Buscando o belo em tudo o que vê, a empresária Maura Robusti expande esse olhar para várias experiências, enquanto tenta encontrar o próprio equilíbrio em meio a diferentes papéis desempenhados
Por razões profissionais, o olhar da empresária Maura Lorenzato Robusti foi treinado a procurar beleza estética no que está ao redor. Afinal, no universo do design de móveis e da arquitetura, no qual está inserida, é o belo que, muitas vezes, dá sentido aos ambientes. Contudo, bastaram poucos minutos de uma conversa com ela, para perceber que essa visão de mundo não é uma característica restrita ao profissional, mas, sim, um aspecto muito particular que ela carrega consigo.
“Eu gosto de coisa bonita. Quando viajo, sou tocada pelo belo. Então, às vezes, é só uma frase na parede, um detalhe, mas me encanta. Porque eu sou do detalhe. Sou taurina, né?!”, brinca, enquanto permite que (usando seu próprio “truque”) descubramos por meio dos detalhes outros aspectos de sua personalidade.
Maura Robusti | Crédito: Érico Andrade
Prioridades máximas
Família, religiosidade, empresa e viagens. De maneira geral, são esses os fundamentos que Maura define como os principais em sua vida e, por isso mesmo, suas prioridades. São inegociáveis e, quase sempre, indissociáveis.
Por exemplo, as viagens: acontecem muitas vezes ao ano – por lazer, com a família, e a negócios –, mas sempre a lugares que tem muito a ensinar, pelo menos a alguém que está disposto a aprender, assim como Maura. “Acho uma riqueza ir para qualquer lugar. Não importa se é perto ou se é longe. E a gente sempre percebe detalhes específicos de uma cidade ou de um povo”, avalia, já tendo “percebido” os detalhes de 39 países em diferentes regiões do mundo.
Entre tantos destinos explorados, ela cita Bali, na Indonésia, como um dos mais marcantes. “Existe uma conexão com a religiosidade que faz parte da vida deles que acredito que impacta demais o modo de vida. Eles estão sempre sorrindo e são extremamente gentis. E aí, a gente começa a entender que nos distraímos com bobagem, com aquilo que nem é tão importante”.
No mesmo lado do mapa, a Índia foi também surpreendente, porque “tudo o que vemos faz sentido. As pessoas, a gentileza, os acabamentos, a mistura dos tecidos, os detalhes. É incrível”. Outra viagem que a marcou – e revela muito de quem ela é – foi a que escolheu para passar sua lua de mel, há cerca de 27 anos. “Fizemos Egito, Turquia, Grécia e Israel. Viajamos 25 dias, em uma época na qual as pessoas não viajavam tanto, porque era mais difícil. Tive até que mudar o dia do casamento por causa da data da viagem. A verdade é que viajar é prioridade e sempre foi”, revela, confessando ainda que deseja muito voltar a Israel, mas acompanhada dos filhos e com um olhar mais religioso (e menos turístico).
Maura no Egito | Crédito: Arquivo pessoalMaura na Índia | Crédito: Arquivo pessoal
Isso porque Maura enxerga nas viagens uma forma de expandir a visão de mundo, ainda que também reforce seus valores pessoais. “Tem quem vai falar que Bali é os restaurantes mais sofisticados e os mais bonitos. Eu vou confirmar que é isso mesmo; só que também é muito mais. Do mesmo jeito, tem quem fale que a Índia é miséria, é contraste, mas, na verdade, ela é fascinante. Por isso, acho que a viagem também reforça aquilo que já somos”.
Parceria de vida
Nessas viagens, um companheiro esteve presente em todas: o marido Stélio Robusti, com quem mantém um relacionamento de 33 anos, somados namoro e casamento. “Nós combinamos muito bem até nisso [nas viagens] e os nossos filhos nunca foram empecilho. Pelo contrário, amamos viajar em família. Até porque, em casal, já viajamos bastante por trabalho”, conta.
Pais de Stélio (ou “Tel”, como é carinhosamente chamado), de 23 anos, e Maria Clara, de 21, os gostos e a visão de mundo em comum funcionam, inclusive, para a divisão de tarefas diárias, as quais Maura avalia serem muito bem equilibradas.
“Vamos nos organizando para tentar manter bem-feito tudo aquilo que é prioridade. E acredito que estamos conseguindo. Como o Stélio é muito parceiro, não somos um casal que a mãe assume os filhos e o pai não aparece nunca. Inclusive, acho grandioso encontrar um companheiro que ‘meia’ tudo com você. É tudo de bom”.
E essa parceria com Stélio é também renovada todos os dias, visto que ambos mantêm, em paralelo, um relacionamento profissional. “Na verdade, o Stélio me escolheu duas vezes. Primeiro, me escolheu como esposa e, depois, como sócia. Então, a grandeza do nosso relacionamento está também no quanto acreditamos no nosso potencial juntos”, compartilha.
Maura e Stélio Robusti | Crédito: Érico Andrade
Segundo Maura, foi essa parceria que permitiu a ela conciliar vidas doméstica e profissional enquanto os filhos eram pequenos, sem ter que abrir mão daquilo que era importante para ela e, principalmente, sem sentir que estava falhando em algum dos papéis.
“Para mim, era importante continuar trabalhando e teve muitos momentos em que achei que estava dando pouco de mim, mas ele dizia: ‘Calma’. É bom ter esse contraponto de alguém que confia, que estimula, mas que também acalma”.
Parte de um legado de 96 anos
Tal contraponto revela-se também necessário, visto que é a base do trabalho cotidiano de dar continuidade a um legado iniciado pelo avô e pelo pai de Stélio em 1930, com uma fábrica artesanal de móveis. Hoje, o Mundo Robusti é uma das maiores referências em móveis e decoração no interior do estado de São Paulo.
Nesse contexto, Maura cumpre as funções de coordenação de Recursos Humanos, Marketing e Jurídico – neste último, aproveitando os conhecimentos obtidos em um curso de Direito concluído, mas não transformado em carreira.
“Depois, com o tempo, teve encaixe, já que o jurídico é um pouco a base de qualquer relação comercial”, explicita. Já Stélio é responsável pelas áreas comercial e administrativa, formando uma dinâmica que, de acordo com Maura, funciona de maneira fácil, leve e com olhares complementares: “a gente se entrelaça cada vez com mais facilidade. Às vezes, não dá tempo de discutir tudo que a rotina demanda, então alguns assuntos ele toca sozinho e outros, eu também. É muito bom ter uma relação tão longeva que nos dá segurança um com o outro”, explica.
Quando se casaram, há 27 anos, Stélio ainda tinha o irmão como sócio, mas a situação mudou durante a segunda gestação de Maura. “Acho que a partir dali fui entendendo e assumindo o meu papel. Foi quando ele falou: “Vamos seguir, só nós dois, esse caminho? Porque o acerto e o erro serão nossos’. E eu topei”.
Desde então, a empresária ajuda a levar adiante o legado Robusti, que também se tornou dela. Entretanto, sem nunca deixar de ter um olhar cuidadoso e de muito respeito (como lhe é tão particular) para o histórico familiar indissociável do negócio. “Esse respeito com a história dele para mim é muito forte, muito importante. Jamais desmereço uma opinião, até porque ele tem uma visão total, como moveleiro mesmo – ele foi criado em chão de fábrica. Não reconhecer a sua história, a grandeza do que foi construído pela família, e principalmente por ele, não faria o menor sentido”, destaca.
Em relação ao “peso da tradição”, Maura garante que nunca sentiu algum tipo resistência à sua presença nos negócios, nem a necessidade de se posicionar mais veementemente só por ser mulher. “Acho que também nunca me pus em um papel do ‘preciso competir’. Só quero o meu papel ali, não quero o de ninguém mais. E todo mundo entende e respeita esse legado. Acredito que não tem comparação e não cabe julgamento. Porque a verdade é que são histórias completamente diferentes, mas complementares”.
A base de tudo
O início da jornada profissional de Maura no Mundo Robusti coincidiu, praticamente, com seu papel de mãe. Então, os aprendizados começaram concomitantemente, mas com um fundamento muito claro: a relação familiar seria sempre o ponto base. “E o Stélio sempre foi muito alinhado, porque, para ele, a família também é a base. A gente combina demais, na verdade”.
Por isso, ela começou trabalhando meio período até conseguir assumir o trabalho em tempo integral, sem nunca perder de vista suas duas grandes prioridades. “Todo dia a gente começa uma nova negociação para poder estar junto. Priorizamos mesmo, para poder apoiar, estar junto; damos um jeito”.
Maura e Stélio, com os filhos Tél e Maria Clara | Crédito: Arquivo pessoal
Assim, por exemplo, o pai era quem levava na escola, enquanto a mãe ficava responsável pelas atividades extracurriculares; na hora de dormir, cada um se ocupava de um filho. Hoje, com os dois já grandes, o almoço é em casa com a filha, enquanto viagens recorrentes são feitas para visitar o filho, que mora fora: “É quase uma dança”, compara.
Essa ligação familiar foi construída também na infância, ao crescer como filha do meio entre dois homens e sob a proteção dos pais, fontes de admiração. “A formação do meu pai é de professor, mas praticamente toda a vida dele foi pública e desenvolvendo um serviço social em paralelo. Já minha mãe foi enfermeira, mas depois do nascimento do meu irmão mais novo, deixou a enfermagem e focou na gráfica que tinha com meu pai. E foi ele, quando vereador, que aprovou uma lei para a abertura da construção de prédios na Avenida João Fiúsa. Antes, não se podia construir prédios altos. Aquela região, como conhecemos hoje, é fruto do trabalho dele”, orgulha-se.
E assim como os pais não escolheram o seu caminho, Maura, acompanhada por Stélio, foca em oferecer as bases para que seus filhos construam os próprios caminhos, que podem ou não vir a se entrelaçar com o legado familiar.
“O meu mais velho faz engenharia e trabalha em uma mesa de ações no JP Morgan. E a minha mais nova cursa Arquitetura e faz estágio com o Sergio Coelho. Pode ser que algum deles se interesse pela empresa. Mas não queremos definir o futuro dos nossos filhos com base em nossas escolhas. Eu poderia ter feito uma carreira à parte, se quisesse. Mas nós escolhemos; o Stélio escolheu seguir esse negócio e eu, em ficar junto com ele. E os nossos filhos são livres. Não tem pressão, nem expectativa”.
“Meus pais sempre foram do trabalho e do cuidado com o próximo. Então, a minha formação é muito baseada nesse olhar para o outro. Não que isso necessariamente seja fácil, mas tento enxergar o outro com uma lente sem tanta exigência. Também é um jogo de equilíbrio.”
– Maura Robusti
Uma constante busca de equilíbrio
Talvez, a única pressão existente no cotidiano da empresária seja aquela depositada em si mesma, a qual avalia ter já diminuído muito nos últimos anos. Isso tem sido possível por meio de atividades cujos objetivos são exclusivamente pessoais, a exemplo da musculação, que faz à noite, pelo menos duas vezes na semana, e da ioga, que já pratica há mais de 15 anos.
“Eu adoro. Acho que por ser um exercício de alinhamento de tudo, e não só do físico, que melhora nossa flexibilidade, a ioga ensina a sermos mais leves na vida. Me permite ver a vida com um olhar mais simples, e respirar muda tudo. Lembro que, no começo, na hora dos mudras, que são basicamente exercícios de respiração, ficava incomodada demais. E, de repente, ficou natural. Então, aos poucos, a prática vai trazendo uma consciência para o dia a dia, nos ensinando a desacelerar o ritmo da mente”, analisa. Não por acaso, já faz também 12 anos que o Mundo Robusti oferece, semanalmente, a prática aos seus funcionários.
Nesse ponto da conversa, acabamos voltando um pouco às suas viagens ao Oriente, já que Maura diz acreditar que são filosofias como a da ioga que permitem aos povos de Bali e da Índia, por exemplo, estarem sempre conectados ao que os rodeia. “Para eles, tudo é conexão e expressão espiritual”, define.
E a empresária busca o mesmo para si. Ela confessa estar tentando – “é quase uma luta diária” – se conectar com algum conteúdo espiritual logo pela manhã. “Uma leitura, um vídeo, uma oração… alguma prática religiosa. Adoro ter esse momento durante o café da manhã, enquanto tomo meu cappuccino. Porque é fácil a gente se perder em assuntos aleatórios. E eu quero conexão”, pontua.
De família espírita, mas casada com um católico e frequentando uma célula de mulheres, majoritariamente evangélica, Maura se posiciona como cristã – curiosa e aberta a aprender, assim como quando vai explorar o mundo. “Já fiz até um curso de Cabala, porque tinha muitas perguntas. Gostei e aprendi várias coisas incríveis. Mas, sem Jesus como ponto central, não faz sentido para mim, não conecta”.
Olhar analítico
À lista de compromissos de Maura, que parece se renovar constantemente, se soma o papel de colunista da Life Zumm, cujo convite ela aceitou, com a única condição de não escrever um conteúdo técnico. “Os textos têm meu olhar pessoal. Porque eu não sou técnica, não fiz design, não fiz arquitetura, não fiz paisagismo, não é minha área. É o meu ponto de vista sobre o que de belo eu encontro no meu caminho”.
O afastamento de um papel técnico, entretanto, não anula que Maura possui, sim, um olhar analítico sobre o ramo no qual atua e sobre o qual tanto aprendeu ao longo de 25 anos. “O segmento de móveis de alto padrão mudou muito, é outro mercado. Quando o Stélio abriu a primeira loja dele, tinham outras três lojas do ramo, digamos. Não existia venda online, embora a gente ainda não tenha e-commerce, porque apostamos na experiência do cliente na loja. Lógico, que nosso olhar também vai para o digital, mas hoje não é prioridade”, defende.
Em meio às transformações, ela aponta que a postura da empresa mudou, ainda que mais na forma que no conteúdo: se antes, era especialista em produto, agora continua sendo, mas é também curadora. “Hoje, o cliente já tem muita informação. Ele precisa de alguém que faça a curadoria dessa informação. Porque o papel aceita tudo – a IA aceita tudo –, mas a obra não, a casa não. E o alto padrão é um investimento muito grande e com uma vida longeva. Você não troca, não substitui em um curto período”, avalia.
Sobre o produto em si, ela se volta novamente à individualidade do olhar, ao falar do próprio gosto, o qual, inevitavelmente, acaba refletindo na curadoria da empresa, especialmente sendo ela a responsável pelo marketing. “Pessoalmente, gosto do meio do caminho. Valorizo o design que você olha, se encanta, mas é funcional, um móvel para uso. Eu gosto do contemporâneo, de um mobiliário mais limpo, mas gosto também do aconchego. É o que ressoa mais comigo, faz muito sentido para mim. E como eu vou comunicar algo que não faz sentido para mim? Marketing acaba sendo uma questão de gosto, de olhar. E o olhar é pessoal, não tem como terceirizar”, determina, fazendo com que a escrita desse texto em terceira pessoa não tenha sido uma missão fácil.
“Acho que a maturidade traz um olhar do que importa. Hoje, é ‘vamos fazer o básico bem feito. Vamos deixar tudo em ordem e dar o nosso melhor’. Mas olho para trás e vejo que há um caminho que foi muito bem construído.”
Uma vida composta de detalhes
Buscando o belo em tudo o que vê, a empresária Maura Robusti expande esse olhar para várias experiências, enquanto tenta encontrar o próprio equilíbrio em meio a diferentes papéis desempenhados
Por razões profissionais, o olhar da empresária Maura Lorenzato Robusti foi treinado a procurar beleza estética no que está ao redor. Afinal, no universo do design de móveis e da arquitetura, no qual está inserida, é o belo que, muitas vezes, dá sentido aos ambientes. Contudo, bastaram poucos minutos de uma conversa com ela, para perceber que essa visão de mundo não é uma característica restrita ao profissional, mas, sim, um aspecto muito particular que ela carrega consigo.
“Eu gosto de coisa bonita. Quando viajo, sou tocada pelo belo. Então, às vezes, é só uma frase na parede, um detalhe, mas me encanta. Porque eu sou do detalhe. Sou taurina, né?!”, brinca, enquanto permite que (usando seu próprio “truque”) descubramos por meio dos detalhes outros aspectos de sua personalidade.
Prioridades máximas
Família, religiosidade, empresa e viagens. De maneira geral, são esses os fundamentos que Maura define como os principais em sua vida e, por isso mesmo, suas prioridades. São inegociáveis e, quase sempre, indissociáveis.
Por exemplo, as viagens: acontecem muitas vezes ao ano – por lazer, com a família, e a negócios –, mas sempre a lugares que tem muito a ensinar, pelo menos a alguém que está disposto a aprender, assim como Maura. “Acho uma riqueza ir para qualquer lugar. Não importa se é perto ou se é longe. E a gente sempre percebe detalhes específicos de uma cidade ou de um povo”, avalia, já tendo “percebido” os detalhes de 39 países em diferentes regiões do mundo.
Entre tantos destinos explorados, ela cita Bali, na Indonésia, como um dos mais marcantes. “Existe uma conexão com a religiosidade que faz parte da vida deles que acredito que impacta demais o modo de vida. Eles estão sempre sorrindo e são extremamente gentis. E aí, a gente começa a entender que nos distraímos com bobagem, com aquilo que nem é tão importante”.
No mesmo lado do mapa, a Índia foi também surpreendente, porque “tudo o que vemos faz sentido. As pessoas, a gentileza, os acabamentos, a mistura dos tecidos, os detalhes. É incrível”. Outra viagem que a marcou – e revela muito de quem ela é – foi a que escolheu para passar sua lua de mel, há cerca de 27 anos. “Fizemos Egito, Turquia, Grécia e Israel. Viajamos 25 dias, em uma época na qual as pessoas não viajavam tanto, porque era mais difícil. Tive até que mudar o dia do casamento por causa da data da viagem. A verdade é que viajar é prioridade e sempre foi”, revela, confessando ainda que deseja muito voltar a Israel, mas acompanhada dos filhos e com um olhar mais religioso (e menos turístico).
Isso porque Maura enxerga nas viagens uma forma de expandir a visão de mundo, ainda que também reforce seus valores pessoais. “Tem quem vai falar que Bali é os restaurantes mais sofisticados e os mais bonitos. Eu vou confirmar que é isso mesmo; só que também é muito mais. Do mesmo jeito, tem quem fale que a Índia é miséria, é contraste, mas, na verdade, ela é fascinante. Por isso, acho que a viagem também reforça aquilo que já somos”.
Parceria de vida
Nessas viagens, um companheiro esteve presente em todas: o marido Stélio Robusti, com quem mantém um relacionamento de 33 anos, somados namoro e casamento. “Nós combinamos muito bem até nisso [nas viagens] e os nossos filhos nunca foram empecilho. Pelo contrário, amamos viajar em família. Até porque, em casal, já viajamos bastante por trabalho”, conta.
Pais de Stélio (ou “Tel”, como é carinhosamente chamado), de 23 anos, e Maria Clara, de 21, os gostos e a visão de mundo em comum funcionam, inclusive, para a divisão de tarefas diárias, as quais Maura avalia serem muito bem equilibradas.
“Vamos nos organizando para tentar manter bem-feito tudo aquilo que é prioridade. E acredito que estamos conseguindo. Como o Stélio é muito parceiro, não somos um casal que a mãe assume os filhos e o pai não aparece nunca. Inclusive, acho grandioso encontrar um companheiro que ‘meia’ tudo com você. É tudo de bom”.
E essa parceria com Stélio é também renovada todos os dias, visto que ambos mantêm, em paralelo, um relacionamento profissional. “Na verdade, o Stélio me escolheu duas vezes. Primeiro, me escolheu como esposa e, depois, como sócia. Então, a grandeza do nosso relacionamento está também no quanto acreditamos no nosso potencial juntos”, compartilha.
Segundo Maura, foi essa parceria que permitiu a ela conciliar vidas doméstica e profissional enquanto os filhos eram pequenos, sem ter que abrir mão daquilo que era importante para ela e, principalmente, sem sentir que estava falhando em algum dos papéis.
“Para mim, era importante continuar trabalhando e teve muitos momentos em que achei que estava dando pouco de mim, mas ele dizia: ‘Calma’. É bom ter esse contraponto de alguém que confia, que estimula, mas que também acalma”.
Parte de um legado de 96 anos
Tal contraponto revela-se também necessário, visto que é a base do trabalho cotidiano de dar continuidade a um legado iniciado pelo avô e pelo pai de Stélio em 1930, com uma fábrica artesanal de móveis. Hoje, o Mundo Robusti é uma das maiores referências em móveis e decoração no interior do estado de São Paulo.
Nesse contexto, Maura cumpre as funções de coordenação de Recursos Humanos, Marketing e Jurídico – neste último, aproveitando os conhecimentos obtidos em um curso de Direito concluído, mas não transformado em carreira.
“Depois, com o tempo, teve encaixe, já que o jurídico é um pouco a base de qualquer relação comercial”, explicita. Já Stélio é responsável pelas áreas comercial e administrativa, formando uma dinâmica que, de acordo com Maura, funciona de maneira fácil, leve e com olhares complementares: “a gente se entrelaça cada vez com mais facilidade. Às vezes, não dá tempo de discutir tudo que a rotina demanda, então alguns assuntos ele toca sozinho e outros, eu também. É muito bom ter uma relação tão longeva que nos dá segurança um com o outro”, explica.
Quando se casaram, há 27 anos, Stélio ainda tinha o irmão como sócio, mas a situação mudou durante a segunda gestação de Maura. “Acho que a partir dali fui entendendo e assumindo o meu papel. Foi quando ele falou: “Vamos seguir, só nós dois, esse caminho? Porque o acerto e o erro serão nossos’. E eu topei”.
Desde então, a empresária ajuda a levar adiante o legado Robusti, que também se tornou dela. Entretanto, sem nunca deixar de ter um olhar cuidadoso e de muito respeito (como lhe é tão particular) para o histórico familiar indissociável do negócio. “Esse respeito com a história dele para mim é muito forte, muito importante. Jamais desmereço uma opinião, até porque ele tem uma visão total, como moveleiro mesmo – ele foi criado em chão de fábrica. Não reconhecer a sua história, a grandeza do que foi construído pela família, e principalmente por ele, não faria o menor sentido”, destaca.
Em relação ao “peso da tradição”, Maura garante que nunca sentiu algum tipo resistência à sua presença nos negócios, nem a necessidade de se posicionar mais veementemente só por ser mulher. “Acho que também nunca me pus em um papel do ‘preciso competir’. Só quero o meu papel ali, não quero o de ninguém mais. E todo mundo entende e respeita esse legado. Acredito que não tem comparação e não cabe julgamento. Porque a verdade é que são histórias completamente diferentes, mas complementares”.
A base de tudo
O início da jornada profissional de Maura no Mundo Robusti coincidiu, praticamente, com seu papel de mãe. Então, os aprendizados começaram concomitantemente, mas com um fundamento muito claro: a relação familiar seria sempre o ponto base. “E o Stélio sempre foi muito alinhado, porque, para ele, a família também é a base. A gente combina demais, na verdade”.
Por isso, ela começou trabalhando meio período até conseguir assumir o trabalho em tempo integral, sem nunca perder de vista suas duas grandes prioridades. “Todo dia a gente começa uma nova negociação para poder estar junto. Priorizamos mesmo, para poder apoiar, estar junto; damos um jeito”.
Assim, por exemplo, o pai era quem levava na escola, enquanto a mãe ficava responsável pelas atividades extracurriculares; na hora de dormir, cada um se ocupava de um filho. Hoje, com os dois já grandes, o almoço é em casa com a filha, enquanto viagens recorrentes são feitas para visitar o filho, que mora fora: “É quase uma dança”, compara.
Essa ligação familiar foi construída também na infância, ao crescer como filha do meio entre dois homens e sob a proteção dos pais, fontes de admiração. “A formação do meu pai é de professor, mas praticamente toda a vida dele foi pública e desenvolvendo um serviço social em paralelo. Já minha mãe foi enfermeira, mas depois do nascimento do meu irmão mais novo, deixou a enfermagem e focou na gráfica que tinha com meu pai. E foi ele, quando vereador, que aprovou uma lei para a abertura da construção de prédios na Avenida João Fiúsa. Antes, não se podia construir prédios altos. Aquela região, como conhecemos hoje, é fruto do trabalho dele”, orgulha-se.
E assim como os pais não escolheram o seu caminho, Maura, acompanhada por Stélio, foca em oferecer as bases para que seus filhos construam os próprios caminhos, que podem ou não vir a se entrelaçar com o legado familiar.
“O meu mais velho faz engenharia e trabalha em uma mesa de ações no JP Morgan. E a minha mais nova cursa Arquitetura e faz estágio com o Sergio Coelho. Pode ser que algum deles se interesse pela empresa. Mas não queremos definir o futuro dos nossos filhos com base em nossas escolhas. Eu poderia ter feito uma carreira à parte, se quisesse. Mas nós escolhemos; o Stélio escolheu seguir esse negócio e eu, em ficar junto com ele. E os nossos filhos são livres. Não tem pressão, nem expectativa”.
Uma constante busca de equilíbrio
Talvez, a única pressão existente no cotidiano da empresária seja aquela depositada em si mesma, a qual avalia ter já diminuído muito nos últimos anos. Isso tem sido possível por meio de atividades cujos objetivos são exclusivamente pessoais, a exemplo da musculação, que faz à noite, pelo menos duas vezes na semana, e da ioga, que já pratica há mais de 15 anos.
“Eu adoro. Acho que por ser um exercício de alinhamento de tudo, e não só do físico, que melhora nossa flexibilidade, a ioga ensina a sermos mais leves na vida. Me permite ver a vida com um olhar mais simples, e respirar muda tudo. Lembro que, no começo, na hora dos mudras, que são basicamente exercícios de respiração, ficava incomodada demais. E, de repente, ficou natural. Então, aos poucos, a prática vai trazendo uma consciência para o dia a dia, nos ensinando a desacelerar o ritmo da mente”, analisa. Não por acaso, já faz também 12 anos que o Mundo Robusti oferece, semanalmente, a prática aos seus funcionários.
Nesse ponto da conversa, acabamos voltando um pouco às suas viagens ao Oriente, já que Maura diz acreditar que são filosofias como a da ioga que permitem aos povos de Bali e da Índia, por exemplo, estarem sempre conectados ao que os rodeia. “Para eles, tudo é conexão e expressão espiritual”, define.
E a empresária busca o mesmo para si. Ela confessa estar tentando – “é quase uma luta diária” – se conectar com algum conteúdo espiritual logo pela manhã. “Uma leitura, um vídeo, uma oração… alguma prática religiosa. Adoro ter esse momento durante o café da manhã, enquanto tomo meu cappuccino. Porque é fácil a gente se perder em assuntos aleatórios. E eu quero conexão”, pontua.
De família espírita, mas casada com um católico e frequentando uma célula de mulheres, majoritariamente evangélica, Maura se posiciona como cristã – curiosa e aberta a aprender, assim como quando vai explorar o mundo. “Já fiz até um curso de Cabala, porque tinha muitas perguntas. Gostei e aprendi várias coisas incríveis. Mas, sem Jesus como ponto central, não faz sentido para mim, não conecta”.
Olhar analítico
À lista de compromissos de Maura, que parece se renovar constantemente, se soma o papel de colunista da Life Zumm, cujo convite ela aceitou, com a única condição de não escrever um conteúdo técnico. “Os textos têm meu olhar pessoal. Porque eu não sou técnica, não fiz design, não fiz arquitetura, não fiz paisagismo, não é minha área. É o meu ponto de vista sobre o que de belo eu encontro no meu caminho”.
O afastamento de um papel técnico, entretanto, não anula que Maura possui, sim, um olhar analítico sobre o ramo no qual atua e sobre o qual tanto aprendeu ao longo de 25 anos. “O segmento de móveis de alto padrão mudou muito, é outro mercado. Quando o Stélio abriu a primeira loja dele, tinham outras três lojas do ramo, digamos. Não existia venda online, embora a gente ainda não tenha e-commerce, porque apostamos na experiência do cliente na loja. Lógico, que nosso olhar também vai para o digital, mas hoje não é prioridade”, defende.
Em meio às transformações, ela aponta que a postura da empresa mudou, ainda que mais na forma que no conteúdo: se antes, era especialista em produto, agora continua sendo, mas é também curadora. “Hoje, o cliente já tem muita informação. Ele precisa de alguém que faça a curadoria dessa informação. Porque o papel aceita tudo – a IA aceita tudo –, mas a obra não, a casa não. E o alto padrão é um investimento muito grande e com uma vida longeva. Você não troca, não substitui em um curto período”, avalia.
Sobre o produto em si, ela se volta novamente à individualidade do olhar, ao falar do próprio gosto, o qual, inevitavelmente, acaba refletindo na curadoria da empresa, especialmente sendo ela a responsável pelo marketing. “Pessoalmente, gosto do meio do caminho. Valorizo o design que você olha, se encanta, mas é funcional, um móvel para uso. Eu gosto do contemporâneo, de um mobiliário mais limpo, mas gosto também do aconchego. É o que ressoa mais comigo, faz muito sentido para mim. E como eu vou comunicar algo que não faz sentido para mim? Marketing acaba sendo uma questão de gosto, de olhar. E o olhar é pessoal, não tem como terceirizar”, determina, fazendo com que a escrita desse texto em terceira pessoa não tenha sido uma missão fácil.
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