, o que ajuda a reduzir a sobrecarga mental e a recuperar a capacidade de foco.
O consumo ativo envolve escolher o que será consumido, em vez de apenas reagir ao que aparece na tela. Esse tipo de postura devolve ao indivíduo o controle sobre o próprio tempo e reduz a dependência de estímulos automáticos e repetitivos.
Exercícios para o cérebro: atividades que restauram o foco e a memória
Além de ajustar a forma de consumir conteúdo digital, inserir atividades fora das telas na rotina ajuda a reativar funções cognitivas afetadas pelo excesso de estímulos rápidos.
Algumas práticas eficazes incluem:
Leitura concentrada: estimula o vocabulário e o raciocínio encadeado.
Atividades físicas: esportes e exercícios melhoram a oxigenação cerebral.
Hobbies criativos: desenho, música, escrita ou artes manuais exigem foco e coordenação.
Jogos de estratégia: xadrez e jogos de lógica trabalham memória e planejamento.
Tarefas manuais: cozinhar, cuidar de plantas ou montar objetos ajudam a desacelerar o ritmo mental.
Além disso, momentos de introspecção também são fundamentais. Pausas sem estímulos constantes permitem que o cérebro processe informações, organize pensamentos e recupere o equilíbrio emocional ao longo do dia.
A psicóloga Rafaela Reginato destaca esse ponto: “É importante reservar momentos para introspecção e autoconhecimento, evitando usar as redes como uma fuga emocional”.
Autoconsciência e equilíbrio digital a longo prazo
O brain rot não se instala de forma repentina. Ele é construído aos poucos, a partir de hábitos repetidos diariamente. Por isso, um dos passos essenciais para interromper esse ciclo é reconhecer sinais como:
dificuldade de foco
irritabilidade
cansaço mental
perda de interesse por atividades mais complexas
Desenvolver autoconsciência sobre o próprio uso da tecnologia permite escolhas mais equilibradas e sustentáveis.
Em um ambiente repleto de estímulos, aprender a desacelerar, selecionar conteúdos e respeitar os limites mentais se torna um cuidado contínuo com a saúde cognitiva e emocional.
Brain rot: como o excesso de conteúdos superficiais afeta a saúde mental
Você já pegou um livro que antes leria com facilidade e percebeu que não conseguiu avançar três páginas? Esse tipo de situação, cada vez mais comum, ajuda a explicar porque o termo brain rot passou a circular com tanta força nos últimos anos
A expressão se popularizou para dar nome a um desgaste mental associado ao consumo excessivo de conteúdos rápidos, fragmentados e pouco desafiadores. Em 2024, o termo foi eleito a palavra do ano pelo Dicionário de Oxford, contribuindo para popularizar uma preocupação coletiva com os impactos desse padrão de consumo na atenção, no aprendizado e na saúde emocional.
O que é “Brain Rot”?
“Brain rot” é uma expressão informal usada para descrever a deterioração gradual do estado mental ou intelectual provocada pelo contato constante com conteúdos de baixo valor cognitivo. De acordo com a definição adotada pelo Dicionário de Oxford, o termo se refere à perda de capacidade de concentração, reflexão e aprofundamento intelectual, especialmente ligada ao consumo excessivo de material trivial online.
Apesar do nome forte, brain rot não se trata de uma condição clínica formal. O conceito funciona como uma metáfora para explicar mudanças reais no funcionamento cognitivo, observadas por profissionais da saúde mental em pessoas expostas de forma contínua a estímulos rápidos e repetitivos.
A tradução literal e o conceito por trás do “apodrecimento cerebral”
A tradução literal do termo é algo como “aprodrecimento cerebral”, e pode causar estranhamento, mas o foco não está em um dano físico ao cérebro. O que ocorre é um empobrecimento das funções cognitivas, resultado da substituição progressiva de estímulos que exigem esforço mental por recompensas imediatas.
Curiosamente, a expressão não surgiu agora. O escritor Henry David Thoreau já utilizava a palavra “rot” no século XIX para criticar a preferência da sociedade por ideias simples em detrimento de reflexões complexas. O que muda no cenário atual é a escala e a velocidade com que esses estímulos chegam ao cérebro.
Conteúdo superficial: o que realmente significa?
Conteúdo superficial não se define apenas pela duração curta. Ele se caracteriza pela ausência de contexto e profundidade. Esse tipo de material aparece com força em plataformas baseadas em rolagem infinita e estímulos visuais constantes, como TikTok, Instagram e YouTube.
Memes repetitivos, vídeos extremamente curtos e informações desconectadas capturam a atenção por segundos, mas raramente exigem reflexão. Quando esse padrão domina o tempo livre, o cérebro passa a se adaptar a esse ritmo.
Como as pessoas estão deixando de pensar, de fato, no dia a dia
Um exemplo cotidiano desse processo aparece no uso indiscriminado de aplicativos de navegação GPS, como Waze e Google Maps. Até poucas décadas atrás, era comum memorizar caminhos, reconhecer referências do trajeto ou consultar mapas físicos para se deslocar pela cidade. Esse exercício exigia atenção espacial, memória e tomada de decisão.
Com a popularização dos sistemas de navegação por GPS, parte dessas habilidades deixou de ser acionada. Há pessoas que relatam dificuldade para chegar a lugares conhecidos sem o auxílio de uma voz automatizada indicando para onde ela deve ir.
Os impactos neuropsicológicos do excesso de estímulos rápidos
O cérebro humano não foi projetado para processar informações fragmentadas de forma contínua. Quando isso se torna rotina, áreas ligadas à atenção, memória e tomada de decisão passam a funcionar de maneira diferente.
O ciclo da dopamina e o sistema de recompensa imediata
Assim que um recebemos um estímulo visual ou sonoro, nosso cérebro ativa uma espécie de sistema de recompensa, que libera a dopamina, neurotransmissor associado ao prazer. Porém, o problema surge quando essa liberação acontece de forma constante e em intervalos muito curtos.
A psicóloga Rafaela Reginato explica que esse mecanismo se aproxima de um padrão de dependência: “Assim como outras dependências, o uso constante de conteúdos digitais cria uma sensação de prazer imediato, mas temporário, fazendo com que a pessoa busque cada vez mais esses estímulos rápidos”.
Com o tempo, o cérebro passa a exigir estímulos constantes, tornando menos atraentes atividades com recompensas mais lentas.
Fragmentação da atenção e o prejuízo às funções executivas
As funções executivas são responsáveis por planejar, organizar, manter o foco e avaliar consequências. O consumo contínuo de estímulos rápidos fragmenta a atenção e dificulta a permanência em uma única tarefa por períodos mais longos.
O psiquiatra Sávio Teixeira, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, alerta: “Com o passar dos meses, o cérebro perde a capacidade de focar em atividades que demandam maior concentração e análise”.
Esta é a razão pela qual você não consegue mais ler um livro com o mesmo afinco que lia há alguns anos ou até mesmo não consegue sair de casa sem o celular.
O efeito na capacidade de leitura e aprendizado profundo
Um dos reflexos mais perceptíveis do brain rot aparece na relação com a leitura. Em muitos lares, tornou-se raro ver adultos lendo com frequência e isso impacta diretamente as gerações mais novas.
Pais e responsáveis que já lidam com dificuldade de concentração tendem a recorrer com mais facilidade a conteúdos audiovisuais superestimulantes para entreter crianças, em vez de histórias lidas, livros ilustrados ou momentos de leitura compartilhada.
Esse deslocamento de hábito tem efeitos cumulativos. A leitura exige atenção contínua, imaginação ativa e construção de sentido, habilidades que se desenvolvem com prática. Quando esse estímulo deixa de fazer parte da infância, crianças crescem menos familiarizadas com textos longos, vocabulário mais amplo e raciocínio encadeado.
Estamos sendo forçados a lidar com uma mudança cultural inédita. Quando a leitura perde espaço no cotidiano, perde-se também uma das principais ferramentas de desenvolvimento cognitivo e social ao longo da vida.
Brain rot e saúde mental: ansiedade, estresse e isolamento
Além dos efeitos cognitivos, o brain rot também se relaciona a alterações emocionais e comportamentais.
Sobrecarga de informação (infobesity) e o aumento do estresse
O volume constante de informações, o que chamamos aqui de infobesity, muitas vezes negativas ou conflitantes, mantém o cérebro em estado de alerta. Essa sobrecarga favorece quadros de estresse crônico e ansiedade.
Segundo Sávio Teixeira, “Se essa sobrecarga não for abordada, pode levar a problemas como ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social e perda de prazer por atividades que antes eram prazerosas”.
O termo infobesity é usado para descrever o excesso de informações consumidas diariamente, muitas vezes sem pausa ou profundidade. Trata-se de uma “obesidade informacional”, em que o volume de dados supera a capacidade do cérebro de processar, filtrar e atribuir sentido ao que é consumido.
Esse acúmulo constante de notícias, opiniões, alertas e estímulos visuais mantém o organismo em estado de atenção contínua, o que favorece cansaço mental, irritabilidade e aumento dos níveis de estresse ao longo do tempo.
Comparação social e a baixa autoestima nas redes
Com relação ao consumo de informações nas redes sociais, a exposição contínua a recortes idealizados da vida alheia pode gerar sensação de inadequação. Esse efeito é mais intenso entre jovens, que ainda estão construindo identidade e autoestima.
Apatia e desmotivação: a dificuldade em se engajar em tarefas complexas
Com o tempo, tarefas que exigem esforço mental passam a ser evitadas, o que resulta em apatia, procrastinação e dificuldade em manter projetos pessoais ou profissionais.
Como se prevenir? Guia de higiene mental digital
Prevenir o brain rot não significa abandonar a tecnologia ou demonizar o uso das telas, mas desenvolver uma relação mais consciente com o consumo digital. Pequenas mudanças de hábito já são capazes de reduzir a sobrecarga mental e recuperar a disposição para atividades que exigem mais atenção e envolvimento cognitivo.
Detox digital: estratégias para limitar o tempo de tela
O detox digital não precisa ser radical, basta começar com a definição de limites claros para o uso do celular e das redes sociais. Estabelecer horários específicos para acessar aplicativos, evitar o uso do telefone logo ao acordar e antes de dormir, além de criar momentos do dia livres de tela, são estratégias eficazes para reduzir o excesso de estímulos.
Outra prática importante é o controle de notificações. Alertas constantes fragmentam a atenção e reforçam o hábito de checar o celular de forma compulsiva. Reduzir ou silenciar notificações ajuda o cérebro a permanecer mais tempo focado em uma única atividade, diminuindo a sensação de cansaço mental ao longo do dia.
Priorizando o “slow content” e o consumo ativo
Uma das formas mais eficientes de combater os efeitos do brain rot é substituir parte do consumo rápido por conteúdos que exigem maior processamento cognitivo, ou seja, slow content.
Slow content significa o consumo de conteúdos produzidos para serem absorvidos com mais tempo e atenção, em contraste com materiais rápidos e descartáveis. São textos, vídeos ou áudios que exigem envolvimento ativo do leitor ou espectador, permitindo reflexão, construção de sentido e retenção de informações.
Ao priorizar esse tipo de conteúdo, o consumo deixa de ser automático e passa a ser uma escolha consciente, o que ajuda a reduzir a sobrecarga mental e a recuperar a capacidade de foco.
O consumo ativo envolve escolher o que será consumido, em vez de apenas reagir ao que aparece na tela. Esse tipo de postura devolve ao indivíduo o controle sobre o próprio tempo e reduz a dependência de estímulos automáticos e repetitivos.
Exercícios para o cérebro: atividades que restauram o foco e a memória
Além de ajustar a forma de consumir conteúdo digital, inserir atividades fora das telas na rotina ajuda a reativar funções cognitivas afetadas pelo excesso de estímulos rápidos.
Algumas práticas eficazes incluem:
Além disso, momentos de introspecção também são fundamentais. Pausas sem estímulos constantes permitem que o cérebro processe informações, organize pensamentos e recupere o equilíbrio emocional ao longo do dia.
A psicóloga Rafaela Reginato destaca esse ponto: “É importante reservar momentos para introspecção e autoconhecimento, evitando usar as redes como uma fuga emocional”.
Autoconsciência e equilíbrio digital a longo prazo
O brain rot não se instala de forma repentina. Ele é construído aos poucos, a partir de hábitos repetidos diariamente. Por isso, um dos passos essenciais para interromper esse ciclo é reconhecer sinais como:
Desenvolver autoconsciência sobre o próprio uso da tecnologia permite escolhas mais equilibradas e sustentáveis.
Em um ambiente repleto de estímulos, aprender a desacelerar, selecionar conteúdos e respeitar os limites mentais se torna um cuidado contínuo com a saúde cognitiva e emocional.
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