A mudança de ciclos não é um presente, é uma consequência; não é algo que acontece com você, é algo que você provoca
Por Marina Kocourek*
“Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo… É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”
– Carlos Drummond de Andrade
Essa foi a mensagem que enviei a todos meus amigos no fim do ano, mas, por aqui, eu gostaria de explicar o porquê.
Existe algo quase confortável em desejar um “Feliz Ano Novo”. A gente brinda, sorri, abraça, faz listas, promete. E, no fundo, espera. Espera que o ano seja gentil, que a vida melhore, que as coisas se ajeitem, que a saúde volte, que as relações se acertem, que a coragem apareça.
Mas o que Drummond faz – com a delicadeza de quem diz verdades difíceis – é nos tirar desse lugar passivo. Ele não fala de calendário; ele fala de postura. Ele não fala de sorte; fala de responsabilidade. O Ano Novo, segundo ele, não é recebido; é construído.
Isso é desconfortável porque nos obriga a encarar uma pergunta que evitamos: o que, exatamente, precisamos mudar e continuamos adiando?
Mudar hábitos de saúde, por exemplo, não é sobre dieta de janeiro ou academia de fevereiro. É sobre parar de negociar com o próprio corpo; sobre parar de normalizar o cansaço constante, a falta de energia, o descuido diário; sobre entender que o corpo não é cenário da nossa vida, é o protagonista, a nossa casa, o nosso templo. E que ignorá-lo cobra juros.
Mudar as pessoas com quem convivemos também é um ato de coragem. Nem toda relação precisa ser eterna, nem toda presença merece permanência. Às vezes, insistimos em vínculos que nos diminuem, nos drenam, nos silenciam, por medo, por hábito, por lealdades antigas que já não fazem sentido. Escolher com quem caminhar é uma das formas mais poderosas de mudar de direção, pois acredito que somos moldados pelo nosso entorno.
Mudar decisões é, talvez, o mais difícil. Porque exige admitir que certas escolhas não nos levam mais a lugar nenhum; que alguns caminhos já deram o que tinham que dar; que continuar ali é confortável, mas não é honesto.
A grande armadilha do Ano Novo é a ilusão da virada automática. Como se o simples fato de mudar o número no calendário tivesse o poder mágico de nos transformar. Não tem. O que transforma é ação repetida, a conversa difícil, o limite colocado, a rotina revista, a disciplina, o desapego e a coragem.
Acredito ser exatamente isso que Drummond estava dizendo, sem rodeios: o Ano Novo não é um presente, é uma consequência; não é algo que acontece com você, é algo que você provoca. Quando ele escreve “tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo”, ele está falando de atitude, não de esperança; de ação, não de desejo; de responsabilidade, não de sorte ou acaso.
E quando diz que o Ano Novo “cochila dentro de você”, está sendo ainda mais direto que parece: tudo o que você precisa para mudar já está aí. Você já sabe o que te faz mal, já sabe o que te paralisa, já sabe o que precisa ser cortado, revisto, enfrentado. O problema nunca foi falta de clareza: sempre foi falta de decisão. E ele e nós sabemos que não é fácil.
Drummond não romantiza, porque ele responsabiliza. Ele não promete facilidade e exige movimento. Ele nos tira da posição confortável de quem espera e nos coloca no lugar incômodo de quem faz. Porque, no fim, não existe Ano Novo para quem insiste em viver do mesmo jeito. Existe apenas mais um ano.
Novo, só para quem tem coragem de se tornar. E essa coragem tem que ser maior que o medo.
Feliz 2026, desejo coragem aos meus leitores e saúde para enfrentar e curtir mais um ano. Novo… se você fizer acontecer!
* Marina Kocourek é atleta e empresária no comando da 220Volts, uma agência de viagens que busca levar grupos de mulheres para correr em diferentes lugares do mundo.
O Ano Novo não acontece, ele é provocado
A mudança de ciclos não é um presente, é uma consequência; não é algo que acontece com você, é algo que você provoca
Por Marina Kocourek*
Essa foi a mensagem que enviei a todos meus amigos no fim do ano, mas, por aqui, eu gostaria de explicar o porquê.
Existe algo quase confortável em desejar um “Feliz Ano Novo”. A gente brinda, sorri, abraça, faz listas, promete. E, no fundo, espera. Espera que o ano seja gentil, que a vida melhore, que as coisas se ajeitem, que a saúde volte, que as relações se acertem, que a coragem apareça.
Mas o que Drummond faz – com a delicadeza de quem diz verdades difíceis – é nos tirar desse lugar passivo. Ele não fala de calendário; ele fala de postura. Ele não fala de sorte; fala de responsabilidade. O Ano Novo, segundo ele, não é recebido; é construído.
Isso é desconfortável porque nos obriga a encarar uma pergunta que evitamos: o que, exatamente, precisamos mudar e continuamos adiando?
Mudar hábitos de saúde, por exemplo, não é sobre dieta de janeiro ou academia de fevereiro. É sobre parar de negociar com o próprio corpo; sobre parar de normalizar o cansaço constante, a falta de energia, o descuido diário; sobre entender que o corpo não é cenário da nossa vida, é o protagonista, a nossa casa, o nosso templo. E que ignorá-lo cobra juros.
Mudar as pessoas com quem convivemos também é um ato de coragem. Nem toda relação precisa ser eterna, nem toda presença merece permanência. Às vezes, insistimos em vínculos que nos diminuem, nos drenam, nos silenciam, por medo, por hábito, por lealdades antigas que já não fazem sentido. Escolher com quem caminhar é uma das formas mais poderosas de mudar de direção, pois acredito que somos moldados pelo nosso entorno.
Mudar decisões é, talvez, o mais difícil. Porque exige admitir que certas escolhas não nos levam mais a lugar nenhum; que alguns caminhos já deram o que tinham que dar; que continuar ali é confortável, mas não é honesto.
A grande armadilha do Ano Novo é a ilusão da virada automática. Como se o simples fato de mudar o número no calendário tivesse o poder mágico de nos transformar. Não tem. O que transforma é ação repetida, a conversa difícil, o limite colocado, a rotina revista, a disciplina, o desapego e a coragem.
Acredito ser exatamente isso que Drummond estava dizendo, sem rodeios: o Ano Novo não é um presente, é uma consequência; não é algo que acontece com você, é algo que você provoca. Quando ele escreve “tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo”, ele está falando de atitude, não de esperança; de ação, não de desejo; de responsabilidade, não de sorte ou acaso.
E quando diz que o Ano Novo “cochila dentro de você”, está sendo ainda mais direto que parece: tudo o que você precisa para mudar já está aí. Você já sabe o que te faz mal, já sabe o que te paralisa, já sabe o que precisa ser cortado, revisto, enfrentado. O problema nunca foi falta de clareza: sempre foi falta de decisão. E ele e nós sabemos que não é fácil.
Drummond não romantiza, porque ele responsabiliza. Ele não promete facilidade e exige movimento. Ele nos tira da posição confortável de quem espera e nos coloca no lugar incômodo de quem faz. Porque, no fim, não existe Ano Novo para quem insiste em viver do mesmo jeito. Existe apenas mais um ano.
Novo, só para quem tem coragem de se tornar. E essa coragem tem que ser maior que o medo.
Feliz 2026, desejo coragem aos meus leitores e saúde para enfrentar e curtir mais um ano. Novo… se você fizer acontecer!
* Marina Kocourek é atleta e empresária no comando da 220Volts, uma agência de viagens que busca levar grupos de mulheres para correr em diferentes lugares do mundo.
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