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Tiny homes nos Estados Unidos | Crédito: Airbnb
Mercado Imobiliário

Tiny homes viram investimento nos EUA e entram no radar de estrangeiros

By Redação Zumm on 26 de janeiro de 2026

Modelo de habitação compacta, com baixo custo de implantação e alta demanda em cidades universitárias, combina renda recorrente e possibilidade de estruturação migratória

O avanço da crise habitacional nos Estados Unidos, somado ao aumento da população estudantil e à pressão por moradias acessíveis em pólos universitários, tem impulsionado um modelo imobiliário que até poucos anos atrás ocupava um nicho marginal: os empreendimentos de tiny homes. Em 2026, esse formato começa a atrair de forma mais consistente investidores estrangeiros, incluindo brasileiros interessados em renda imobiliária dolarizada e em estruturas que possam servir de base para processos migratórios legais.

Um exemplo desse movimento está em College Station, no Texas, cidade que abriga a Texas A&M University, uma das maiores universidades públicas dos Estados Unidos, com mais de 73 mil alunos matriculados, segundo dados oficiais da instituição. A forte demanda por moradia estudantil tem pressionado o mercado local, elevando aluguéis e abrindo espaço para soluções alternativas fora do padrão tradicional de apartamentos e dormitórios universitários.

De acordo com o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional e imigração, projetos de tiny homes têm se mostrado financeiramente viáveis justamente por atenderem a uma lacuna clara do mercado. “Há uma demanda estrutural por moradia em cidades universitárias que o modelo tradicional não consegue suprir a um custo razoável. As tiny homes entram como uma solução intermediária: são mais baratas que casas convencionais, mais confortáveis que dormitórios e altamente escaláveis para investidores”, afirma.

Como funcionam as tiny homes

O racional econômico desses projetos parte da aquisição de terrenos urbanos ou semiurbanos, já regularizados, com zoneamento compatível para habitação multifamiliar de baixa densidade. Em College Station, terrenos com cerca de 1.300m² vêm sendo negociados na faixa de US$150 mil, segundo valores praticados no mercado local.

A partir das regras de zoneamento e exigências mínimas de vagas de estacionamento, é possível implantar entre 10 e 16 unidades habitacionais compactas em um único lote. Cada unidade é entregue de forma independente, com cozinha, banheiro, área de estar e infraestrutura completa, o que permite locação individualizada.

Tiny Homes Whittier Heights Village | Crédito: Divulgação/LIHI
Tiny Homes Whittier Heights Village | Crédito: Divulgação/LIHI

“O ganho está na eficiência do uso do solo. Em vez de uma ou duas casas, o investidor consegue multiplicar a área locável, diluindo o custo do terreno e aumentando o retorno por metro quadrado”, explica Toledo.

Os números ajudam a entender a atratividade do modelo. Enquanto dormitórios universitários em instituições públicas do Texas cobram, em média, entre US$ 1.200 e US$ 1.300 por mês do aluno (de acordo com dados da Texas A&M), unidades de tiny homes próximas ao campus são locadas por valores em torno de US$ 850 mensais, com maior privacidade e estrutura individual.

Em alguns casos, a própria universidade opta por alugar empreendimentos inteiros de tiny homes para acomodar alunos, professores visitantes ou funcionários temporários, sublocando posteriormente as unidades. “É uma equação que fecha para todos: o aluno paga menos, a universidade resolve um problema logístico e o investidor garante ocupação integral”, analisa o advogado.

Gestão simplificada e operação remota

Advogado Daniel Toledo | Crédito: Divulgação
Advogado Daniel Toledo | Crédito: Divulgação

Outro fator que tem atraído investidores estrangeiros é a simplicidade operacional. A gestão de locação, seleção de inquilinos, contratos, pagamentos e vistorias é feita por meio de plataformas digitais, amplamente utilizadas no mercado imobiliário americano.

“Hoje, o investidor consegue acompanhar todo o desempenho do empreendimento por aplicativo, mesmo estando fora dos Estados Unidos. A operação não exige uma equipe grande nem presença constante no local”, explica Daniel Toledo.

A manutenção cotidiana costuma ser terceirizada para prestadores locais, responsáveis por pequenos reparos, paisagismo e inspeções periódicas, reduzindo custos fixos e complexidade administrativa.

Possibilidade de imigração legal

Embora o investimento imobiliário, por si só, não garanta um visto de residência, Toledo ressalta que projetos desse tipo podem ser parte de uma estrutura migratória mais ampla, desde que corretamente planejados. “O erro é achar que basta comprar um imóvel para resolver a imigração. O que funciona é alinhar o investimento a uma estratégia jurídica consistente, respeitando regras de cada categoria de visto”, afirma.

Para investidores que pretendem residir nos EUA, a estruturação do negócio, a geração de receita real e o cumprimento das exigências legais são fatores determinantes na análise migratória.

De forma geral, para investidores estrangeiros, o modelo reúne características raras: baixo ticket de entrada relativo, demanda consistente, múltiplas fontes de receita e alinhamento com tendências urbanas de longo prazo. Em 2026, esse conjunto começa a transformar as tiny homes de alternativa periférica em ativo imobiliário estratégico no mercado americano.

Posted in Destaques Capa, Mercado Imobiliário.
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