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Parede com quadros em decoração maximalista
Arq&Decor

Decoração maximalista: dicas e ideias para sua casa

By Redação Zumm on 15 de maio de 2022

Veja o que é o estilo, por que ele está em alta e ideias para usar cor, estampa e objetos em cada cômodo da casa

Tem casa em que a gente entra e entende na hora quem mora ali. O quadro herdado da avó divide a parede com uma gravura comprada em viagem, a poltrona de veludo verde puxa a cor das almofadas e a estante mistura livros, cerâmicas e fotos de família. Essa é a proposta da decoração maximalista: fazer da casa um retrato de quem vive nela. 

Depois de anos de paredes bege, móveis cinza e ambientes com cara de showroom, muita gente cansou da neutralidade. Cresce o número de pessoas que deixaram o minimalismo de lado e querem voltar a ver cor, estampa e objetos com história dentro de casa. 

Se você também sente vontade de dar mais personalidade aos seus ambientes, abaixo estão os cuidados para compor cores, estampas e objetos sem pesar o espaço, além de ideias para levar o estilo a cada cômodo.

O que é maximalismo? 

Maximalismo é o estilo de decoração que troca o “menos é mais” pelo “mais é mais”. Ele combina cores intensas, mistura estampas, sobrepõe texturas e objetos com história à mostra, tudo convivendo no mesmo ambiente. 

O que separa uma casa maximalista de uma casa simplesmente cheia é a escolha por trás de cada peça. Tudo está ali por um motivo e conversa com o resto, seja pela cor, pela época ou pela memória que carrega. O ambiente tem muitos detalhes, mas faz sentido quando você olha o conjunto. 

De onde vem o estilo maximalista? 

O excesso já foi sinônimo de poder. O Palácio de Versalhes e as casas inglesas da era vitoriana usavam cores fortes, móveis opulentos e papel de parede em profusão para exibir riqueza. A partir dos anos 1920, com a escola Bauhaus e o “menos é mais” do arquiteto alemão Mies van der Rohe, a sobriedade ganhou espaço e o exagero passou a ser visto como cafona. 

A resposta veio em 1966, quando o arquiteto americano Robert Venturi rebateu com “menos é chato” (less is a bore) no livro Complexidade e Contradição em Arquitetura. Nos anos 1980, o grupo Memphis, do designer italiano Ettore Sottsass, levou essa irreverência aos móveis, misturando pop e clássico. A retomada mais recente veio depois da pandemia, quando a casa virou refúgio e muita gente quis se reconhecer nela. 

Arquitetura maximalista: quando o prédio também entra na festa 

A arquitetura maximalista leva o estilo para fora da sala, com fachadas ornamentadas, cores fortes e formas que fogem do bloco de concreto. Alguns exemplos que valem a pesquisa: 

  • Casa Vanna Venturi (Filadélfia, EUA): projetada por Robert Venturi para a própria mãe e concluída em 1964, é considerada um dos primeiros marcos do pós-modernismo.
  • Casa Batlló (Barcelona, Espanha): obra de Antoni Gaudí, com fachada colorida e interiores cheios de curvas.
  • Os “cholets” de Freddy Mamani (El Alto, Bolívia): prédios que traduzem a cultura andina em cor, grafismos e luz de LED. O trabalho já ganhou exposição na Fundação Cartier, em Paris (ArchDaily). 
  • Adam Nathaniel Furman: arquiteto e artista que leva grafismos e cor para espaços públicos, interiores e móveis (ArchDaily). 
Fachada da Casa Batlló, uma referência de arquitetura maximalista.
Fachada da Casa Batlló, na Espanha

Qual a diferença entre minimalismo e maximalismo? 

Minimalismo e maximalismo são opostos na forma, mas buscam a mesma coisa: uma casa que faça sentido para quem mora nela. O minimalismo aposta em poucos elementos e espaço livre, enquanto o maximalismo mistura cores, estampas e objetos escolhidos a dedo. Vale incluir na comparação um terceiro caso, o acúmulo, que muita gente confunde com o estilo. 

 Minimalismo Maximalismo Acúmulo 
Paleta de cores Neutra, poucos tons Intensa, com cores que se repetem pelo ambiente Sem critério, cores que não conversam 
Quantidade de objetos Só o essencial Muitos, escolhidos e agrupados Muitos, guardados onde der 
Estampas Raras ou nenhuma Várias, combinadas por cor e tamanho Misturadas por acaso 
Sensação do ambiente Calma e amplitude Aconchego e vontade de descobrir detalhes Cansaço e confusão 
Papel dos objetos Cumprir uma função Contar a história de quem mora Ocupar espaço 
Manutenção Simples Pede limpeza e reorganização frequentes Difícil, as coisas se perdem 

A confusão tem até nome nas redes. No TikTok, a hashtag cluttercore (algo como “estética da bagunça”) passou de 12 bilhões de visualizações, segundo a Folhapress. O arquiteto Sig Bergamin, um dos maiores nomes do maximalismo no Brasil, discorda dessa leitura: para ele, o estilo pede rumo e curadoria, e funciona como uma “desordem organizada”. 

Sala dividia ao meio com o lado esquerdo decorado de forma maximalista, com cores, estampas e quadros, e o lado direito minimalista, com cores neutras e sem elementos chamativos de decoração.

O maximalismo ainda está em alta? 

Sim, e com mais força do que nos últimos anos. Os dados de busca do Pinterest, a escolha da cor do ano e as principais mostras de decoração do país apontam que os ambientes padronizados estão perdendo espaço para casas com personalidade. 

O que os dados do Pinterest mostram 

O Pinterest Predicts 2026, relatório anual em que a plataforma identifica as buscas que mais cresceram, listou 21 tendências para o ano. Quatro delas são de decoração, e nenhuma passa perto da neutralidade: 

Tendência O que é Buscas em alta (crescimento anual) 
Lar lúdico (Fun Haus) Decoração com inspiração circense, listras e bom humor “circus interior” +130%, “vintage circus aesthetic” +70%, teto listrado +40% 
Neo Déco O art déco repaginado, com brilho, mármore e latão carrinho de bar antigo +100%, banheiro em mármore vermelho +80%, pendente +40%, estética em latão +35% 
Decoração afroboêmia O estilo boho com referências africanas “afrobohemian home decor” +220%, tecido adire +130%, arte etíope +50% 
Extra Celestial Acabamentos opalescentes e formas que lembram órbitas “opalescent” +115% 

O Pinterest afirma ter acertado 88% das previsões nos últimos seis anos, e 67% das tendências de 2026 são puxadas pela geração Z. A maior diferença em relação aos anos anteriores é que as pessoas querem montar suas casas conforme seus gostos, e não seguindo uma regra única de estilo. 

Por que o estilo conversa tanto com a casa brasileira? 

O Brasil sempre foi um país maximalista, é muito comum encontrarmos elementos como renda, fotos de família, toalhinhas sobre os móveis, vasos, imãs de geladeira, tapetes em vários cômodos. São objetos de memória afetiva que, por muito tempo, foram associados à pobreza, enquanto a sofisticação ficava com o bege e o cinza. 

Essa associação tem dado espaço para uma outra visão sobre a decoração. Sofisticação não precisa ser neutra, e o maximalismo abre espaço para valorizar o repertório brasileiro: artesanato, tecidos, arte popular e o móvel que passou de geração em geração.  

Características da decoração maximalista 

Uma casa maximalista costuma reunir estes elementos: 

  • Cores intensas: nas paredes, nos móveis e até no teto. 
  • Estampas sobrepostas: floral, listra, xadrez e animal print no mesmo ambiente. 
  • Texturas variadas: veludo, palha, cerâmica, metal e madeira lado a lado. 
  • Paredes cheias de arte: galerias de quadros com molduras de estilos diferentes.
  • Peças com história: vintage, garimpadas ou herdadas, ao lado de design contemporâneo. 
  • Coleções à mostra: louças, livros, discos e objetos de viagem. 
  • Teto como quinta parede: com cor, papel de parede ou listras. 
  • Plantas em abundância: em vasos de tamanhos e materiais diferentes. 

Como fazer uma decoração maximalista sem pesar o ambiente? 

O maximalismo não tem regra fixa, mas alguns cuidados fazem diferença entre um ambiente vibrante e um ambiente confuso. 

Escolha um fio condutor 

Antes de comprar qualquer coisa, defina o que vai amarrar o ambiente. Pode ser uma paleta de três ou quatro cores que se repete em vários pontos, um tema (viagens, botânico, anos 1970) ou uma peça-âncora, como um tapete, um quadro ou uma poltrona. 

A decoradora americana Maria Salgado recomenda partir dessa peça e construir o resto em camadas, acrescentando aos poucos papel de parede, cortinas e acessórios. Um tapete persa em vermelho e azul, por exemplo, já sugere a cor das almofadas, da parede e de uma luminária. 

Coragem para combinar cores  

Algumas formas de usar cor sem medo: 

  • Color drenching: pintar parede, rodapé e batente no mesmo tom, o que deixa o ambiente envolvente e mais calmo, mesmo com cor forte. 
  • Tons profundos: verde-esmeralda, azul-petróleo, terracota e bordô funcionam bem como fundo para quadros e objetos.
  • Contrastes alegres: rosa com verde é uma das combinações preferidas da designer Lucy Barlow, segundo a Homes & Gardens. 

Misture estampas variando a escala 

A regra mais útil para quem tem medo de estampa é combinar uma grande, uma média e uma pequena no mesmo ambiente, todas ligadas por pelo menos uma cor em comum. Estampas do mesmo tamanho competem entre si; tamanhos diferentes criam ritmo. 

Um exemplo: papel de parede com floral grande, almofadas com listras médias e uma poltrona revestida de poá miúdo, todos com um toque de verde. 

Sobreponha texturas 

Textura dá profundidade ao ambiente, mesmo quando a paleta é mais contida. Funcionam bem juntos veludo e palha, cerâmica artesanal e metal polido, linho e couro. Tapete sobre tapete também vale, de preferência com tamanhos e tramas diferentes. Numa casa maximalista, o toque faz parte da experiência tanto quanto a cor. 

Deixe os objetos contarem histórias 

Coleções ficam mais bonitas agrupadas. Dez pratos juntos numa parede viram uma composição; os mesmos dez espalhados pela casa parecem bagunça. Misture peças de antiquário com design atual e reserve um tempo para garimpar em feiras, brechós e lojas de usados, o que deixa o estilo mais acessível e mais sustentável. 

Ilumine em camadas 

Casa maximalista pede várias fontes de luz: um pendente ou lustre como peça de destaque, abajures, arandelas e spots apontados para quadros e coleções. Prefira luz quente, que valoriza cores e texturas à noite e deixa o ambiente mais acolhedor. 

Curadoria: o segredo para não virar acúmulo 

Maximalismo bem-feito deve ser pensado. Um estudo de Darby Saxbe e Rena Repetti, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), publicado em 2010 no Personality and Social Psychology Bulletin, analisou visitas guiadas de 60 pessoas casadas às próprias casas. As mulheres que descreviam o lar com palavras ligadas a bagunça e coisas inacabadas tinham um padrão menos saudável de cortisol, o hormônio do estresse, ao longo do dia. Já as que descreviam a casa como um lugar restaurador tinham humor melhor. 

O problema, portanto, nunca foi a cor ou a quantidade de objetos, e sim a sensação de desordem. Por isso, quem gosta do estilo cultiva alguns hábitos: 

  • Rodiziar peças: trocar almofadas, capas e manta do sofá de tempos em tempos (por exemplo, a cada estação). 
  • Dar um endereço a cada coleção: uma prateleira, um nicho ou uma parede só para ela. 
  • Deixar um ponto de descanso visual: um trecho de parede livre ou um móvel liso entre composições mais carregadas. 

Ideias de decoração maximalista para cada ambiente 

Não é preciso transformar a casa inteira de uma vez. Escolha um cômodo e vá testando, vendo se gosta, e conforme o resultado for te agradando, amplie para outros espaços. 

Sala de estar maximalista 

A sala é o palco principal do estilo, porque é onde recebemos as pessoas e exibimos o que gostamos. Algumas ideias: 

  • Galeria do rodapé ao teto: quadros, gravuras e fotos com molduras diferentes. 
  • Sofá colorido: veludo verde, terracota ou mostarda, com almofadas de estampas variadas. 
  • Tapetes sobrepostos: um grande e liso por baixo, um menor e estampado por cima. 
  • Carrinho de bar antigo: um aceno ao Neo Déco que ainda organiza as bebidas. 
  • Estante organizada por cor: os livros viram um degradê. 
Sala maximalista com tapete listrado, sofás rosa e laranja, parede branca cheia de quadros e lustre em formato de esferas de vidro.

Quarto maximalista 

O quarto maximalista é o lugar mais íntimo para o estilo, onde dá para ousar sem abrir mão do aconchego. Algumas ideias: 

  • Cabeceira de destaque: estofada com estampa ou pintada direto na parede. 
  • Papel de parede no teto: a vista de quem deita muda completamente. 
  • Roupa de cama em camadas: colcha floral, lençol listrado e manta de textura.
  • Abajures diferentes: um modelo em cada criado-mudo. 
  • Tons profundos: azul-marinho e verde-musgo deixam o ambiente acolhedor para o descanso. 
Decoração maximalista em quarto, com parede azul e pinturas em temática de circo, colcha listrada e almofadas estampadas.

Cozinha e sala de jantar 

Na cozinha, o maximalismo une cor e uso diário. Algumas ideias: 

  • Armários coloridos: com puxadores dourados ou de latão. 
  • Revestimento estampado: ladrilho hidráulico ou azulejo com desenho. 
  • Prateleiras abertas: as louças do dia a dia viram decoração. 
  • Mesa de jantar com personalidade: cadeiras diferentes em volta da mesa e um lustre marcante por cima. 
Cozinha maximalista com decoração laranja e branca, com piso quadriculado preto e branco, quatros, imãs de geladeira dando o toque final, estilo moderno.

Lavabo e banheiro, o laboratório ideal 

O lavabo é o melhor lugar para testar o maximalismo: é pequeno, usado por pouco tempo e permite exagero sem cansar ninguém. Algumas ideias: 

  • Papel de parede ousado: em todas as paredes e no teto. 
  • Espelho com moldura trabalhada: dourada, entalhada ou colorida.
  • Revestimento de impacto: mármore colorido, como o banheiro em mármore vermelho que está em alta no Pinterest, ou cerâmica estampada. 
  • Detalhes curiosos: quadros pequenos e um objeto inesperado sobre a bancada. 
Banheiro com papel de parede colorido, espelho com bordas azuis, quadro na parede e combinação de diversas cores em tons de amarelo e vermelho.

Dá para ter uma casa maximalista em apartamento pequeno? 

Dá, e o tamanho pode até ajudar, pois os cômodos menores são mais simples de decorar com personalidade. Veja algumas ideias para montar uma decoração maximalista em apartamento: 

  • Concentre a intensidade: uma parede de galeria ou um canto de leitura podem carregar o estilo sozinhos.
  • Use espelhos: eles ampliam o espaço e multiplicam a cor. 
  • Escolha móveis de pé alto: deixar o piso à vista dá leveza ao ambiente. 
  • Aposte no teto: cor ou papel de parede lá em cima não ocupam espaço. 
  • Mantenha um fio condutor de cor: com poucas cores se repetindo, o ambiente não parece fragmentado. 
Decoração maximalista em apartamento pequeno, combinando cores mais sóbrias com elementos coloridos. Muitos quadros e itens de decoração que contam a história de quem mora ali.

Onde buscar inspiração maximalista 

Para continuar se inspirando, vale conhecer: 

Sig Bergamin: arquiteto brasileiro e um dos maiores nomes do estilo no mundo. 

  • Iris Apfel: ícone do “mais é mais” na moda e na decoração. 
  • Dorothy Draper e Tony Duquette: clássicos do século 20, mestres do excesso elegante. 
  • India Mahdavi e Kelly Wearstler: designers contemporâneas que trabalham cor e forma com ousadia. 
  • Livro Maximalism, da Phaidon: reúne mais de 220 interiores maximalistas, do século 17 até hoje. 
  • Mostras de decoração: a CASACOR Ribeirão Preto é uma ótima vitrine para ver o estilo de perto. 

A decoração maximalista começa com uma peça só: aquela que mais conta a sua história. Coloque-a em destaque, escolha as cores que conversam com ela e deixe o resto da casa crescer a partir daí, no seu tempo. 

DecoraçãoMaximalismo
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