Segundo especialista, os principais fatores para o aumento dos trabalhos remotos internacionais são os salários pagos em moedas mais valorizadas e a flexibilidade dada aos profissionais
Está crescendo o percentual de trabalhadores brasileiros contratados por empresas estrangeiras para trabalhos remotos. O crescimento foi de 53% entre 2023 e 2024, de acordo com o relatório “Contratação Internacional e Remota”. Os motivos para esse aumento se referem à parte monetária e à flexibilidade que as empresas internacionais fornecem.
“Os trabalhadores recebem o pagamento em uma moeda mais valorizada que o real, seja em euro ou libra”, explica o professor Ildeberto Aparecido Rodello, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.
Outro motivo, segundo o professor, é a experiência de trabalhar para uma empresa internacional no currículo. “A flexibilidade de horário proporcionada pode ser um outro motivo, uma vez que o profissional pode manter uma flexibilidade de tempo, de rotina, quanto ao seu trabalho”.
Ascensão do home-office
As contratações internacionais no modelo home-office vêm crescendo desde a pandemia. Uma pesquisa feita pela plataforma Husky de transferências internacionais apontou que, em março de 2020, havia 1.251 trabalhadores brasileiros que atuavam no exterior e usavam a plataforma para converter o salário de dólar para reais. No final de novembro de 2022, o número cresceu para 11.284.
Rodello aconselha que os interessados em buscar oportunidades internacionais devem se preparar, “aprender inglês é mandatório, pois essas empresas são multiculturais, com pessoas de diversos países”.
Outro ponto de atenção para os profissionais são as soft skills, ou seja, habilidades comportamentais, emocionais e sociais que determinam como uma pessoa reage em determinadas situações, “principalmente em relação à capacidade de se relacionar e ter flexibilidade nas adaptações”, explica o professor.
Prós e contras dos trabalhos remotos
(Imagem ilustrativa | Crédito: Freepik)
De acordo com o relatório realizado pela Deel (plataforma de recursos humanos para equipes globais), os setores mais beneficiados são os de tecnologia e de engenharia de software, como aconteceu com o programador Samuel Joaquim, de Ribeirão Preto.
Sem sair de casa, ele trabalhou por três anos como desenvolvedor de software em uma startup da área da saúde sediada no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Ele afirma que uma das principais vantagens é o salário, “bastante atraente, pago em dólar, e tem a experiência de trabalhar diretamente para uma startup na região que é considerada o epicentro da inovação na área da tecnologia há muitos anos”.
Entretanto, Joaquim destaca que outros benefícios acabam sendo limitados. “Não tem plano de saúde, FGTS, 13º…, por isso é necessário se planejar antecipadamente”.
Em relação aos desafios, o programador lembra que um dos principais desafios durante o processo de contratação e adaptação foi se comunicar na língua oficial da empresa. “Não precisa ter um inglês perfeito para ser contratado, mas precisa conseguir entender muito bem e fazer com que outras pessoas nos entendam. Podemos até errar uma pronúncia ou esquecer outra palavra, mas é importante saber contornar para que a mensagem seja compreendida”.
Joaquim garante que espera continuar trabalhando dessa forma no futuro, mas que não descarta oportunidades no Brasil. “Estamos com uma cultura crescente de startups de tecnologia aqui, inclusive trabalhei em algumas. Se você começar a trabalhar bem no começo dessa startup, significa que você pode ajudar a moldar a empresa, ter mais voz, decidir caminhos para seguir no começo, e isso é muito legal”.
* A partir das informações de Analice Candioto, para o Jornal da USP
Contratações para trabalhos remotos internacionais crescem 53% no Brasil
Segundo especialista, os principais fatores para o aumento dos trabalhos remotos internacionais são os salários pagos em moedas mais valorizadas e a flexibilidade dada aos profissionais
Está crescendo o percentual de trabalhadores brasileiros contratados por empresas estrangeiras para trabalhos remotos. O crescimento foi de 53% entre 2023 e 2024, de acordo com o relatório “Contratação Internacional e Remota”. Os motivos para esse aumento se referem à parte monetária e à flexibilidade que as empresas internacionais fornecem.
“Os trabalhadores recebem o pagamento em uma moeda mais valorizada que o real, seja em euro ou libra”, explica o professor Ildeberto Aparecido Rodello, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.
Outro motivo, segundo o professor, é a experiência de trabalhar para uma empresa internacional no currículo. “A flexibilidade de horário proporcionada pode ser um outro motivo, uma vez que o profissional pode manter uma flexibilidade de tempo, de rotina, quanto ao seu trabalho”.
Ascensão do home-office
As contratações internacionais no modelo home-office vêm crescendo desde a pandemia. Uma pesquisa feita pela plataforma Husky de transferências internacionais apontou que, em março de 2020, havia 1.251 trabalhadores brasileiros que atuavam no exterior e usavam a plataforma para converter o salário de dólar para reais. No final de novembro de 2022, o número cresceu para 11.284.
Rodello aconselha que os interessados em buscar oportunidades internacionais devem se preparar, “aprender inglês é mandatório, pois essas empresas são multiculturais, com pessoas de diversos países”.
Outro ponto de atenção para os profissionais são as soft skills, ou seja, habilidades comportamentais, emocionais e sociais que determinam como uma pessoa reage em determinadas situações, “principalmente em relação à capacidade de se relacionar e ter flexibilidade nas adaptações”, explica o professor.
Prós e contras dos trabalhos remotos
De acordo com o relatório realizado pela Deel (plataforma de recursos humanos para equipes globais), os setores mais beneficiados são os de tecnologia e de engenharia de software, como aconteceu com o programador Samuel Joaquim, de Ribeirão Preto.
Sem sair de casa, ele trabalhou por três anos como desenvolvedor de software em uma startup da área da saúde sediada no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Ele afirma que uma das principais vantagens é o salário, “bastante atraente, pago em dólar, e tem a experiência de trabalhar diretamente para uma startup na região que é considerada o epicentro da inovação na área da tecnologia há muitos anos”.
Entretanto, Joaquim destaca que outros benefícios acabam sendo limitados. “Não tem plano de saúde, FGTS, 13º…, por isso é necessário se planejar antecipadamente”.
Em relação aos desafios, o programador lembra que um dos principais desafios durante o processo de contratação e adaptação foi se comunicar na língua oficial da empresa. “Não precisa ter um inglês perfeito para ser contratado, mas precisa conseguir entender muito bem e fazer com que outras pessoas nos entendam. Podemos até errar uma pronúncia ou esquecer outra palavra, mas é importante saber contornar para que a mensagem seja compreendida”.
Joaquim garante que espera continuar trabalhando dessa forma no futuro, mas que não descarta oportunidades no Brasil. “Estamos com uma cultura crescente de startups de tecnologia aqui, inclusive trabalhei em algumas. Se você começar a trabalhar bem no começo dessa startup, significa que você pode ajudar a moldar a empresa, ter mais voz, decidir caminhos para seguir no começo, e isso é muito legal”.
* A partir das informações de Analice Candioto, para o Jornal da USP
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