A capital argentina tem essa capacidade rara de equilibrar tradição e renovação, sempre atravessada pela intensidade, criatividade e latinidade
Por Maura Robusti*
Há cidades que impressionam à primeira vista; outras revelam seu encanto aos poucos, conforme caminhamos por suas ruas. Buenos Aires consegue reunir as duas qualidades: a capital argentina é rica em história, cultura e arquitetura e carrega uma atmosfera que remete às grandes cidades europeias, mas com um tempero muito próprio da América do Sul.
Muito dessa identidade vem do período de grande prosperidade econômica vivido pelo país no início do século XX, quando uma intensa imigração europeia deixou marcas profundas. Espanha, Itália e França influenciaram não apenas a cultura, mas o desenho urbano.
O resultado é uma mistura fascinante de estilos arquitetônicos, do Art Nouveau ao neoclássico, passando pelo colonial, que aparece em palácios, edifícios residenciais, parques e avenidas.
Arquitetura, arte e cultura
Palácio Duhau | Créditos: arquivo pessoal
Entre os marcos mais emblemáticos de Buenos Aires estão os grandes palácios que pontuam a cidade, como o das Águas Corrientes, San Martín, Paz, Pizzurno e o elegante Duhau. Cada um deles revela, à sua maneira, o refinamento arquitetônico que marcou a elite portenha naquele período.
Palácio Duhau | Créditos: arquivo pessoal
Mas há um edifício que chama atenção: o Palácio Barolo. Inaugurado em 1923 e com cerca de 84m, ele é uma obra singular. Seu arquiteto, o italiano Mario Palanti, concebeu o projeto inspirado na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. A construção foi pensada como uma metáfora arquitetônica da obra, em que a base representa o Inferno, os andares intermediários simbolizam o Purgatório e o topo corresponde ao Paraíso. Poesia em formato de arquitetura.
O prédio tem 22 andares e a sua organização segue simbolismos ligados à obra literária. É curioso perceber que, apesar de toda essa carga simbólica e histórica, o edifício segue vivo no cotidiano da cidade, abrigando salas comerciais e mantendo uma configuração bastante tradicional, com banheiros localizados nos halls principais de cada andar (solução bastante comum em construções da época).
Palácio Barolo | Créditos: arquivo pessoal
Outro ícone da arquitetura portenha é o Teatro Colón, inaugurado em 1908. O edifício impressiona não apenas pela monumentalidade, mas também pela excelência técnica. Sua sala principal, em formato de ferradura, foi projetada para garantir uma acústica perfeita a mais de 2.400 pessoas. Dessa forma, o teatro oferece uma experiência única, seja em uma apresentação de ópera, balé ou concerto.
A Buenos Aires contemporânea
Mas a cidade não vive apenas de sua herança histórica. Em Palermo Soho, por exemplo, Buenos Aires revela seu lado mais contemporâneo e criativo. O bairro é um laboratório de tendências, onde design, gastronomia e cultura se misturam em um ambiente vibrante. Há também muita arte, diversidade e uma energia jovem que faz o bairro se reinventar o tempo todo.
Palermo Soho | Créditos: arquivo pessoal
Palermo Soho também abriga o residencial L’Avenue Libertador, projetado pelo escritório da arquiteta Zaha Hadid. Com design moderno e vista privilegiada para o Campo Argentino de Polo e para o Hipódromo, o empreendimento reforça como a cidade continua dialogando com a arquitetura global sem perder sua identidade.
E tem mais! Uma outra mostra dessa renovação urbana é Puerto Madero. Antiga área portuária, o bairro passou por um amplo processo de revitalização e hoje se tornou um dos endereços mais valorizados e dinâmicos da cidade. Antigos armazéns foram restaurados e ganharam novos usos, convivendo lado a lado com edifícios contemporâneos que redesenharam a paisagem da região, com a elegante Puente de la Mujer, projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, e o Faena, que conta com o design de Philippe Starck.
Buenos Aires tem essa capacidade rara de equilibrar tradição e renovação. Entre palácios históricos, cafés charmosos e projetos contemporâneos, a cidade revela uma identidade única, influenciada pela elegância europeia, mas sempre atravessada pela intensidade, criatividade e pelo calor da cultura latina.
Maura Robusti | Crédito: Érico Andrade
* Maura Robusti é diretora do Mundo Robusti, um dos maiores do segmento de móveis e decoração do interior do estado de São Paulo.
Buenos Aires: onde a elegância europeia encontra a alma latina
A capital argentina tem essa capacidade rara de equilibrar tradição e renovação, sempre atravessada pela intensidade, criatividade e latinidade
Por Maura Robusti*
Há cidades que impressionam à primeira vista; outras revelam seu encanto aos poucos, conforme caminhamos por suas ruas. Buenos Aires consegue reunir as duas qualidades: a capital argentina é rica em história, cultura e arquitetura e carrega uma atmosfera que remete às grandes cidades europeias, mas com um tempero muito próprio da América do Sul.
Muito dessa identidade vem do período de grande prosperidade econômica vivido pelo país no início do século XX, quando uma intensa imigração europeia deixou marcas profundas. Espanha, Itália e França influenciaram não apenas a cultura, mas o desenho urbano.
O resultado é uma mistura fascinante de estilos arquitetônicos, do Art Nouveau ao neoclássico, passando pelo colonial, que aparece em palácios, edifícios residenciais, parques e avenidas.
Arquitetura, arte e cultura
Entre os marcos mais emblemáticos de Buenos Aires estão os grandes palácios que pontuam a cidade, como o das Águas Corrientes, San Martín, Paz, Pizzurno e o elegante Duhau. Cada um deles revela, à sua maneira, o refinamento arquitetônico que marcou a elite portenha naquele período.
Mas há um edifício que chama atenção: o Palácio Barolo. Inaugurado em 1923 e com cerca de 84m, ele é uma obra singular. Seu arquiteto, o italiano Mario Palanti, concebeu o projeto inspirado na “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. A construção foi pensada como uma metáfora arquitetônica da obra, em que a base representa o Inferno, os andares intermediários simbolizam o Purgatório e o topo corresponde ao Paraíso. Poesia em formato de arquitetura.
O prédio tem 22 andares e a sua organização segue simbolismos ligados à obra literária. É curioso perceber que, apesar de toda essa carga simbólica e histórica, o edifício segue vivo no cotidiano da cidade, abrigando salas comerciais e mantendo uma configuração bastante tradicional, com banheiros localizados nos halls principais de cada andar (solução bastante comum em construções da época).
Outro ícone da arquitetura portenha é o Teatro Colón, inaugurado em 1908. O edifício impressiona não apenas pela monumentalidade, mas também pela excelência técnica. Sua sala principal, em formato de ferradura, foi projetada para garantir uma acústica perfeita a mais de 2.400 pessoas. Dessa forma, o teatro oferece uma experiência única, seja em uma apresentação de ópera, balé ou concerto.
A Buenos Aires contemporânea
Mas a cidade não vive apenas de sua herança histórica. Em Palermo Soho, por exemplo, Buenos Aires revela seu lado mais contemporâneo e criativo. O bairro é um laboratório de tendências, onde design, gastronomia e cultura se misturam em um ambiente vibrante. Há também muita arte, diversidade e uma energia jovem que faz o bairro se reinventar o tempo todo.
Palermo Soho também abriga o residencial L’Avenue Libertador, projetado pelo escritório da arquiteta Zaha Hadid. Com design moderno e vista privilegiada para o Campo Argentino de Polo e para o Hipódromo, o empreendimento reforça como a cidade continua dialogando com a arquitetura global sem perder sua identidade.
E tem mais! Uma outra mostra dessa renovação urbana é Puerto Madero. Antiga área portuária, o bairro passou por um amplo processo de revitalização e hoje se tornou um dos endereços mais valorizados e dinâmicos da cidade. Antigos armazéns foram restaurados e ganharam novos usos, convivendo lado a lado com edifícios contemporâneos que redesenharam a paisagem da região, com a elegante Puente de la Mujer, projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, e o Faena, que conta com o design de Philippe Starck.
Buenos Aires tem essa capacidade rara de equilibrar tradição e renovação. Entre palácios históricos, cafés charmosos e projetos contemporâneos, a cidade revela uma identidade única, influenciada pela elegância europeia, mas sempre atravessada pela intensidade, criatividade e pelo calor da cultura latina.
* Maura Robusti é diretora do Mundo Robusti, um dos maiores do segmento de móveis e decoração do interior do estado de São Paulo.
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