Autores consagrados da literatura nacional usaram cidades e regiões do Brasil como personagens importantes de suas narrativas
Ter a chance de caminhar pelas ruas descritas em um romance, atravessar paisagens que inspiraram poetas ou visitar cenários eternizados pela ficção são experiências enriquecedoras que unem leitura e viagem. Cada vez mais, leitores apaixonados buscam destinos que dialogam com suas obras favoritas, conectando-se ao território de maneira sensorial e afetiva.
“É uma vivência transformadora. Os livros ganham novas camadas quando visitamos os locais que os inspiraram. A leitura se mistura ao olhar e à vivência, e o entendimento das obras se aprofunda”, conta Paola Gulin, sócia fundadora da NomadRoots, uma agência de viagens que promove roteiros para destinos que inspiraram grandes obras.
Do sertão mineiro ao coração da Amazônia, passando pela capital paranaense e pelo litoral baiano, o Brasil possui cenários que são tão protagonistas quanto os personagens que habitam as páginas da literatura nacional. Confira alguns destinos que marcam a literatura brasileira:
Amazônia
Com livros que venderam mais de 400 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em 17 países, como Itália, Estados Unidos, França e Espanha, Milton Assi Hatoum é conhecido por relatos contemporâneos da história, nos quais a Amazônia sempre está presente, como os romances “Relato de um Certo Oriente”, “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”. A destruição da região é outra constante, relatada em poemas como “O Fim que Se Aproxima”.
Amazonia | Crédito: Arquivo MTur
Curitiba (PR)
Conhecido como “Vampiro de Curitiba”, Dalton Trevisan é um dos mais importantes escritores do Brasil e coloca a capital paranaense como cenário de suas histórias. Falecido em 2024, colecionou prêmios como Jabuti, Camões, Machado de Assis e outros, consolidando sua escrita singular. “Novelas Nada Exemplares”, “Cemitério de Elefantes”, “O Vampiro de Curitiba” e a “A Polaquinha” são parte de seu acervo e traduzem uma Curitiba gélida, peculiar e, muitas vezes, provinciana.
Boca Maldita, em Curitiba | Crédito: Luiz CostaCasa Dalton Trevisan, em Curitiba | Crédito: Flavio Antonio Ortolan
Alguns dos endereços que aparecem em seus livros incluem a Rua Ubaldino do Amaral, o bairro Alto da Glória, o centro da cidade e a Boca Maldita, ponto turístico que todo viajante precisa conhecer. A casa onde Trevisan morou, na esquina da Ubaldino do Amaral com a Amintas de Barros, se tornou um ponto turístico não oficial, com fãs visitando o local.
Pantanal
Localizado entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Pantanal é repleto de histórias que fazem parte do imaginário do brasileiro, presente em novelas, livros e outras obras artísticas. O poeta cuiabano Manoel de Barros, por exemplo, em o “Livro de Pré-Coisas: Roteiro para uma Excursão Poética no Pantanal” e em textos autobiográficos, como “Memórias Inventadas”, têm a região como pano de fundo, destacando as belezas e as particularidades de quem ali habita.
Ariano Suassuna, autor da emblemática obra “O Auto da Compadecida”, que virou filme e série, foi um importante divulgador da cultura nordestina e já representou o Brasil no Prêmio Nobel de Literatura.
Recife (PE)Pedra do Reino (Pedra Bonita)
No Recife, sua cidade natal, a Zona Norte está presente em suas obras, assim como o bairro do Poço da Panela, onde ele residia na Rua do Chacon. O sertão é outro elemento vibrante, com menções a São José do Belmonte (PE), com a Pedra do Reino (Pedra Bonita), e as paraibanas Taperoá (PB) e Sousa (PB), onde Suassuna passou a infância.
Porto Alegre (RS)
Érico Veríssimo se tornou, por meio da sua escrita simples e direta, um dos autores mais populares do Brasil, sendo o Rio Grande do Sul a sua paixão e Porto Alegre, o cenário de algumas de suas histórias. Em “Noite”, parques, igrejas e o Centro da capital gaúcha são narrados e despertam no leitor a vontade de conhecer de perto estes locais.
Porto Alegre | Crédito: Embratur
Salvador (BA)
O baiano Jorge Amado é um dos autores mais traduzidos do Brasil, além de deter o título de escritor com o maior número de adaptações para o cinema, teatro e televisão. Um dos marcos da teledramaturgia brasileira, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, leva sua assinatura, bem como outros clássicos, como “Tieta” e “Gabriela Cravo e Canela”.
Salvador (BA)
Várias de suas obras se passam em Salvador, incluindo “Mar Morto”, “Jubiabá”, “Bahia de Todos os Santos” e “O País do Carnaval”, retratando o dia a dia da cidade, sua cultura e história.
Vale do Urucuia (MG)
A obra “Grande Sertão Veredas” é emblemática e um marco da literatura nacional e lusófona. A história se passa no sertão do norte e noroeste de Minas Gerais, mais especificamente na região do Vale do Urucuia. O livro também inclui partes de Goiás e Bahia, envolvendo as nascentes do rio Urucuia e áreas próximas ao Rio São Francisco.
Vale do Urucuia (MG)
O livro é um romance experimental modernista e sua 1ª capa teve a assinatura do consagrado artista Poty Lazarotto. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, incluiu “Grande Sertão: Veredas” em sua lista dos 100 melhores livros de todos os tempos – único brasileiro na lista de 54 países.
Ainda como repercussão da obra, na divisa de Minas Gerais com a Bahia foi criado o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, uma homenagem a Guimarães Rosa, que revela aos viajantes um pouco do universo do autor.
Conheça destinos brasileiros que são cenários e até personagens de livros famosos
Autores consagrados da literatura nacional usaram cidades e regiões do Brasil como personagens importantes de suas narrativas
Ter a chance de caminhar pelas ruas descritas em um romance, atravessar paisagens que inspiraram poetas ou visitar cenários eternizados pela ficção são experiências enriquecedoras que unem leitura e viagem. Cada vez mais, leitores apaixonados buscam destinos que dialogam com suas obras favoritas, conectando-se ao território de maneira sensorial e afetiva.
“É uma vivência transformadora. Os livros ganham novas camadas quando visitamos os locais que os inspiraram. A leitura se mistura ao olhar e à vivência, e o entendimento das obras se aprofunda”, conta Paola Gulin, sócia fundadora da NomadRoots, uma agência de viagens que promove roteiros para destinos que inspiraram grandes obras.
Do sertão mineiro ao coração da Amazônia, passando pela capital paranaense e pelo litoral baiano, o Brasil possui cenários que são tão protagonistas quanto os personagens que habitam as páginas da literatura nacional. Confira alguns destinos que marcam a literatura brasileira:
Amazônia
Com livros que venderam mais de 400 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em 17 países, como Itália, Estados Unidos, França e Espanha, Milton Assi Hatoum é conhecido por relatos contemporâneos da história, nos quais a Amazônia sempre está presente, como os romances “Relato de um Certo Oriente”, “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”. A destruição da região é outra constante, relatada em poemas como “O Fim que Se Aproxima”.
Curitiba (PR)
Conhecido como “Vampiro de Curitiba”, Dalton Trevisan é um dos mais importantes escritores do Brasil e coloca a capital paranaense como cenário de suas histórias. Falecido em 2024, colecionou prêmios como Jabuti, Camões, Machado de Assis e outros, consolidando sua escrita singular. “Novelas Nada Exemplares”, “Cemitério de Elefantes”, “O Vampiro de Curitiba” e a “A Polaquinha” são parte de seu acervo e traduzem uma Curitiba gélida, peculiar e, muitas vezes, provinciana.
Alguns dos endereços que aparecem em seus livros incluem a Rua Ubaldino do Amaral, o bairro Alto da Glória, o centro da cidade e a Boca Maldita, ponto turístico que todo viajante precisa conhecer. A casa onde Trevisan morou, na esquina da Ubaldino do Amaral com a Amintas de Barros, se tornou um ponto turístico não oficial, com fãs visitando o local.
Pantanal
Localizado entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Pantanal é repleto de histórias que fazem parte do imaginário do brasileiro, presente em novelas, livros e outras obras artísticas. O poeta cuiabano Manoel de Barros, por exemplo, em o “Livro de Pré-Coisas: Roteiro para uma Excursão Poética no Pantanal” e em textos autobiográficos, como “Memórias Inventadas”, têm a região como pano de fundo, destacando as belezas e as particularidades de quem ali habita.
Paraíba e Pernambuco
Ariano Suassuna, autor da emblemática obra “O Auto da Compadecida”, que virou filme e série, foi um importante divulgador da cultura nordestina e já representou o Brasil no Prêmio Nobel de Literatura.
No Recife, sua cidade natal, a Zona Norte está presente em suas obras, assim como o bairro do Poço da Panela, onde ele residia na Rua do Chacon. O sertão é outro elemento vibrante, com menções a São José do Belmonte (PE), com a Pedra do Reino (Pedra Bonita), e as paraibanas Taperoá (PB) e Sousa (PB), onde Suassuna passou a infância.
Porto Alegre (RS)
Érico Veríssimo se tornou, por meio da sua escrita simples e direta, um dos autores mais populares do Brasil, sendo o Rio Grande do Sul a sua paixão e Porto Alegre, o cenário de algumas de suas histórias. Em “Noite”, parques, igrejas e o Centro da capital gaúcha são narrados e despertam no leitor a vontade de conhecer de perto estes locais.
Salvador (BA)
O baiano Jorge Amado é um dos autores mais traduzidos do Brasil, além de deter o título de escritor com o maior número de adaptações para o cinema, teatro e televisão. Um dos marcos da teledramaturgia brasileira, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, leva sua assinatura, bem como outros clássicos, como “Tieta” e “Gabriela Cravo e Canela”.
Várias de suas obras se passam em Salvador, incluindo “Mar Morto”, “Jubiabá”, “Bahia de Todos os Santos” e “O País do Carnaval”, retratando o dia a dia da cidade, sua cultura e história.
Vale do Urucuia (MG)
A obra “Grande Sertão Veredas” é emblemática e um marco da literatura nacional e lusófona. A história se passa no sertão do norte e noroeste de Minas Gerais, mais especificamente na região do Vale do Urucuia. O livro também inclui partes de Goiás e Bahia, envolvendo as nascentes do rio Urucuia e áreas próximas ao Rio São Francisco.
O livro é um romance experimental modernista e sua 1ª capa teve a assinatura do consagrado artista Poty Lazarotto. Em maio de 2002, o Clube do Livro da Noruega, entidade que congrega editores noruegueses, incluiu “Grande Sertão: Veredas” em sua lista dos 100 melhores livros de todos os tempos – único brasileiro na lista de 54 países.
Ainda como repercussão da obra, na divisa de Minas Gerais com a Bahia foi criado o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, uma homenagem a Guimarães Rosa, que revela aos viajantes um pouco do universo do autor.
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