Localizado na Bolívia, o Salar de Uyuni é uma experiência de limiar e um daqueles lugares raros que lembram, de maneira irrefutável, por que vale a pena viajar
Por Salma Tannure*
Existem lugares do mundo, como o Salar de Uyuni, na Bolívia, que desafiam quaisquer esforços de descrição. Fato é que, ali, estão 10.000km² de uma paisagem branca a 3.600m de altitude formando o maior deserto de sal do planeta. Estar nessa parte dos Andes bolivianos é uma experiência quase espiritual, capaz de redefinir a relação do viajante com o tempo, o espaço e a beleza.
Não por acaso, o local foi eleito, pela CNN, um dos “25 lugares mais imperdíveis para se visitar” e ganhou um lugar no topo da lista de destinos extraordinários do New York Times. Chegar ao Salar de Uyuni é entrar em outro mundo e, depois, sair diferente de como entramos.
Beleza sem fim
Durante a temporada de chuvas, entre novembro e março, uma fina camada d’água cobre a superfície do Salar e transforma o deserto no maior espelho natural do planeta. A linha do horizonte desaparece e o céu passa a ser refletido com nitidez, fazendo com que nuvens, pôr do sol e estrelas se dupliquem sob nossos pés. A sensação quando isso acontece é de leveza, como se estivéssemos flutuando.
É nesse cenário que surgem as icônicas fotografias onde humanos parecem gigantes, enquanto objetos minúsculos e a realidade se dobram aos desejos do fotógrafo. Para os amantes da fotografia, poucos lugares no mundo oferecem tanto potencial criativo.
Já na estação seca, entre maio a novembro, o Salar revela outro tipo de beleza: a superfície endurece e forma padrões geométricos de sal como um mosaico ancestral esculpido pela natureza. O branco é tão intenso que é preciso óculos escuros mesmo em dias nublados.
Salar durante o período de seca
Para além do deserto de sal
Apesar de a paisagem por si só valer a viagem, as proximidades do Salar de Uyuni – e ele próprio – oferecem um turismo voltado à contemplação da natureza e até um Cemitério de Trens, localizado às portas da cidade de Uyuni.
No meio do deserto, ergue-se a Ilha Incahuasi, coberta por cactos gigantes que chegam a 10m de altura, com vistas surreais, nas quais o mar de sal se estende até onde a vista alcança.
Ilha Incahuasi
Ainda no Salar, existem pequenas nascentes que brotam do meio do deserto, chamadas “Ojos de Agua”, que criam paisagens deslumbrantes, impossíveis de passarem despercebidas.
A poucas horas dalí, no coração da Reserva Nacional Eduardo Abaroa, a Laguna Colorada impressiona com sua coloração avermelhada intensa, e ainda abriga os flamingos da espécie James, endêmicos da região. Ao lado, a Laguna Verde exibe uma tonalidade de esmeralda em contraste com a neve dos Andes, tendo o vulcão Licancahur ao fundo – é como uma pintura impossível.
Laguna ColoradaLaguna Verde
No amanhecer, os Géiseres del Sol de Mañana expelem vapor a mais de 4.000m de altitude, em uma das experiências mais viscerais da viagem. E após um dia entre vulcões, as Termas de Chalviri oferecem o presente improvável de um banho a 35°C no meio do altiplano gelado.
Hospedagem também é turismo
A experiência de se hospedar no Salar de Uyuni ganhou um novo significado com hospedagens que aumentam o conforto sem abandonar o caráter do lugar. O mais emblemático é o hotel Palácio de Sal, 1º hotel de sal do mundo, construído inteiramente com tijolos extraídos do próprio Salar. Todos os ambientes têm vista para o infinito branco, incluindo restaurante, lounges e piscina climatizada, numa mistura de tradição boliviana com estilo contemporâneo que cria uma atmosfera única no mundo.
Hotel Palácio de Sal, na Bolívia | Crédito: Reprodução Site Oficial
O destaque absoluto fica com o SPA, no qual o tratamento “Chaska” combina piscina de água doce com vistas diretas para o deserto, sauna, ritual de sal e o inusitado “enterramento de sal”: o hóspede passa mais de meia hora literalmente com o corpo imerso em camadas do mineral, em uma terapia ao mesmo tempo estranha, relaxante e inesquecível.
Mas você está em busca de aventura e não quer abrir mão da sofisticação? O Explora Uyuni Lodge opera uma rede de lodges no altiplano boliviano projetados pelo premiado arquiteto chileno Max Núñez. Lá, as construções são reversíveis e sustentáveis, sem deixar pegada permanente no ecossistema.
E para aqueles que desejam a experiência completa, a proposta é a “Travesía Atacama-Uyuni”, uma jornada exclusiva que conecta o Deserto do Atacama ao Salar em veículos privados com guias especializados, dormindo em lodges posicionados estrategicamente ao longo do percurso.
Outra opção nessa mesma pegada são os “Tours VIP”, com operadoras especializadas, que oferecem carros 4×4 privados, quartos exclusivos com banheiro e água quente, e refeições elaboradas com ingredientes locais – uma experiência muito mais próxima do ritmo contemplativo que o Uyuni merece.
Sem dúvida, o Salar de Uyuni é uma experiência de limiar e um daqueles lugares raros que nos lembram, de maneira irrefutável, dos porquês de valer a pena viajar.
* Salma Tannure é diretora comercial da Flytour Serviços de Viagens do Iguatemi Ribeirão Preto, especialista em curadoria e gestão de roteiros personalizados, com vivência e experiência em mais de 30 países.
O céu e a terra desaparecem no Salar de Uyuni, maior ‘espelho’ do mundo
Localizado na Bolívia, o Salar de Uyuni é uma experiência de limiar e um daqueles lugares raros que lembram, de maneira irrefutável, por que vale a pena viajar
Por Salma Tannure*
Existem lugares do mundo, como o Salar de Uyuni, na Bolívia, que desafiam quaisquer esforços de descrição. Fato é que, ali, estão 10.000km² de uma paisagem branca a 3.600m de altitude formando o maior deserto de sal do planeta. Estar nessa parte dos Andes bolivianos é uma experiência quase espiritual, capaz de redefinir a relação do viajante com o tempo, o espaço e a beleza.
Não por acaso, o local foi eleito, pela CNN, um dos “25 lugares mais imperdíveis para se visitar” e ganhou um lugar no topo da lista de destinos extraordinários do New York Times. Chegar ao Salar de Uyuni é entrar em outro mundo e, depois, sair diferente de como entramos.
Beleza sem fim
Durante a temporada de chuvas, entre novembro e março, uma fina camada d’água cobre a superfície do Salar e transforma o deserto no maior espelho natural do planeta. A linha do horizonte desaparece e o céu passa a ser refletido com nitidez, fazendo com que nuvens, pôr do sol e estrelas se dupliquem sob nossos pés. A sensação quando isso acontece é de leveza, como se estivéssemos flutuando.
É nesse cenário que surgem as icônicas fotografias onde humanos parecem gigantes, enquanto objetos minúsculos e a realidade se dobram aos desejos do fotógrafo. Para os amantes da fotografia, poucos lugares no mundo oferecem tanto potencial criativo.
Já na estação seca, entre maio a novembro, o Salar revela outro tipo de beleza: a superfície endurece e forma padrões geométricos de sal como um mosaico ancestral esculpido pela natureza. O branco é tão intenso que é preciso óculos escuros mesmo em dias nublados.
Para além do deserto de sal
Apesar de a paisagem por si só valer a viagem, as proximidades do Salar de Uyuni – e ele próprio – oferecem um turismo voltado à contemplação da natureza e até um Cemitério de Trens, localizado às portas da cidade de Uyuni.
No meio do deserto, ergue-se a Ilha Incahuasi, coberta por cactos gigantes que chegam a 10m de altura, com vistas surreais, nas quais o mar de sal se estende até onde a vista alcança.
Ainda no Salar, existem pequenas nascentes que brotam do meio do deserto, chamadas “Ojos de Agua”, que criam paisagens deslumbrantes, impossíveis de passarem despercebidas.
A poucas horas dalí, no coração da Reserva Nacional Eduardo Abaroa, a Laguna Colorada impressiona com sua coloração avermelhada intensa, e ainda abriga os flamingos da espécie James, endêmicos da região. Ao lado, a Laguna Verde exibe uma tonalidade de esmeralda em contraste com a neve dos Andes, tendo o vulcão Licancahur ao fundo – é como uma pintura impossível.
No amanhecer, os Géiseres del Sol de Mañana expelem vapor a mais de 4.000m de altitude, em uma das experiências mais viscerais da viagem. E após um dia entre vulcões, as Termas de Chalviri oferecem o presente improvável de um banho a 35°C no meio do altiplano gelado.
Hospedagem também é turismo
A experiência de se hospedar no Salar de Uyuni ganhou um novo significado com hospedagens que aumentam o conforto sem abandonar o caráter do lugar. O mais emblemático é o hotel Palácio de Sal, 1º hotel de sal do mundo, construído inteiramente com tijolos extraídos do próprio Salar. Todos os ambientes têm vista para o infinito branco, incluindo restaurante, lounges e piscina climatizada, numa mistura de tradição boliviana com estilo contemporâneo que cria uma atmosfera única no mundo.
O destaque absoluto fica com o SPA, no qual o tratamento “Chaska” combina piscina de água doce com vistas diretas para o deserto, sauna, ritual de sal e o inusitado “enterramento de sal”: o hóspede passa mais de meia hora literalmente com o corpo imerso em camadas do mineral, em uma terapia ao mesmo tempo estranha, relaxante e inesquecível.
Mas você está em busca de aventura e não quer abrir mão da sofisticação? O Explora Uyuni Lodge opera uma rede de lodges no altiplano boliviano projetados pelo premiado arquiteto chileno Max Núñez. Lá, as construções são reversíveis e sustentáveis, sem deixar pegada permanente no ecossistema.
E para aqueles que desejam a experiência completa, a proposta é a “Travesía Atacama-Uyuni”, uma jornada exclusiva que conecta o Deserto do Atacama ao Salar em veículos privados com guias especializados, dormindo em lodges posicionados estrategicamente ao longo do percurso.
Outra opção nessa mesma pegada são os “Tours VIP”, com operadoras especializadas, que oferecem carros 4×4 privados, quartos exclusivos com banheiro e água quente, e refeições elaboradas com ingredientes locais – uma experiência muito mais próxima do ritmo contemplativo que o Uyuni merece.
Sem dúvida, o Salar de Uyuni é uma experiência de limiar e um daqueles lugares raros que nos lembram, de maneira irrefutável, dos porquês de valer a pena viajar.
* Salma Tannure é diretora comercial da Flytour Serviços de Viagens do Iguatemi Ribeirão Preto, especialista em curadoria e gestão de roteiros personalizados, com vivência e experiência em mais de 30 países.
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