Na coluna de hoje, Augusto Carminati relata uma história de coragem ao escolher o caminho longo
Por Miguel El Debs*
Vivemos uma época em que o empreendedorismo parece ter se tornado uma competição de velocidade – crescer rápido, escalar rápido, captar rápido. Mas conversando com Augusto Carminati, CEO da IMMA, percebi uma visão diferente. Talvez algumas empresas não tenham nascido para correr; talvez tenham nascido para durar.
Augusto se define como futurista profissional, pesquisador, escritor e empreendedor. À frente da IMMA, uma consultoria especializada em inteligência antecipatória, construiu uma trajetória que foge dos modelos tradicionais de crescimento acelerado.
E isso não aconteceu por acaso. Foi uma escolha.
Quando o mercado compra marca antes de comprar resultado
No início da jornada de Augusto, o maior desafio não foi desenvolver metodologia, encontrar clientes ou estruturar o negócio. Foi conquistar espaço em um mercado que frequentemente valoriza nomes conhecidos antes mesmo de avaliar a qualidade da entrega. “Muitas vezes, o mercado privilegia marca em vez da qualidade”, destaca.
Enquanto grandes consultorias se apoiavam em reputações já consolidadas, o empreendedor apostava em algo mais difícil de construir: proximidade. Uma relação mais próxima com os clientes, capaz de transformar projetos em resultados concretos, e não apenas em apresentações que acabam esquecidas em alguma pasta do computador.
Mas existe um detalhe desafiador em qualquer início de trajetória que é o fato de a confiança do mercado levar tempo para chegar. Os boletos não.
Por isso, Augusto lembra que “todo dia era um dia a mais pensando em desistir”. Mas o que o manteve no caminho foram os resultados gerados para quem acreditava no seu trabalho. “O retorno dos clientes era o que me fazia pensar: aguenta só mais um pouquinho”, recorda.
O dia em que o presencial desapareceu
Quando a pandemia chegou, ela atingiu diretamente o principal diferencial da IMMA, que era ser um negócio era totalmente presencial. A proximidade física fazia parte da proposta de valor.
“Fechei as portas em março e só voltei a abrir presencialmente agora, em 2026”, lembra Augusto sobre o que poderia representar o fim da empresa, mas acabou se tornando uma das maiores transformações da sua história. Porque foi nesse período que o pesquisador percebeu que a IMMA não poderia depender apenas de um mercado local.
Sendo assim, a necessidade de adaptação abriu portas para conexões em diferentes estados e países. Hoje, a rede construída pela empresa alcança mais de 25 países.
“O baque me fez entender o verdadeiro potencial da IMMA.”
– Augusto Carminati
Empresas elefantes
Em um universo empresarial fascinado pelos chamados “unicórnios”, Augusto gosta de falar sobre outro conceito: as empresas elefantes. Ou seja, os negócios construídos para durar.
Empresas que inspiram lealdade, transformam clientes em fãs, colaboradores em comunidade e possuem a capacidade de atravessar longos períodos de dificuldade sem perder sua identidade.
“Nunca quis criar um negócio rápido”, aponta Augusto, com a frase que talvez melhor resume a sua visão empreendedora.
Em vez de perseguir crescimento acelerado, escolheu desenvolver relações duradouras, entregas consistentes e uma cultura capaz de sustentar o longo prazo.
Confiar mais em si mesmo
Quando pergunto sobre erros importantes da trajetória, a resposta vem acompanhada de uma reflexão que muitos empreendedores provavelmente reconhecerão: “confiei demais nos outros e desconfiei demais de mim”, confessa.
Para Augusto, existe uma diferença importante entre arrogância e intuição. Empreender exige aprender constantemente, ouvir pessoas experientes e estar aberto a mudanças. Contudo, também exige confiar na própria leitura de cenário.
Segundo ele, “o feeling é uma sabedoria sem tradução”. Algumas das decisões mais importantes da sua trajetória nasceram exatamente dessa capacidade de escutar aquilo que ainda não podia ser explicado em planilhas ou indicadores.
A entrega vem antes da venda
Outro mito que caiu ao longo dos anos foi a ideia de que vender é a atividade mais importante de qualquer negócio. Pode até ser para empresas passageiras, mas não para empresas que desejam permanecer. “A boa entrega é a melhor pré-venda que existe”, garante Augusto. Em um mercado onde muitos disputam atenção, ele escolheu disputar relevância.
Toda a conversa que tivemos me fez refletir sobre algo que raramente aparece nas redes sociais: nem todo negócio nasceu para ser um unicórnio; alguns nasceram para ser elefantes. Para atravessar crises, construir comunidades, crescer com consistência, permanecer quando o entusiasmo inicial passar.
Talvez o empreendedorismo não seja apenas sobre chegar rápido. Talvez seja sobre chegar preparado.
Miguel El Debs | Crédito: Érico Andrade
E como o próprio Augusto resume: “sonhar grande deve sempre vir acompanhado da disposição de fazer o pequeno”.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
Nem todo negócio nasceu para ser unicórnio
Na coluna de hoje, Augusto Carminati relata uma história de coragem ao escolher o caminho longo
Por Miguel El Debs*
Vivemos uma época em que o empreendedorismo parece ter se tornado uma competição de velocidade – crescer rápido, escalar rápido, captar rápido. Mas conversando com Augusto Carminati, CEO da IMMA, percebi uma visão diferente. Talvez algumas empresas não tenham nascido para correr; talvez tenham nascido para durar.
Augusto se define como futurista profissional, pesquisador, escritor e empreendedor. À frente da IMMA, uma consultoria especializada em inteligência antecipatória, construiu uma trajetória que foge dos modelos tradicionais de crescimento acelerado.
E isso não aconteceu por acaso. Foi uma escolha.
Quando o mercado compra marca antes de comprar resultado
No início da jornada de Augusto, o maior desafio não foi desenvolver metodologia, encontrar clientes ou estruturar o negócio. Foi conquistar espaço em um mercado que frequentemente valoriza nomes conhecidos antes mesmo de avaliar a qualidade da entrega. “Muitas vezes, o mercado privilegia marca em vez da qualidade”, destaca.
Enquanto grandes consultorias se apoiavam em reputações já consolidadas, o empreendedor apostava em algo mais difícil de construir: proximidade. Uma relação mais próxima com os clientes, capaz de transformar projetos em resultados concretos, e não apenas em apresentações que acabam esquecidas em alguma pasta do computador.
Mas existe um detalhe desafiador em qualquer início de trajetória que é o fato de a confiança do mercado levar tempo para chegar. Os boletos não.
Por isso, Augusto lembra que “todo dia era um dia a mais pensando em desistir”. Mas o que o manteve no caminho foram os resultados gerados para quem acreditava no seu trabalho. “O retorno dos clientes era o que me fazia pensar: aguenta só mais um pouquinho”, recorda.
O dia em que o presencial desapareceu
Quando a pandemia chegou, ela atingiu diretamente o principal diferencial da IMMA, que era ser um negócio era totalmente presencial. A proximidade física fazia parte da proposta de valor.
“Fechei as portas em março e só voltei a abrir presencialmente agora, em 2026”, lembra Augusto sobre o que poderia representar o fim da empresa, mas acabou se tornando uma das maiores transformações da sua história. Porque foi nesse período que o pesquisador percebeu que a IMMA não poderia depender apenas de um mercado local.
Sendo assim, a necessidade de adaptação abriu portas para conexões em diferentes estados e países. Hoje, a rede construída pela empresa alcança mais de 25 países.
Empresas elefantes
Em um universo empresarial fascinado pelos chamados “unicórnios”, Augusto gosta de falar sobre outro conceito: as empresas elefantes. Ou seja, os negócios construídos para durar.
Empresas que inspiram lealdade, transformam clientes em fãs, colaboradores em comunidade e possuem a capacidade de atravessar longos períodos de dificuldade sem perder sua identidade.
“Nunca quis criar um negócio rápido”, aponta Augusto, com a frase que talvez melhor resume a sua visão empreendedora.
Em vez de perseguir crescimento acelerado, escolheu desenvolver relações duradouras, entregas consistentes e uma cultura capaz de sustentar o longo prazo.
Confiar mais em si mesmo
Quando pergunto sobre erros importantes da trajetória, a resposta vem acompanhada de uma reflexão que muitos empreendedores provavelmente reconhecerão: “confiei demais nos outros e desconfiei demais de mim”, confessa.
Para Augusto, existe uma diferença importante entre arrogância e intuição. Empreender exige aprender constantemente, ouvir pessoas experientes e estar aberto a mudanças. Contudo, também exige confiar na própria leitura de cenário.
Segundo ele, “o feeling é uma sabedoria sem tradução”. Algumas das decisões mais importantes da sua trajetória nasceram exatamente dessa capacidade de escutar aquilo que ainda não podia ser explicado em planilhas ou indicadores.
A entrega vem antes da venda
Outro mito que caiu ao longo dos anos foi a ideia de que vender é a atividade mais importante de qualquer negócio. Pode até ser para empresas passageiras, mas não para empresas que desejam permanecer. “A boa entrega é a melhor pré-venda que existe”, garante Augusto. Em um mercado onde muitos disputam atenção, ele escolheu disputar relevância.
Toda a conversa que tivemos me fez refletir sobre algo que raramente aparece nas redes sociais: nem todo negócio nasceu para ser um unicórnio; alguns nasceram para ser elefantes. Para atravessar crises, construir comunidades, crescer com consistência, permanecer quando o entusiasmo inicial passar.
Talvez o empreendedorismo não seja apenas sobre chegar rápido. Talvez seja sobre chegar preparado.
Se você conhece alguém com uma história empreendedora que merece ser contada, escreva para contato@grupozumm.com.br.
* Miguel El Debs é empresário, head do DBS|Hub e do LIDE Empreendedor, sócio do Grupo ZK, e conselheiro estratégico com foco em Branding e Marketing.
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