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Entenda o que está por trás da recente ‘obsessão’ por proteínas
Saúde

Entenda o que está por trás da recente ‘obsessão’ por proteínas

By Laura Oliveira on 26 de maio de 2020

Para a nutricionista Vivian Cognetti, parte dessa “obsessão” com proteínas vem da preocupação com a composição corporal, envelhecimento saudável, saciedade e saúde muscular

Se você já se interessa por alimentação saudável isso pode não ser novidade para você, mas se ainda o assunto não chegou na sua bolha, deixe-nos te dar um pouco de contexto. 

Nos últimos meses perfis de redes sociais voltados para alimentação saudável, exercícios físicos e, de um modo geral, bem-estar, têm intensificado as menções sobre proteínas, um nutriente essencial para o funcionamento do corpo. 

A “obsessão” do momento é que alimentos proteicos têm aparecido como protagonistas em dietas e recomendações feitas por não especialistas e essa tendência foi além do mundo virtual e está se fazendo presente nas prateleiras dos supermercados.

Para entender melhor sobre o que é proteína, como ela atua no corpo humano e de onde vem essa “obsessão” pelo nutriente, o Portal Zumm conversou com a nutricionista Vivian Cognetti que explicou todos os detalhes desse comportamento.

“A indústria percebeu esse movimento e começou a adicionar proteína em praticamente tudo: iogurtes, barras, sorvetes, bebidas, snacks, muitas vezes criando a sensação de que ‘quanto mais proteína, melhor’. E nem sempre é tão simples assim.”

– Vivian Cognetti

O que são as proteínas?

Segundo a especialista, a proteína, ao contrário do que muitos pensam, não é somente associada aos músculos e possui uma participação essencial em praticamente todos os processos do corpo: formação de tecidos, produção de hormônios, enzimas, imunidade, cabelo, pele e unhas. 

“Ela funciona como pequenos ‘blocos de construção’ do organismo. E como o corpo não consegue produzir todos sozinho, precisamos obter através da alimentação.”

Existe mais de um grupo desse nutriente, tendo como principal diferença entre eles a composição de aminoácidos que o formam e a capacidade que o corpo tem de aproveitá-los.

“Costumamos dividir em proteínas de origem animal e vegetal. As proteínas de origem animal, como carne, ovos, peixe e leite, normalmente têm todos os aminoácidos essenciais em boas quantidades e uma digestibilidade maior, por isso costumam ser consideradas proteínas de alto valor biológico.”

Já as proteínas vegetais – feijão, lentilha, grão-de-bico e oleaginosas –, como Vivian explica, podem ter menor quantidade de alguns aminoácidos específicos. Mas isso não significa que sejam “piores”. 

“Quando existe variedade alimentar ao longo do dia, é totalmente possível atingir uma boa qualidade proteica também em padrões alimentares vegetais”, complementa a nutricionista.

Para além do animal e vegetal, hoje também temos o whey protein, colágeno e proteínas adicionadas em produtos industrializados, que, como no whey, costumam ter uma ótima concentração de aminoácidos importantes para a síntese muscular, mas o mais importante é olhar o contexto geral da alimentação e a necessidade de cada pessoa.

“O problema é que, nas redes sociais, muitas vezes isso vira uma obsessão por bater metas muito altas, o que pode acarretar riscos à saúde.”

A proteína dentro dos hábitos alimentares

Assim como outros nutrientes, não existe uma quantidade única de consumo da proteína que sirva para todo mundo. A necessidade varia de acordo com idade, fase da vida, nível de atividade física, composição corporal, objetivos e até condições de saúde.

“Uma pessoa sedentária tem uma necessidade diferente de alguém que treina musculação, está envelhecendo, passou por uma cirurgia ou está em processo de emagrecimento”, explica Vivian.

Se consumido em menor quantidade, a pessoa pode apresentar perda de massa muscular, mais fraqueza, dificuldade de recuperação, queda de cabelo, unhas mais frágeis, pior cicatrização e até alterações na imunidade. 

Apesar disso, é importante saber que deficiência proteica grave não é algo comum em quem tem acesso regular à alimentação, e que hoje, muitas vezes, vemos mais um desequilíbrio alimentar do que uma deficiência severa propriamente dita.

Mesmo que seja associada ao crescimento dos músculos, a especialista reforça que consumir proteínas em excesso não vai automaticamente gerar mais músculo ou mais saúde. “Quando a alimentação fica focada em proteínas, muitas vezes outros aspectos importantes acabam sendo deixados de lado, como fibras, frutas, vegetais e variedade alimentar”.

Além disso, Vivian faz alerta para quem possui problemas renais pré-existentes porque nesses casos uma ingestão excessiva pode implicar o agravamento do estado de saúde.

Dietas hiperproteicas não fazem com que os músculos “estoquem” nutrientes, o corpo utilizará aquilo que precisa, e o restante pode ser usado como fonte de energia ou armazenado na forma de gordura, dependendo do contexto da alimentação e do gasto energético da pessoa.

“A questão é o equilíbrio, o problema hoje não é a proteína em si, e sim a ideia de que quanto mais proteína um alimento tiver, automaticamente mais saudável ele será.”

O papel da internet na alimentação

Parte da popularização dessa tendência, segundo Vivian, é o aumento da preocupação com a composição corporal, envelhecimento saudável, saciedade e saúde muscular, incentivado pelas redes sociais.

“A proteína ganhou uma imagem de nutriente ‘do bem’: ela ajuda na saciedade, participa da manutenção da massa magra e costuma estar associada a uma alimentação vista como mais saudável.”

Outro aspecto que influencia o comportamento é a popularização das canetas emagrecedoras. “Hoje já se sabe que uma perda de peso sem um cuidado adequado com ingestão proteica e musculação pode levar também à perda de massa muscular. Então a proteína acabou virando protagonista desse discurso”.

Posted in Saúde.
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