Laura Vicentini, da SoZé Cachaça, e o equilíbrio entre o campo, o negócio e a vida
Por Miguel El Debs*
Ao longo do tempo que venho compartilhando histórias aqui, foi possível notar que existe uma característica que aparece em quase todas elas, ainda que nem sempre seja dito com clareza, palavra por palavra, que é: empreender não é só lidar com o mercado; é, muitas vezes, aprender a lidar consigo mesmo.
A trajetória de Laura Vicentini, à frente da SoZé Cachaça ao lado do marido Rodrigo Spina, traz exatamente esse tipo de reflexão. Um empreendedorismo construído no campo, com ciclos longos, variáveis difíceis de controlar e decisões que impactam tanto o negócio, quanto a vida, fazendo com que os maiores desafios, talvez, não sejam técnicos.
O peso invisível do tempo
Inclusive, quando perguntei a ela sobre os maiores obstáculos que enfrentou, a sua resposta me surpreendeu ao não vir nem do mercado, nem da operação. “O meu maior desafio foi o tempo dedicado à empresa e ausente em casa”. Ou seja: a dificuldade estava em conciliar o negócio e o lar.
E essa é uma verdade que poucos colocam na mesa, mesmo que a ideia de que empreender traga liberdade normalmente se desfaça com muita rapidez na prática. Afinal, o negócio ocupa espaço (mental, emocional e físico).
Felizmente, Laura percebeu isso cedo e tomou uma decisão que, para muitos, é difícil. “Hoje, quando estou em casa, tiro o pé. Evito celular, não respondo cliente a qualquer hora, não tento resolver problema na madrugada”, revela, destacando que os outros fatores, como mercado e carga tributária, ela não controla. Mas o tempo, sim.
Oportunidade nasce da pressão
No campo, crise é parte do jogo, nunca exceção. E foi justamente em uma elas que surgiu uma das soluções mais inteligentes da operação da SoZé Cachaças. Diante da dificuldade de escoar mudas, que têm vida útil curta, e dentro de um cenário de preços desfavoráveis da cana-de-açúcar, abriu-se um novo caminho. “Conectamos a dificuldade de estoque com a necessidade do produtor de replantar falhas”.
Abriram-se as vendas de mudas para replantio, com custo mais acessível, permitindo ao produtor manter a produtividade; à empresa, reduzir perdas; e, ao negócio, ganhar equilíbrio. Foi resposta prática a um problema real.
Bem como um aprendizado tão profundo quanto os demais, mas que nada tinha a ver com a operação. “Eu me perdi tentando guardar tudo para mim. Mesmo tendo meu marido ao meu lado, evitava compartilhar dificuldades, acreditando que daria conta sozinha. Não deu certo. Hoje, compartilho a visão dos problemas e peço ajuda para ajustar rota, estratégia e decisões”.
Laura Vicentini e Rodrigo Spina, sócios da SoZé Cachaça | Crédito: Divulgação
Esse ajuste de rota mudou não só a dinâmica entre os sócios, mas a cultura do negócio. Cada pessoa passou a entender seu papel e contribuir de forma mais efetiva.
Inovar respeitando o ciclo
Enquanto no agro as crises não são exceções, tampouco a inovação. É preciso inovar, mesmo que não seja simples. Por isso mesmo, Laura teve que se reinventar safra a safra, adaptando, criando novas soluções, sem perder a qualidade que sempre ofereceu e na qual os clientes tanto confiavam.
Um exemplo claro disso foi a criação de um novo produto dentro da própria fazenda: a produção de cachaça a partir de um resíduo nobre da operação. “Conseguimos fechar o ciclo dentro da fazenda, gerar renda, emprego e ainda criar um produto que acompanhamos do campo ao copo”.
Mais que inovação, foi inteligência de aproveitamento.
O mito da liberdade
Talvez uma das falas mais honestas da Laura enquanto conta a sua história seja também um dos maiores mitos do empreendedorismo: “Dizem que empreender traz mais liberdade. Mas isso é uma falácia gigante. O que muda não é a carga, é a natureza dela”, alerta a empresária.
O tempo que antes era dedicado a um empregador, por exemplo, passa a ser dedicado ao negócio e, muitas vezes, em maior intensidade, ela explica. “A dependência do chefe vira dependência do mercado”. E o mercado não negocia.
Dessa forma, a história da Laura Vicentini reforça algo que tenho visto cada vez mais claro. É a realidade que empreender não é sobre dar conta de tudo; é sobre saber o que você controla e o que precisa dividir. Sobre entender que negócios crescem com estratégia e se sustentam com equilíbrio.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
No fim, talvez uma das maiores maturidades do empreendedor seja “confiar mais em si mesma e dividir as dores com quem está ao lado”, garante Laura. Porque crescer sozinho pode até parecer força; mas crescer junto é o que constrói algo duradouro.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Empreender também é aprender a dividir o peso
Laura Vicentini, da SoZé Cachaça, e o equilíbrio entre o campo, o negócio e a vida
Por Miguel El Debs*
Ao longo do tempo que venho compartilhando histórias aqui, foi possível notar que existe uma característica que aparece em quase todas elas, ainda que nem sempre seja dito com clareza, palavra por palavra, que é: empreender não é só lidar com o mercado; é, muitas vezes, aprender a lidar consigo mesmo.
A trajetória de Laura Vicentini, à frente da SoZé Cachaça ao lado do marido Rodrigo Spina, traz exatamente esse tipo de reflexão. Um empreendedorismo construído no campo, com ciclos longos, variáveis difíceis de controlar e decisões que impactam tanto o negócio, quanto a vida, fazendo com que os maiores desafios, talvez, não sejam técnicos.
O peso invisível do tempo
Inclusive, quando perguntei a ela sobre os maiores obstáculos que enfrentou, a sua resposta me surpreendeu ao não vir nem do mercado, nem da operação. “O meu maior desafio foi o tempo dedicado à empresa e ausente em casa”. Ou seja: a dificuldade estava em conciliar o negócio e o lar.
E essa é uma verdade que poucos colocam na mesa, mesmo que a ideia de que empreender traga liberdade normalmente se desfaça com muita rapidez na prática. Afinal, o negócio ocupa espaço (mental, emocional e físico).
Felizmente, Laura percebeu isso cedo e tomou uma decisão que, para muitos, é difícil. “Hoje, quando estou em casa, tiro o pé. Evito celular, não respondo cliente a qualquer hora, não tento resolver problema na madrugada”, revela, destacando que os outros fatores, como mercado e carga tributária, ela não controla. Mas o tempo, sim.
Oportunidade nasce da pressão
No campo, crise é parte do jogo, nunca exceção. E foi justamente em uma elas que surgiu uma das soluções mais inteligentes da operação da SoZé Cachaças. Diante da dificuldade de escoar mudas, que têm vida útil curta, e dentro de um cenário de preços desfavoráveis da cana-de-açúcar, abriu-se um novo caminho. “Conectamos a dificuldade de estoque com a necessidade do produtor de replantar falhas”.
Abriram-se as vendas de mudas para replantio, com custo mais acessível, permitindo ao produtor manter a produtividade; à empresa, reduzir perdas; e, ao negócio, ganhar equilíbrio. Foi resposta prática a um problema real.
Bem como um aprendizado tão profundo quanto os demais, mas que nada tinha a ver com a operação. “Eu me perdi tentando guardar tudo para mim. Mesmo tendo meu marido ao meu lado, evitava compartilhar dificuldades, acreditando que daria conta sozinha. Não deu certo. Hoje, compartilho a visão dos problemas e peço ajuda para ajustar rota, estratégia e decisões”.
Esse ajuste de rota mudou não só a dinâmica entre os sócios, mas a cultura do negócio. Cada pessoa passou a entender seu papel e contribuir de forma mais efetiva.
Inovar respeitando o ciclo
Enquanto no agro as crises não são exceções, tampouco a inovação. É preciso inovar, mesmo que não seja simples. Por isso mesmo, Laura teve que se reinventar safra a safra, adaptando, criando novas soluções, sem perder a qualidade que sempre ofereceu e na qual os clientes tanto confiavam.
Um exemplo claro disso foi a criação de um novo produto dentro da própria fazenda: a produção de cachaça a partir de um resíduo nobre da operação. “Conseguimos fechar o ciclo dentro da fazenda, gerar renda, emprego e ainda criar um produto que acompanhamos do campo ao copo”.
Mais que inovação, foi inteligência de aproveitamento.
O mito da liberdade
Talvez uma das falas mais honestas da Laura enquanto conta a sua história seja também um dos maiores mitos do empreendedorismo: “Dizem que empreender traz mais liberdade. Mas isso é uma falácia gigante. O que muda não é a carga, é a natureza dela”, alerta a empresária.
O tempo que antes era dedicado a um empregador, por exemplo, passa a ser dedicado ao negócio e, muitas vezes, em maior intensidade, ela explica. “A dependência do chefe vira dependência do mercado”. E o mercado não negocia.
Dessa forma, a história da Laura Vicentini reforça algo que tenho visto cada vez mais claro. É a realidade que empreender não é sobre dar conta de tudo; é sobre saber o que você controla e o que precisa dividir. Sobre entender que negócios crescem com estratégia e se sustentam com equilíbrio.
No fim, talvez uma das maiores maturidades do empreendedor seja “confiar mais em si mesma e dividir as dores com quem está ao lado”, garante Laura. Porque crescer sozinho pode até parecer força; mas crescer junto é o que constrói algo duradouro.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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