• Grupo Zumm
    • Zumm Xper
    • Zumm Films
    • Revista Life Zumm
  • Editorias
    • Agronegócio
    • Arq&Decor
    • Autos
    • Beleza & Bem-estar
    • Cidade
    • Cultura
    • Curiosidades
    • Direito
    • Educação
    • Esportes
    • Eventos
    • Gourmet
    • Mercado Imobiliário
    • Moda
    • Negócios
    • Pet
    • Qualidade de Vida
    • Saúde
    • Solidariedade
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
    • Viagens
    • Vida Social
  • Contato
    • Fale conosco
Portal Zumm
A outra Roma de Caravaggio
Arq&Decor

A outra Roma de Caravaggio 

By Redação Zumm on 24 de julho de 2026

Roma me mostrou, pelas mãos de Caravaggio, que a vida é feita de contrastes, e talvez essa seja a mensagem mais bonita que encontrei

Por Maura Robusti*

Roma sempre me surpreende quando acredito conhecê-la. Desta vez, ela me revelou uma cidade menos monumental e mais humana. A descoberta começou diante de uma pintura de Caravaggio e terminou diante de outra. Entre elas, estavam a arquitetura, a espiritualidade, a arte e, acima de tudo, uma reflexão sobre a própria vida.

A 1ª parada foi o Museo e Cripta dei Cappuccini. Ali, os ossos revestem paredes, moldam arcos, formam ornamentos e desenham ambientes inteiros. Pertencem aos frades capuchinhos, ordem fundada em 1525, e foram organizados ao longo dos séculos em uma composição que, à primeira vista, pode parecer mórbida. Mas não é. É apenas uma forma diferente de olhar para a morte: não como fim, mas como passagem para a vida eterna, o encontro com o Pai.

É nesse cenário que encontrei uma das obras mais comoventes do mestre italiano: São Francisco em Oração, de 1603. O artista tinha profunda admiração por São Francisco, pela espiritualidade franciscana e pelas pessoas simples. Por isso, sua arte é marcada pela humanidade, sensibilidade e compaixão.

Na pintura, São Francisco está ajoelhado. A caveira, símbolo da fragilidade da existência, integra a cena, que acontece em uma caverna, representada com o realismo característico do artista. Um raio ilumina delicadamente o fio dourado da auréola, atravessando o hábito, o cordão franciscano e a própria caveira. De forma simples, mas genial, Caravaggio nos mostra que a luz só se revela plenamente quando atravessa a escuridão.

As caveiras ao redor da cripta nos perturbam porque nos lembram daquilo que insistimos em esquecer. Mas São Francisco parece pairar acima desse medo, como quem sabe que a morte não é o fim, mas o caminho para a vida eterna. Talvez seja justamente por isso que essa pequena obra tenha me marcado tanto. Ela indica a estrada para fora da caverna onde tantas vezes moramos sem perceber.

Não é uma obra majestosa; sua grandeza está justamente na piedade. É um gesto de amor, uma lembrança de que a morte existe, mas abre o caminho para a eternidade.

Dias depois, encontrei outro Caravaggio em um cenário completamente diferente: o magnífico Palazzo Doria Pamphilj. Ali, a elegância se revela em cada detalhe: salões ornamentados, galerias luminosas, espelhos e uma sucessão de ambientes revelam séculos de história da aristocracia romana.

Percorrer seus salões é compreender como a arquitetura também pode narrar uma época. Galerias, tetos pintados e perspectivas conduzem naturalmente o visitante ao encontro das obras.

É ali que está “O Repouso na Fuga para o Egito”, pintado em 1597. Mais uma vez, o que vemos é a delicadeza da condição humana. Maria descansa. O menino dorme. José observa. Um anjo toca violino. A cena é delicada, como se o sagrado habitasse justamente os instantes mais simples.

Palazzo Doria Pamphilj | Créditos: arquivo pessoal
O Repouso na Fuga para o Egito (Caravaggio, 1957)
Maura Robusti | Crédito: Érico Andrade
Maura Robusti | Crédito: Érico Andrade

Roma me mostrou, pelas mãos de Caravaggio, que a vida é feita de contrastes. Entre o silêncio das criptas e a grandiosidade dos palácios. Entre a escuridão e a luz. A morte existe, é inevitável. Às vezes assusta. Mas não estamos abandonados em nós mesmos.

E talvez essa seja a mensagem mais bonita que encontrei nessa Roma diferente: a de que toda sombra existe porque, em algum lugar, a luz já está a caminho.

* Maura Robusti é diretora do Mundo Robusti, um dos maiores do segmento de móveis e decoração do interior do estado de São Paulo.

Posted in Arq&Decor.
Share
PreviousFinalistas do Prêmio Grande Otelo 2026 voltam para maratona especial no cinema
NextDo RP para o mundo: cadeira de Bete Said conquista o Prêmio Salão Design 2026

Leia também

  • UneRobusti recebe Missoni | Crédito: NK Audiovisual

    Une Robusti recebe convidadas para lançamento de coleção da Missoni

    Convidadas da diretora do Mundo Robusti, Maura Robusti, participaram de um brunch …

  • Une Robusti é prorrogada até 30 de novembro em Ribeirão Preto | Créditos: Divulgação

    Une Robusti é prorrogada até 30 de novembro em Ribeirão Preto

    Evento celebra os 25 anos de exposições realizadas pelo Grupo Robusti e …

  • Colunistas Zumm | Crédito: Érico Andrade

    Grupo Zumm apresenta novo time de colunistas

    Bem-estar, viagens, gourmet, arquitetura e empreendedorismo: a partir dessa semana, esses temas …

  • Ambiente "Espaço Água", na 7ª CASACOR | Crédito: Keniche Santos

    Arquitetura sustentável se conecta cada vez mais com práticas do campo

    Ambientes da CASACOR Ribeirão Preto mostram como o uso de madeira, bambu, …

© 2026 Grupo Zumm
  • Grupo Zumm
    • Zumm Xper
    • Zumm Films
    • Revista Life Zumm
  • Editorias
    • Agronegócio
    • Arq&Decor
    • Autos
    • Beleza & Bem-estar
    • Cidade
    • Cultura
    • Curiosidades
    • Direito
    • Educação
    • Esportes
    • Eventos
    • Gourmet
    • Mercado Imobiliário
    • Moda
    • Negócios
    • Pet
    • Qualidade de Vida
    • Saúde
    • Solidariedade
    • Sustentabilidade
    • Tecnologia
    • Viagens
    • Vida Social
  • Contato
    • Fale conosco