Carla Petenusci constrói um negócio onde criatividade, disciplina e propósito caminham juntos
Ao longo das histórias que compartilho nesta coluna, percebo que existe uma crença que acompanha muitos empreendedores criativos: a de que talento é suficiente para sustentar um negócio. Só que a experiência mostra justamente o contrário: talento abre portas. Mas é a disciplina que mantém essas portas abertas.
A trajetória de Carla Petenusci é um exemplo interessante dessa combinação. Professora universitária há mais de duas décadas, palestrante, mentora de artesãs e fundadora da marca Carla Petenusci Bags (@carlapetenusci_bags), ela construiu sua trajetória unindo conhecimento acadêmico e prática empreendedora no universo do slow fashion.
O desafio invisível chamado “tempo”
Carla Petenusci | Crédito: Reprodução do Instagram
Quando pergunto a Carla sobre o maior obstáculo da sua jornada, sua resposta não envolve mercado, concorrência ou investimento, envolve o tempo. “Empreender nesse setor exige integralmente a atuação do designer”.
Dessa forma, conciliar o ateliê de bolsas autorais com docência universitária, palestras, mentorias e a vida pessoal exigiu uma reorganização profunda da rotina e a obrigou “rever minha capacidade de organização e criar uma disciplina diária com uma agenda de prioridades”, explica.
Foi um processo que trouxe mais foco, objetividade e produtividade. Afinal, mais que administrar um negócio, Carla precisou aprender a administrar sua energia.
Um novo caminho
Um dos momentos mais delicados desse aprendizado veio com a redução da demanda pelas peças artesanais e a diminuição da carga horária na universidade. Mas foi justamente nesse cenário que surgiu uma oportunidade inesperada, quando Carla percebeu que muitos artistas e artesãos enfrentavam dificuldades para transformar talento em negócio.
“Como eu já tinha conhecimento, habilidade e maturidade para solucionar essas questões, comecei a oferecer assessoria para esse perfil de empreendedor. Consegui unir minha capacidade empreendedora com o meu conhecimento acadêmico”.
O que nasceu como uma resposta à crise tornou-se uma nova frente de atuação. Hoje, ela conduz grupos de mentoria e assessoria para empreendedores do universo artesanal, ajudando outros criativos a estruturarem seus negócios.
Aprender a dizer “não”
Na sua trajetória, a necessidade de tomada de decisões foi uma das principais professoras: “aprendi a dizer ‘não’ sem culpa. E hoje faço uma análise racional antes de assumir novos projetos”, destaca.
Pode parecer simples, mas para muitos empreendedores criativos essa é uma habilidade difícil de desenvolver. Ao longo do tempo, Carla passou a ouvir críticas e opiniões com mais atenção, mas sem absorver tudo indiscriminadamente. Também deixou de aceitar qualquer projeto que surgia pelo caminho.
Esse posicionamento permitiu preservar o foco e fortalecer o propósito do negócio.
Somou-se a esse aprendizado outro que veio de uma tentativa anterior de empreender, quando Carla ainda produzia trabalhos manuais sem uma identidade clara, como ela lembra. “Eu não tinha um portfólio definido nem uma linha de produção estruturada”. E essa falta de direcionamento dificultava o crescimento.
Atualmente, ela vê a importância de construir uma identidade forte para a marca e de estabelecer processos, mesmo em um negócio artesanal. “Planejo duas coleções anuais e, depois que elas estão prontas, me permito experimentar novas ideias. Dessa maneira eu inovo com controle e propósito”, garante.
A força de acreditar no próprio repertório
A grande virada aconteceu ao ser convidada para palestrar sobre empreendedorismo artesanal em diversas cidades da região. A oportunidade trouxe entusiasmo, mas também insegurança.
“Fiquei curiosa para entender o que o público esperava de mim. Contudo, eu sabia que tinha 20 anos de experiência em docência, presença de palco, habilidade didática e vivência empreendedora”.
Produtos Carla Petenusci Bags
Ao olhar para sua própria trajetória e fazer uma preparação cuidadosa, ganhou confiança. As palestras foram bem recebidas e abriram portas para novos projetos, eventos e parcerias.
O mito do artesanato
Talvez, diante de tudo isso, uma das reflexões mais interessantes de Carla esteja relacionada a um preconceito recorrente, já que “muita gente acredita que empreender no mercado artesanal não gera resultado financeiro”, conta.
Entretanto, a experiência dela mostra outra realidade e que o problema raramente está no setor. “Está muito mais relacionado ao empreendedor que está por trás do negócio”, garante.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
Por isso, sua história me lembra que criatividade e organização não são opostos. Quando caminham juntas, transformam talento em resultado.
No fim, empreender é exatamente isso: transformar aquilo que fazemos com paixão em algo capaz de gerar valor, continuidade e impacto. “Mesmo tendo talento, é necessário ter organização e disciplina para gerenciar um negócio. Apenas o talento não sustenta um empreendimento”, aconselha a empreendedora.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Quando o talento encontra método
Carla Petenusci constrói um negócio onde criatividade, disciplina e propósito caminham juntos
Ao longo das histórias que compartilho nesta coluna, percebo que existe uma crença que acompanha muitos empreendedores criativos: a de que talento é suficiente para sustentar um negócio. Só que a experiência mostra justamente o contrário: talento abre portas. Mas é a disciplina que mantém essas portas abertas.
A trajetória de Carla Petenusci é um exemplo interessante dessa combinação. Professora universitária há mais de duas décadas, palestrante, mentora de artesãs e fundadora da marca Carla Petenusci Bags (@carlapetenusci_bags), ela construiu sua trajetória unindo conhecimento acadêmico e prática empreendedora no universo do slow fashion.
O desafio invisível chamado “tempo”
Quando pergunto a Carla sobre o maior obstáculo da sua jornada, sua resposta não envolve mercado, concorrência ou investimento, envolve o tempo. “Empreender nesse setor exige integralmente a atuação do designer”.
Dessa forma, conciliar o ateliê de bolsas autorais com docência universitária, palestras, mentorias e a vida pessoal exigiu uma reorganização profunda da rotina e a obrigou “rever minha capacidade de organização e criar uma disciplina diária com uma agenda de prioridades”, explica.
Foi um processo que trouxe mais foco, objetividade e produtividade. Afinal, mais que administrar um negócio, Carla precisou aprender a administrar sua energia.
Um novo caminho
Um dos momentos mais delicados desse aprendizado veio com a redução da demanda pelas peças artesanais e a diminuição da carga horária na universidade. Mas foi justamente nesse cenário que surgiu uma oportunidade inesperada, quando Carla percebeu que muitos artistas e artesãos enfrentavam dificuldades para transformar talento em negócio.
“Como eu já tinha conhecimento, habilidade e maturidade para solucionar essas questões, comecei a oferecer assessoria para esse perfil de empreendedor. Consegui unir minha capacidade empreendedora com o meu conhecimento acadêmico”.
O que nasceu como uma resposta à crise tornou-se uma nova frente de atuação. Hoje, ela conduz grupos de mentoria e assessoria para empreendedores do universo artesanal, ajudando outros criativos a estruturarem seus negócios.
Aprender a dizer “não”
Na sua trajetória, a necessidade de tomada de decisões foi uma das principais professoras: “aprendi a dizer ‘não’ sem culpa. E hoje faço uma análise racional antes de assumir novos projetos”, destaca.
Pode parecer simples, mas para muitos empreendedores criativos essa é uma habilidade difícil de desenvolver. Ao longo do tempo, Carla passou a ouvir críticas e opiniões com mais atenção, mas sem absorver tudo indiscriminadamente. Também deixou de aceitar qualquer projeto que surgia pelo caminho.
Esse posicionamento permitiu preservar o foco e fortalecer o propósito do negócio.
Somou-se a esse aprendizado outro que veio de uma tentativa anterior de empreender, quando Carla ainda produzia trabalhos manuais sem uma identidade clara, como ela lembra. “Eu não tinha um portfólio definido nem uma linha de produção estruturada”. E essa falta de direcionamento dificultava o crescimento.
Atualmente, ela vê a importância de construir uma identidade forte para a marca e de estabelecer processos, mesmo em um negócio artesanal. “Planejo duas coleções anuais e, depois que elas estão prontas, me permito experimentar novas ideias. Dessa maneira eu inovo com controle e propósito”, garante.
A força de acreditar no próprio repertório
A grande virada aconteceu ao ser convidada para palestrar sobre empreendedorismo artesanal em diversas cidades da região. A oportunidade trouxe entusiasmo, mas também insegurança.
“Fiquei curiosa para entender o que o público esperava de mim. Contudo, eu sabia que tinha 20 anos de experiência em docência, presença de palco, habilidade didática e vivência empreendedora”.
Ao olhar para sua própria trajetória e fazer uma preparação cuidadosa, ganhou confiança. As palestras foram bem recebidas e abriram portas para novos projetos, eventos e parcerias.
O mito do artesanato
Talvez, diante de tudo isso, uma das reflexões mais interessantes de Carla esteja relacionada a um preconceito recorrente, já que “muita gente acredita que empreender no mercado artesanal não gera resultado financeiro”, conta.
Entretanto, a experiência dela mostra outra realidade e que o problema raramente está no setor. “Está muito mais relacionado ao empreendedor que está por trás do negócio”, garante.
Por isso, sua história me lembra que criatividade e organização não são opostos. Quando caminham juntas, transformam talento em resultado.
No fim, empreender é exatamente isso: transformar aquilo que fazemos com paixão em algo capaz de gerar valor, continuidade e impacto. “Mesmo tendo talento, é necessário ter organização e disciplina para gerenciar um negócio. Apenas o talento não sustenta um empreendimento”, aconselha a empreendedora.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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