Especialistasdiscutiram como as falsificações e as falhas de controle impactam o setor, o país e o mundo, e soluções para o problema
O avanço de oferta e compra de produtos falsos alcança as cadeias produtivas como a do agronegócio e a sofisticação das falsificações torna mais difícil reconhecer itens irregulares, reforçando a importância do controle das empresas sobre insumos e fornecedores. O tema foi discutido nesta terça-feira, 22 de setembro, durante encontro do World Trade Center (WTC) Ribeirão Preto Business Club, em Ribeirão Preto.
A discussão reuniu empresários e lideranças regionais para debater o tema “Pirataria – O risco invisível na cadeia de valor” com os especialistas Adriano Mellega, promotor de Justiça do estado de São Paulo e especialista na investigação de fraudes envolvendo agrotóxicos, e Felipe Póvoa, diretor de Vendas e Operações da TOTVS S.A.
Em 2025, o mercado ilegal movimentou mais de R$ 473 bilhões no Brasil, considerando 15 setores da economia, segundo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade. Além disso, pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) aponta que o mercado ilegal representa cerca de 24% do total de defensivos agrícolas utilizados no Brasil.
A falsificação está cada mais difícil de identificar
Mellega destacou que a evolução do crime tornou mais complexa a diferenciação entre determinados produtos irregulares e os originais. No caso dos agrotóxicos, embalagem, rótulo e outros elementos visuais podem apresentar alto grau de semelhança, exigindo atenção a outros pontos da cadeia. Em sua avaliação, o interior de São Paulo é hoje o principal polo de falsificação de agrotóxicos, com itens que podem ser distribuídos para outras regiões e até para o exterior.
“A pirataria não está apenas naquela mercadoria falsificada facilmente reconhecida. Ela pode chegar à empresa por diferentes caminhos, como insumos, equipamentos, notas fiscais ou fornecedores. Quando não existe um acompanhamento estruturado desses riscos, o problema pode crescer silenciosamente e ser percebido apenas quando já trouxe consequências”, destacou.
Segundo o promotor, uma empresa pode adquirir um produto falsificado sem saber e enfrentar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais até conseguir comprovar que desconhecia a irregularidade.
Mellega citou como exemplo a reutilização de estruturas gráficas empregadas nos rótulos, bulas e lacres de agrotóxicos por parte de criminosos para a produção de materiais falsos destinados a outros setores, fenômeno que ele define como “convergência criminal”. Na prática, eles utilizam os mesmos hubs de falsificação para a prática ilícita em diversos segmentos.
Inteligência artificial e automação ampliam capacidade de prevenção
Se a sofisticação das falsificações dificulta a identificação visual, dados e tecnologia podem ampliar o controle sobre outras etapas da cadeia. De acordo com Póvoa, rastreabilidade, inteligência artificial e automação permitem cruzar informações e apontar comportamentos fora do padrão antes que uma inconsistência avance pela operação.
“A pirataria opera nas brechas do controle e da falta de rastreabilidade. Não estamos falando apenas de um problema jurídico ou policial, mas de uma falha crítica de governança. O risco só é invisível até afetar o balanço financeiro, parar a operação ou destruir a reputação do negócio”, afirmou.
A partir de casos envolvendo a comercialização de agrotóxicos falsificados, Mellega também citou o agente de inteligência artificial capaz de analisar a fotografia de uma nota fiscal, consultar diferentes bases de dados e apontar possíveis indícios de irregularidades. Ele explicou que uma triagem que poderia levar cerca de três horas manualmente pode ser feita em aproximadamente um minuto.
Para Rodolfo D’Elboux Guimarães Neto, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, reunir diferentes perspectivas contribui para ampliar a discussão entre as lideranças empresariais. “Trazer a experiência de quem atua diretamente com investigação e, ao mesmo tempo, as possibilidades oferecidas pela tecnologia como solução permitem ampliar esse olhar e discutir formas de prevenção. O papel do WTC é promover essas conexões e aproximar os empresários de temas que impactam seus negócios”, garante.
WTC Ribeirão Preto Business Club discute pirataria no agro e riscos para empresas
Especialistas discutiram como as falsificações e as falhas de controle impactam o setor, o país e o mundo, e soluções para o problema
O avanço de oferta e compra de produtos falsos alcança as cadeias produtivas como a do agronegócio e a sofisticação das falsificações torna mais difícil reconhecer itens irregulares, reforçando a importância do controle das empresas sobre insumos e fornecedores. O tema foi discutido nesta terça-feira, 22 de setembro, durante encontro do World Trade Center (WTC) Ribeirão Preto Business Club, em Ribeirão Preto.
A discussão reuniu empresários e lideranças regionais para debater o tema “Pirataria – O risco invisível na cadeia de valor” com os especialistas Adriano Mellega, promotor de Justiça do estado de São Paulo e especialista na investigação de fraudes envolvendo agrotóxicos, e Felipe Póvoa, diretor de Vendas e Operações da TOTVS S.A.
Em 2025, o mercado ilegal movimentou mais de R$ 473 bilhões no Brasil, considerando 15 setores da economia, segundo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade. Além disso, pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) aponta que o mercado ilegal representa cerca de 24% do total de defensivos agrícolas utilizados no Brasil.
A falsificação está cada mais difícil de identificar
Mellega destacou que a evolução do crime tornou mais complexa a diferenciação entre determinados produtos irregulares e os originais. No caso dos agrotóxicos, embalagem, rótulo e outros elementos visuais podem apresentar alto grau de semelhança, exigindo atenção a outros pontos da cadeia. Em sua avaliação, o interior de São Paulo é hoje o principal polo de falsificação de agrotóxicos, com itens que podem ser distribuídos para outras regiões e até para o exterior.
“A pirataria não está apenas naquela mercadoria falsificada facilmente reconhecida. Ela pode chegar à empresa por diferentes caminhos, como insumos, equipamentos, notas fiscais ou fornecedores. Quando não existe um acompanhamento estruturado desses riscos, o problema pode crescer silenciosamente e ser percebido apenas quando já trouxe consequências”, destacou.
Segundo o promotor, uma empresa pode adquirir um produto falsificado sem saber e enfrentar impactos financeiros, jurídicos e reputacionais até conseguir comprovar que desconhecia a irregularidade.
Mellega citou como exemplo a reutilização de estruturas gráficas empregadas nos rótulos, bulas e lacres de agrotóxicos por parte de criminosos para a produção de materiais falsos destinados a outros setores, fenômeno que ele define como “convergência criminal”. Na prática, eles utilizam os mesmos hubs de falsificação para a prática ilícita em diversos segmentos.
Inteligência artificial e automação ampliam capacidade de prevenção
Se a sofisticação das falsificações dificulta a identificação visual, dados e tecnologia podem ampliar o controle sobre outras etapas da cadeia. De acordo com Póvoa, rastreabilidade, inteligência artificial e automação permitem cruzar informações e apontar comportamentos fora do padrão antes que uma inconsistência avance pela operação.
A partir de casos envolvendo a comercialização de agrotóxicos falsificados, Mellega também citou o agente de inteligência artificial capaz de analisar a fotografia de uma nota fiscal, consultar diferentes bases de dados e apontar possíveis indícios de irregularidades. Ele explicou que uma triagem que poderia levar cerca de três horas manualmente pode ser feita em aproximadamente um minuto.
Para Rodolfo D’Elboux Guimarães Neto, CEO do WTC Ribeirão Preto Business Club, reunir diferentes perspectivas contribui para ampliar a discussão entre as lideranças empresariais. “Trazer a experiência de quem atua diretamente com investigação e, ao mesmo tempo, as possibilidades oferecidas pela tecnologia como solução permitem ampliar esse olhar e discutir formas de prevenção. O papel do WTC é promover essas conexões e aproximar os empresários de temas que impactam seus negócios”, garante.
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