Como esta é a nossa 1ª conversa aqui no Portal Zumm, quero colocar todo mundo na mesma página: como chegamos até aqui, o que de fato mudou e onde mora o perigo para quem decide investir agora
Por Olsen Rodrigo*
Cinco anos atrás, o mundo parou. E foi exatamente quando o mercado de tecnologia começou a girar mais rápido que nunca.
Eu acompanhei essa virada de dentro. Vi projetos que viviam engavetados ganharem orçamento da noite para o dia, vi salários da minha área dispararem e vi a conta dessa euforia chegar com juros. Agora, com a inteligência artificial no centro de toda conversa de negócio, estamos repetindo padrões que já vimos.
E como esta é a nossa 1ª conversa aqui no Portal Zumm, quero usar este espaço para colocar todo mundo na mesma página: como chegamos até aqui, o que de fato mudou e onde mora o perigo para quem decide investir agora.
Vou ser o que costumo chamar de “cético construtivo”: não sou o anti-IA que torce o nariz para a tecnologia, nem o entusiasta que promete revolução em todo post. Trabalho com isso todos os dias e conheço a engenharia por dentro. É justamente por isso que sei separar o que entrega resultado do que é só barulho.
Quando a casa virou escritório (e o Brasil virou mão de obra global)
A pandemia obrigou todo mundo a ficar em casa. Comércios fecharam, negócios foram ceifados, e o home office, que até então era um benefício chique oferecido por poucas empresas, virou regra da noite para o dia.
Pensa no que aconteceu com o dinheiro das pessoas. Com medo de ver a reserva derreter ou de não estar aqui amanhã, muita gente parou de poupar e começou a gastar: reforma de casa, troca de carro, móvel novo para deixar o ambiente mais confortável naquele confinamento todo.
Com as empresas, foi parecido. Impedidas de operar presencialmente, com caixa contido e cheias de incerteza, elas fizeram o que pareceu mais seguro: investir em tecnologia. Tiraram da gaveta aqueles projetos digitais que nunca eram aprovados.
E aqui entra o ponto que mudou o jogo. As profissões digitais (marketing, vendas e, principalmente, tecnologia) explodiram. O profissional que já trabalhava remoto, antes restrito a um mercado regional, de repente atendia o Brasil inteiro. E depois o mundo. Gigantes internacionais descobriram o talento brasileiro: nossa proficiência técnica somada a uma criatividade que é marca registrada do nosso povo.
Resultado? Empresas de fora começaram a contratar gente daqui pagando em dólar. Foi quando o mercado de tecnologia inflacionou. E não foram só os salários internacionais: toda a carreira em tech teve seus valores puxados para cima. Para você ter ideia da escala dessa onda, um desenvolvedor sênior back-end que começava ganhando cerca de R$8.600 em 2021 saltou para mais de R$10.700 já em 2022. Subiu rápido, subiu demais.
A conta sempre chega: a uberização do mercado de tecnologia
Toda bolha tem uma coisa em comum: ela estoura.
Os layoffs vieram logo depois e mostraram quanto dinheiro tinha sido desperdiçado. Só nos primeiros meses de 2023, o mundo viu mais de 270 mil demissões no mercado de tecnologia, um disparo de quase 400% em relação ao ano anterior. Aqui no Brasil, o investimento em startups despencou 86% no 1º trimestre de 2023 frente ao mesmo período de 2022. A festa acabou de uma vez.
Mas tem uma camada a mais nessa história e é a que vai amarrar tudo no fim. Enquanto os salários estavam nas alturas, gente de outras áreas, impedida de trabalhar no que fazia, olhou para aquele mercado dourado e correu para os cursos rápidos de programação, cursos online de poucos meses prometendo recolocação em tech. E muitos desses recém-chegados foram contratados a peso de ouro, sem experiência nenhuma, só porque a demanda era altíssima e não havia gente suficiente.
Você consegue ver o efeito bola de neve? Inflação de salários, layoffs em massa e uma multidão de novos profissionais despejada no mercado de tecnologia sem o preparo técnico necessário. Eu chamo esse fenômeno de “uberização da tecnologia“: a porta de entrada ficou tão fácil e tão rápida que a qualidade média da mão de obra caiu. Guarde essa imagem, porque ela volta.
A nova revolução industrial não tem fábrica
E aí, quando a poeira da bolha mal tinha assentado, chegou a inteligência artificial generativa.
Estamos diante de algo que dá para comparar a uma nova revolução industrial. A diferença é que agora ela não acontece no chão de fábrica e sim no mundo digital. Os modelos de IA de mais ou menos um ano e meio para cá têm uma capacidade de processar texto, manter contexto e gerar conteúdo que é, sem exagero, impressionante.
No desenvolvimento de software, o ganho é concreto e mensurável. Estudo do próprio GitHub com 4.800 desenvolvedores mostrou que quem usa assistentes de IA completa tarefas de código até 55% mais rápido, e que 84% não voltariam a trabalhar sem a ferramenta. Uma pesquisa conduzida com times da Microsoft e da Accenture apontou aumento de 26% nas tarefas concluídas. Isso não é promessa de palco; é produtividade que aparece na entrega.
Mas não vou me aprofundar nisso agora. Vamos ter muito tempo juntos pela frente para destrinchar a IA aplicada a cada setor: saúde, varejo, imobiliário, agro. Por ora, segura essa ideia: a ferramenta é real e é poderosa.
O hype, os gurus e o FOMO do empresário
O problema não é a IA; é o que construíram em volta dela.
A inteligência artificial ganhou um hype tremendo. Parte dele é merecida, eu acabei de mostrar os números. Mas boa parte é exagero puro. Você já deve ter ouvido por aí o discurso de que “quem não usar IA vai quebrar” ou que “seu concorrente já está usando e você não”. Frases jogadas ao vento que criam um efeito poderoso: o FOMO, o medo de ficar de fora.
Isso não é exclusividade das capitais. Aqui no interior, com nosso mercado robusto de pequenas e médias empresas, o sentimento é o mesmo: quem não tem pelo menos “uma solução de IA” se sente fora da realidade. E é exatamente nessa ansiedade que mora o perigo.
Porque, junto com a tecnologia, surgiu um exército de gurus e charlatães vendendo revolução empresarial com IA. Na prática, o máximo que muitos dominam é montar um fluxo automatizado num construtor gráfico como o n8n. É uma ferramenta excelente, diga-se, mas que está longe de ser a “transformação completa” que prometem. Esses vendedores empacotam cursos e mentorias e vêm escalando a ignorância no mercado. Quem paga a conta é o empresário que confiou.
Vibe coding: a porta que abre e a armadilha que esconde
Tem ainda um ingrediente novo no mercado de tecnologia que potencializou tudo: o vibe coding.
É a possibilidade de qualquer pessoa, mesmo sem ser programadora, criar sistemas e aplicativos apenas instruindo a IA em linguagem natural. O termo foi cunhado pelo cofundador da OpenAI, Andrej Karpathy, e tem um lado muito bom. Pessoas com visão de negócio começaram a construir soluções pensando no problema real, não na técnica. O desenvolvedor clássico muitas vezes funciona como um pizzaiolo: recebe o pedido, monta e assa. O vibe coding desloca o foco do “como fazer” (os bits, a linguagem, a sintaxe) para o “o que isso resolve no negócio”. Isso é ótimo.
Mas agora lembra da uberização e do efeito bola de neve pós-pandemia? Pois é. A conta chegou. Temos hoje profissionais com três, quatro anos de carreira que não dominam os princípios básicos da engenharia de software: arquitetura, segurança, compliance, escalabilidade. Coisas que se aprende ao longo de uma graduação de quatro ou cinco anos. E o pessoal do vibe coding, que nem técnico é, também não domina.
Aqui está o detalhe que ninguém conta: a IA trabalha por instrução. Ela faz o que você manda, não o que você espera que ela faça. Se você não sabe pedir arquitetura segura, escalável e em conformidade, ela simplesmente não vai entregar. Vai produzir algo incompleto e raso, e parecer pronto. Foi assim que surgiram empresas vendendo “soluções” rápidas e baratíssimas que, no fundo, são protótipos navegáveis. Você colocaria a operação inteira do seu negócio em cima de um protótipo?
Na contramão, há também o desenvolvedor clássico que resiste à IA por se sentir ameaçado, querendo provar proficiência do jeito antigo. Esse também vai ficar para trás. A nova realidade é avassaladora, e quem não se adaptar à ferramenta perde espaço. Deu para entender a loucura em que estamos?
A visão sóbria: nem todo negócio precisa de IA
Depois de toda essa montanha-russa, fica a parte que mais importa para você que decide onde colocar seu dinheiro: todo negócio é passível de adotar uma ferramenta de IA. Mas nem todo negócio precisa de uma.
Então: cuidado com o FOMO, cuidado com os gurus, cuidado com o que parece fácil e rápido demais. Se alguém promete um sistema sob medida do porte de um SAP em duas semanas por uma pechincha, desconfie. Você compraria uma casa sem projeto arquitetônico e sem cálculo de engenharia? Software sério obedece às mesmas premissas.
E aqui está a boa notícia, porque toda crise abre oportunidade. Existe um oceano azul gigante para quem dominar a ferramenta sem esquecer o básico da engenharia. A IA finalmente permite que as empresas parem de se espremer dentro de sistemas de prateleira que nunca cobrem todos os seus processos. Cada empresa é única. Por que forçar todas no mesmo molde? Dá para ter soluções personalizadas, feitas sob medida para a realidade do negócio. E isso deixa de ser custo para virar ativo da empresa.
Olsen Rodrigo
A IA é uma ferramenta poderosa, mas não deixa de ser uma ferramenta. Ela é meio, não fim. E sem arquitetura, sem processo e sem dados organizados, ela só acelera a bagunça. Quem entender isso primeiro não vai apenas surfar a onda: vai construir algo que dura.
Vamos conversar bastante por aqui. Esse é só o começo.
* Olsen Rodrigo é CEO e fundador da Sintetiza AI. Com 17 anos dedicados à tecnologia em saúde, passando pela Matrix Saúde e por posições C-level (CPO/CTO) no AmorSaúde, hoje aplica inteligência artificial para automatizar e integrar a operação de empresas de diversos setores. É professor de IA aplicada a negócios, conselheiro e coautor de livros sobre liderança, produto e tecnologia. Defende uma IA que amplifica o potencial humano em vez de substituí-lo.
Da pandemia ao hype da IA: o que mudou no mercado de tecnologia (e por que isso importa para a sua empresa)
Como esta é a nossa 1ª conversa aqui no Portal Zumm, quero colocar todo mundo na mesma página: como chegamos até aqui, o que de fato mudou e onde mora o perigo para quem decide investir agora
Por Olsen Rodrigo*
Cinco anos atrás, o mundo parou. E foi exatamente quando o mercado de tecnologia começou a girar mais rápido que nunca.
Eu acompanhei essa virada de dentro. Vi projetos que viviam engavetados ganharem orçamento da noite para o dia, vi salários da minha área dispararem e vi a conta dessa euforia chegar com juros. Agora, com a inteligência artificial no centro de toda conversa de negócio, estamos repetindo padrões que já vimos.
E como esta é a nossa 1ª conversa aqui no Portal Zumm, quero usar este espaço para colocar todo mundo na mesma página: como chegamos até aqui, o que de fato mudou e onde mora o perigo para quem decide investir agora.
Vou ser o que costumo chamar de “cético construtivo”: não sou o anti-IA que torce o nariz para a tecnologia, nem o entusiasta que promete revolução em todo post. Trabalho com isso todos os dias e conheço a engenharia por dentro. É justamente por isso que sei separar o que entrega resultado do que é só barulho.
Quando a casa virou escritório (e o Brasil virou mão de obra global)
A pandemia obrigou todo mundo a ficar em casa. Comércios fecharam, negócios foram ceifados, e o home office, que até então era um benefício chique oferecido por poucas empresas, virou regra da noite para o dia.
Pensa no que aconteceu com o dinheiro das pessoas. Com medo de ver a reserva derreter ou de não estar aqui amanhã, muita gente parou de poupar e começou a gastar: reforma de casa, troca de carro, móvel novo para deixar o ambiente mais confortável naquele confinamento todo.
Com as empresas, foi parecido. Impedidas de operar presencialmente, com caixa contido e cheias de incerteza, elas fizeram o que pareceu mais seguro: investir em tecnologia. Tiraram da gaveta aqueles projetos digitais que nunca eram aprovados.
E aqui entra o ponto que mudou o jogo. As profissões digitais (marketing, vendas e, principalmente, tecnologia) explodiram. O profissional que já trabalhava remoto, antes restrito a um mercado regional, de repente atendia o Brasil inteiro. E depois o mundo. Gigantes internacionais descobriram o talento brasileiro: nossa proficiência técnica somada a uma criatividade que é marca registrada do nosso povo.
Resultado? Empresas de fora começaram a contratar gente daqui pagando em dólar. Foi quando o mercado de tecnologia inflacionou. E não foram só os salários internacionais: toda a carreira em tech teve seus valores puxados para cima. Para você ter ideia da escala dessa onda, um desenvolvedor sênior back-end que começava ganhando cerca de R$8.600 em 2021 saltou para mais de R$10.700 já em 2022. Subiu rápido, subiu demais.
A conta sempre chega: a uberização do mercado de tecnologia
Toda bolha tem uma coisa em comum: ela estoura.
Os layoffs vieram logo depois e mostraram quanto dinheiro tinha sido desperdiçado. Só nos primeiros meses de 2023, o mundo viu mais de 270 mil demissões no mercado de tecnologia, um disparo de quase 400% em relação ao ano anterior. Aqui no Brasil, o investimento em startups despencou 86% no 1º trimestre de 2023 frente ao mesmo período de 2022. A festa acabou de uma vez.
Mas tem uma camada a mais nessa história e é a que vai amarrar tudo no fim. Enquanto os salários estavam nas alturas, gente de outras áreas, impedida de trabalhar no que fazia, olhou para aquele mercado dourado e correu para os cursos rápidos de programação, cursos online de poucos meses prometendo recolocação em tech. E muitos desses recém-chegados foram contratados a peso de ouro, sem experiência nenhuma, só porque a demanda era altíssima e não havia gente suficiente.
Você consegue ver o efeito bola de neve? Inflação de salários, layoffs em massa e uma multidão de novos profissionais despejada no mercado de tecnologia sem o preparo técnico necessário. Eu chamo esse fenômeno de “uberização da tecnologia“: a porta de entrada ficou tão fácil e tão rápida que a qualidade média da mão de obra caiu. Guarde essa imagem, porque ela volta.
A nova revolução industrial não tem fábrica
E aí, quando a poeira da bolha mal tinha assentado, chegou a inteligência artificial generativa.
Estamos diante de algo que dá para comparar a uma nova revolução industrial. A diferença é que agora ela não acontece no chão de fábrica e sim no mundo digital. Os modelos de IA de mais ou menos um ano e meio para cá têm uma capacidade de processar texto, manter contexto e gerar conteúdo que é, sem exagero, impressionante.
No desenvolvimento de software, o ganho é concreto e mensurável. Estudo do próprio GitHub com 4.800 desenvolvedores mostrou que quem usa assistentes de IA completa tarefas de código até 55% mais rápido, e que 84% não voltariam a trabalhar sem a ferramenta. Uma pesquisa conduzida com times da Microsoft e da Accenture apontou aumento de 26% nas tarefas concluídas. Isso não é promessa de palco; é produtividade que aparece na entrega.
Mas não vou me aprofundar nisso agora. Vamos ter muito tempo juntos pela frente para destrinchar a IA aplicada a cada setor: saúde, varejo, imobiliário, agro. Por ora, segura essa ideia: a ferramenta é real e é poderosa.
O hype, os gurus e o FOMO do empresário
O problema não é a IA; é o que construíram em volta dela.
A inteligência artificial ganhou um hype tremendo. Parte dele é merecida, eu acabei de mostrar os números. Mas boa parte é exagero puro. Você já deve ter ouvido por aí o discurso de que “quem não usar IA vai quebrar” ou que “seu concorrente já está usando e você não”. Frases jogadas ao vento que criam um efeito poderoso: o FOMO, o medo de ficar de fora.
Isso não é exclusividade das capitais. Aqui no interior, com nosso mercado robusto de pequenas e médias empresas, o sentimento é o mesmo: quem não tem pelo menos “uma solução de IA” se sente fora da realidade. E é exatamente nessa ansiedade que mora o perigo.
Porque, junto com a tecnologia, surgiu um exército de gurus e charlatães vendendo revolução empresarial com IA. Na prática, o máximo que muitos dominam é montar um fluxo automatizado num construtor gráfico como o n8n. É uma ferramenta excelente, diga-se, mas que está longe de ser a “transformação completa” que prometem. Esses vendedores empacotam cursos e mentorias e vêm escalando a ignorância no mercado. Quem paga a conta é o empresário que confiou.
Vibe coding: a porta que abre e a armadilha que esconde
Tem ainda um ingrediente novo no mercado de tecnologia que potencializou tudo: o vibe coding.
É a possibilidade de qualquer pessoa, mesmo sem ser programadora, criar sistemas e aplicativos apenas instruindo a IA em linguagem natural. O termo foi cunhado pelo cofundador da OpenAI, Andrej Karpathy, e tem um lado muito bom. Pessoas com visão de negócio começaram a construir soluções pensando no problema real, não na técnica. O desenvolvedor clássico muitas vezes funciona como um pizzaiolo: recebe o pedido, monta e assa. O vibe coding desloca o foco do “como fazer” (os bits, a linguagem, a sintaxe) para o “o que isso resolve no negócio”. Isso é ótimo.
Mas agora lembra da uberização e do efeito bola de neve pós-pandemia? Pois é. A conta chegou. Temos hoje profissionais com três, quatro anos de carreira que não dominam os princípios básicos da engenharia de software: arquitetura, segurança, compliance, escalabilidade. Coisas que se aprende ao longo de uma graduação de quatro ou cinco anos. E o pessoal do vibe coding, que nem técnico é, também não domina.
Aqui está o detalhe que ninguém conta: a IA trabalha por instrução. Ela faz o que você manda, não o que você espera que ela faça. Se você não sabe pedir arquitetura segura, escalável e em conformidade, ela simplesmente não vai entregar. Vai produzir algo incompleto e raso, e parecer pronto. Foi assim que surgiram empresas vendendo “soluções” rápidas e baratíssimas que, no fundo, são protótipos navegáveis. Você colocaria a operação inteira do seu negócio em cima de um protótipo?
Na contramão, há também o desenvolvedor clássico que resiste à IA por se sentir ameaçado, querendo provar proficiência do jeito antigo. Esse também vai ficar para trás. A nova realidade é avassaladora, e quem não se adaptar à ferramenta perde espaço. Deu para entender a loucura em que estamos?
A visão sóbria: nem todo negócio precisa de IA
Depois de toda essa montanha-russa, fica a parte que mais importa para você que decide onde colocar seu dinheiro: todo negócio é passível de adotar uma ferramenta de IA. Mas nem todo negócio precisa de uma.
Então: cuidado com o FOMO, cuidado com os gurus, cuidado com o que parece fácil e rápido demais. Se alguém promete um sistema sob medida do porte de um SAP em duas semanas por uma pechincha, desconfie. Você compraria uma casa sem projeto arquitetônico e sem cálculo de engenharia? Software sério obedece às mesmas premissas.
E aqui está a boa notícia, porque toda crise abre oportunidade. Existe um oceano azul gigante para quem dominar a ferramenta sem esquecer o básico da engenharia. A IA finalmente permite que as empresas parem de se espremer dentro de sistemas de prateleira que nunca cobrem todos os seus processos. Cada empresa é única. Por que forçar todas no mesmo molde? Dá para ter soluções personalizadas, feitas sob medida para a realidade do negócio. E isso deixa de ser custo para virar ativo da empresa.
A IA é uma ferramenta poderosa, mas não deixa de ser uma ferramenta. Ela é meio, não fim. E sem arquitetura, sem processo e sem dados organizados, ela só acelera a bagunça. Quem entender isso primeiro não vai apenas surfar a onda: vai construir algo que dura.
Vamos conversar bastante por aqui. Esse é só o começo.
* Olsen Rodrigo é CEO e fundador da Sintetiza AI. Com 17 anos dedicados à tecnologia em saúde, passando pela Matrix Saúde e por posições C-level (CPO/CTO) no AmorSaúde, hoje aplica inteligência artificial para automatizar e integrar a operação de empresas de diversos setores. É professor de IA aplicada a negócios, conselheiro e coautor de livros sobre liderança, produto e tecnologia. Defende uma IA que amplifica o potencial humano em vez de substituí-lo.
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