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Mulher com cropped de uniforme antigo da seleção brasileira e calça jeans no estilo Brazilian core
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Brazilcore: verde e amarelo toma conta dos looks brasileiros

By Redação Zumm on 12 de junho de 2026

A tendência traz os tons da bandeira para o guarda-roupa gringo e nacional, em um movimento que começou na Copa do Mundo de 2022

O verde e amarelo ganhou protagonismo na moda em uma leitura mais atual e sofisticada. Em 2026, ano de Copa do Mundo, o Brazilcore ganha novo fôlego ao transformar as cores da bandeira brasileira em looks casuais, produções elegantes e combinações cheias de personalidade. 

Neste artigo, você vai entender tudo sobre a tendência de moda, desde como ela surgiu até as peças que fazem parte dessa estética. 

O que é Brazilcore? 

Brazilcore (brasilcore, brazilian core ou brasil core) é uma tendência de moda que utiliza as cores da bandeira brasileira (verde, amarelo, azul e branco) e símbolos que remetem a referências culturais do país em uma linguagem de estilo combinada a elementos do streetwear em looks do dia a dia, produções fashionistas e de passarela.  

A tendência pode incluir: 

  • Camisas esportivas; 
  • Jeans; 
  • Regatas; 
  • Bonés; 
  • Sandálias; 
  • Acessórios marcantes;  
  • Tons vibrantes; 

Essas peças aparecem em produções que misturam identidade nacional, moda urbana e influência das redes sociais. Vale lembrar que o termo une Brazil (em referência ao país) e core (palavra usada na moda para indicar a essência visual de uma estética). Portanto, Brazilcore representa a essência visual brasileira como tendência global (Brazil Trend).  

Mais do que usar verde e amarelo, essa tendência é uma estética brasileira vibrante, solar e urbana. A força do movimento está justamente em ressignificar elementos populares, presentes nas ruas, no futebol, nas praias e nas periferias, levando-os para uma conversa mais ampla no mercado global de moda. 

Já Brazil Aesthetic tem a mesma proposta, porém é um conceito mais amplo, porque também pode envolver beleza, lifestyle, fotografia, decoração e cultura digital. 

Leia também: Crochê reaparece nas passarelas com autenticidade e brasilidade 

Como surgiu o Brazilcore: da periferia brasileira às passarelas internacionais 

O Brazilcore não nasceu nas passarelas. Muito antes de virar tendência global, a combinação de camisas de time, bermudas esportivas, óculos espelhados, chinelos e peças em verde, amarelo, azul e branco já fazia parte do visual nas periferias brasileiras principalmente em contextos ligados ao funk, ao futebol e à cultura de rua do Rio de Janeiro e de São Paulo. 

A virada aconteceu quando essa estética ganhou escala nas redes sociais. Em 2022, o Brazilcore se conectou ao Blokecore (tendência internacional que levou camisas de futebol para looks urbanos, geralmente combinadas com jeans, tênis e peças esportivas). No mesmo período, a Copa do Mundo no Catar impulsionou o uso das cores da bandeira brasileira no TikTok, no Instagram e entre influenciadores de moda. 

A cantora Dua Lipa com look Brazilcore: blusa nas cores do Brasil e short jeans desfiado e acessório colorido na cintura | Crédito: Divulgação

Outro marco importante foi a apresentação de Anitta no festival Coachella 2022, quando a artista levou referências brasileiras ao palco e ajudou a reposicionar o verde e amarelo como símbolo pop, cultural e fashion. A partir daí, o Brazil Core deixou de ser apenas uma estética usada só nas ruas e passou a circular também em editoriais, vitrines e produções internacionais.

O papel das celebridades e das redes sociais na explosão da tendência 

As celebridades ajudaram a transformar o Brazilcore em desejo global. Hailey Bieber chamou atenção ao usar o Nike Dunk Low Brazil, enquanto nomes como Dua Lipa, Rosalía e Tina Kunakey passaram a aparecer associados a peças e combinações com referências brasileiras, como bonés, jaquetas esportivas e looks em verde, amarelo e azul. 

No Brasil, influenciadoras como Malu Borges e Livia Nunes também contribuíram para popularizar a tendência entre públicos ligados à moda, ao lifestyle e às redes sociais. O TikTok foi a principal vitrine desse movimento, com hashtags como #brazilcore e #brazilianaesthetic reunindo milhões de visualizações e transformando uma estética já conhecida nas ruas em linguagem fashion global. 

Sem contar que o fascínio estrangeiro pelas cores brasileiras vem justamente dessa combinação entre impacto visual e identidade cultural. Para quem vê de fora, o verde e amarelo comunica energia, verão, futebol, música e espontaneidade. Para o Brasil, a tendência também reacende uma discussão importante: como valorizar essa estética sem apagar suas origens populares e periféricas.

4 mulheres de biquini cortininha na praia, cada uma com uma cor da bandeira brasileira, e chinelo Havaianas do mesmo tom  | Crédito: Divulgação

Peças e elementos que fazem parte da estética Brazilcore 

A camisa da seleção brasileira é a peça mais famosa do Brazilcore, tanto na versão amarela quanto na azul. Mas a tendência vai muito além dela. O estilo combina referências esportivas, streetwear, beachwear e códigos Y2K (estética inspirada no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, marcada por cintura baixa, óculos futuristas, brilho, acessórios chamativos e peças com visual jovem, urbano e nostálgico), criando looks que podem ser casuais, ousados ou sofisticados.  

Entre as principais peças do Brazilian Core estão: 

  • Camisa da seleção brasileira, em versão atual, retrô ou vintage; 
  • Camisetas em verde, amarelo, azul e branco;
  • Calças cargo e jeans de cintura baixa;
  • Croppeds, regatas e tops esportivos;
  • Bermudas esportivas e shorts jeans;
  • Biquínis cortininha e peças de beachwear;
  • Chinelos Havaianas, que ganharam destaque global ao aparecer no topo do Lyst Index Q3 2025;
  • Bonés de aba curvada;
  • Óculos espelhados principalmente no estilo Juliet;
  • Correntes, cintos, bijuterias e acessórios metálicos.
Duas amigas em um bar, tomando cerveja e usando tendência brasilcore com camisas do Brasil dobradas como cropped, short e óculos de sol.

Para um visual mais sofisticado, o segredo está no equilíbrio. A camisa da seleção pode aparecer com saia midi, alfaiataria, jeans de boa modelagem ou acessórios dourados. Já as peças mais esportivas ganham força quando combinadas a itens de acabamento refinado como blazer, sandália minimalista, bolsa estruturada ou tecidos mais nobres.

Cores e paleta: além do verde e amarelo 

A paleta oficial do Brazilcore é formada por verde, amarelo, azul e branco porque são as cores da bandeira brasileira. Mas, a tendência permite adaptações mais discretas que facilitam criar looks mais sofisticados como: 

  • Tons pastel: verde menta, amarelo manteiga, azul bebê e branco off-white.
  • Versões candy color: verde pistache, amarelo sorbet, azul algodão-doce e lilás suave como ponto de contraste. 
  • Verdes mais fechados: verde oliva, verde musgo, verde bandeira escuro e verde esmeralda. 
  • Amarelos suaves: amarelo claro, amarelo palha, amarelo baunilha e amarelo manteiga. 
  • Azuis profundos: azul-marinho, azul royal, azul petróleo e azul cobalto .
  • Branco: funciona como base neutra e deixa a produção mais elegante. Por exemplo, uma calça branca com blusa verde cria uma leitura Brazilcore sem parecer fantasia.
  • Color blocking: a combinação de 2 ou mais cores vibrantes, usadas em blocos no mesmo look, como por exemplo blazer verde com bolsa amarela ou camisa azul com sandália verde. 

Leia também: Veja como usar a Cloud Dancer, cor eleita para 2026 

Acessórios que completam o visual 

Os acessórios são a forma mais pontual e simples de aderir ao Brazilcore sem precisar usar a camisa da seleção brasileira. Entre os principais, estão: 

  • Bonés;
  • Óculos espelhados; 
  • Bolsas; 
  • Havaianas Top;
  • Bijuterias;
  • Cintos;
  • Sandálias em verde, amarelo ou azul.

Por exemplo: um look todo branco com bolsa amarela e sandália verde tem tudo a ver com essa tendência. Já uma produção em alfaiataria bege pode ficar mais atual com boné azul, brincos dourados e uma Havaianas em cor vibrante.  

Já para quem prefere discrição, o uso de acessórios como brincos, anéis, cordões ou colares dourados funcionam como porta de entrada para o Brazilian core. 

Leia também: Bolsa que dominou as passarelas europeias ganha releituras nacionais

Brazilcore: mulher de blazer verde bandeira com blusa da mesma cor, calça social branca e brinco dourado é um exemplo de look para trabalho

Como montar looks Brazilcore para diferentes ocasiões? 

O Brazilcore pode ser usado de forma literal ou sofisticada dependendo das peças escolhidas. A técnica mais interessante é o contraste high-low (que mistura uma peça esportiva ou casual com outra mais elegante) criando assim um perfeito equilíbrio entre streetwear e elegância. Confira algumas ideias de combinações: 

  • Para o dia a dia: a camisa da seleção combina bem com calça cargo, jeans reto ou bermuda esportiva. Nos pés, tênis branco, Havaianas ou sandálias simples mantêm o visual leve e urbano. Para deixar a produção menos óbvia, vale usar a camisa por dentro da calça ou complementar com acessórios dourados.
  • Para trabalho, almoço ou eventos informais: o Brazilcore pode aparecer nas cores, não necessariamente na camisa canarinha. Um blazer verde escuro com uma blusa do mesmo tom e calça branca, além disso, uma blusa neutra com uma peça de alfaiataria em uma das cores da bandeira brasileira cria versões elegantes da tendência. O resultado é mais discreto, mas ainda conectado à estética brasileira.
  • Para festa, bar ou encontro à noite: vestidos monocromáticos em verde ou amarelo funcionam bem com acessórios dourados. Outra opção é usar uma camisa da seleção vintage com saia midi, sandália de salto e bolsa estruturada. A mistura entre peça esportiva e itens sofisticados deixa o look atual, interessante e menos previsível 

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Brazilcore em 2026: a tendência ganhou novo fôlego 

Em 2026, o Brazilcore volta à moda de forma mais madura. A Copa do Mundo, sediada pelos países da América do Norte (Canadá, México e Estados Unidos), reacende naturalmente o interesse pelas cores da bandeira brasileira, só que agora, a tendência não depende apenas do futebol. 

Esse novo fôlego acompanha um momento de forte projeção cultural do Brasil no cenário internacional, nos últimos anos, com acontecimentos importantes em diferentes setores como: 

  • Cinema brasileiro: “Ainda Estou Aqui” venceu como o melhor filme no Oscar 2025 e a protagonista Fernanda Torres foi indicada na categoria Melhor Atriz. Já no Oscar 2026, Wagner Moura foi indicado ao prêmio de Melhor Ator e o filme “O Agente Secreto” às categorias Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.
  • Moda: o chinelo Top Havaianas chegou ao topo do Lyst Index Q3 2025 como o produto mais desejado do período, enquanto a Farm Rio segue expandindo sua presença internacional na Europa, EUA, Buenos Aires, México e até Dubai.
  • Música: o cantor Bruno Mars lançou o “Bonde do Brunão”, música em português com referências ao funk, e o gênero brasileiro tem aparecido bastante nas plataformas globais. Em 2025, por exemplo, o funk  “Posso Até Não Te Dar Flores” entrou no Top 10 global do Spotify reforçando a presença internacional da sonoridade brasileira. 

Esse conjunto ajuda a explicar o soft power brasileiro que é a capacidade de transformar música, moda, cinema, comportamento e identidade visual em influência cultural. Assim, o Brazilcore deixa de ser apenas uma tendência de Copa do Mundo e passa a dialogar com um desejo mais amplo por brasilidade. 

Brazilcore 2026 vs Brazilcore 2022 

Brazicore 2022 vs Brazilcore 2026: mulher de cropped e short jeans vs mulher de calça de alfaiataria azul escuro, camisa social amarelo e óculos escuro juliet

O Brazilcore em 2026 aparece mais sofisticado e consciente do que em 2022. Em vez de se limitar à camisa da seleção com jeans, a tendência agora abre espaço para: 

  •  Customizações;
  •  Peças vintage;
  •  Alfaiataria colorida; 
  •  Acessórios de design nacional; 
  • Marcas brasileiras contemporâneas. 

As cores verde e amarelo continuam em alta, mas podem surgir também em combinações elegantes, menos literais e mais conectadas ao estilo pessoal. 

Leia também: 5 dicas para montar um guarda-roupa sustentável e cheio de estilo 

A dimensão cultural do Brazilcore: identidade, orgulho e debate 

O Brazilcore também ganhou força devido à relação dos brasileiros com a própria identidade visual. Ao transformar camisas da seleção, chinelos, cores vibrantes e referências populares em linguagem de moda, a tendência ajudou a ressignificar símbolos nacionais que, nos últimos anos, estavam sendo associados apenas à visão política. 

O lado positivo da tendência é que recoloca o verde, o amarelo, o azul e o branco em um campo mais amplo, ligado à cultura, ao futebol, à música, ao verão, à criatividade e ao orgulho brasileiro. No exterior, o Brazilian core também funciona como uma vitrine de brasilidade, projetando assim elementos da estética do Brasil para editoriais, vitrines e redes sociais. 

Mas essa valorização também exige cuidado. Quando marcas internacionais usam a estética brasileira sem reconhecer suas origens, especialmente periféricas, o movimento pode cair em apropriação cultural. O mesmo acontece quando a tendência reduz o país a clichês tropicais, como se toda a identidade nacional coubesse apenas em sol, praia, futebol e cores fortes. 

O debate, portanto, não diminui a força da tendência, na verdade, a deixa mais interessante. Pesquisadores da USP, por exemplo, apontam justamente essa tensão entre identidade, mercado, valorização e apropriação cultural no avanço do Brazilcore como estética global. 

A ressignificação das cores da bandeira brasileira 

Antes de 2022, as cores da bandeira brasileira começaram a ser associadas diretamente a movimentos políticos específicos, o que fez com que muitas pessoas usassem esses tons exclusivamente em contextos esportivos ou comemorativos. 

Mulher com cropped de uniforme antigo da seleção brasileira e calça jeans no estilo Brazilian core

Porém, o Brazilcore vem contribuindo bastante para mudar isso nos últimos anos. Ao trazer as cores da bandeira para a moda, para o TikTok, para looks de rua e para produções internacionais, a tendência ajudou a devolver esses símbolos ao uso coletivo, tirando a carga político-partidária e aproximando novamente o verde e amarelo de ideias como identidade nacional, celebração cultural e pertencimento. 

Esse processo não apaga os debates em torno dos símbolos nacionais, mas amplia suas possibilidades. No Brazilcore, as cores do Brasil deixam de aparecer apenas como posicionamento político ou torcida de Copa e voltam a funcionar como linguagem estética, afetiva e cultural. 

Marcas e designers brasileiros que se destacam no movimento 

O Brazilcore também ampliou a visibilidade de marcas e designers brasileiros dentro e fora do país. Entre elas:

  • Farm Rio: é um dos principais exemplos, com seu estilo colorido e sofisticado da brasilidade, já presente em mercados como Paris, Londres e Milão. 
  • Misci: criada por Airon Martin. O boné verde e amarelo usado por Rosalía ajudou a projetar a marca e mostrou como uma peça simples pode carregar identidade, desejo e força estética. 
  • Havaianas: que deixou de ser vista apenas como item cotidiano e ganhou novo status internacional. Em 2025, a sandália apareceu no topo do Lyst Index, reforçando seu papel como símbolo global da moda brasileira. 
  • As grandes marcas esportivas também ajudaram a ampliar o alcance da tendência. Na Copa de 2022, Nike e Adidas criaram linhas casuais e peças inspiradas na seleção, aproximando o futebol do streetwear e da moda urbana. 

Até pequenas empresas e ateliês independentes encontraram oportunidades no Brazilcore por meio de peças mais autorais e sustentáveis como: 

  • Customizações de camisas da seleção;
  • Croppeds feitos a partir de uniformes antigos;
  • Peças vintage;
  • Bordados;
  • Aplicações e acessórios em verde e amarelo.

Esse panorama mostra que o Brazilcore reúne moda esportiva, design brasileiro contemporâneo, cultura de rua e produção independente. Para aderir com mais sofisticação, basta buscar artigos com boa modelagem, acabamento cuidadoso e referências brasileiras que vão além do óbvio. 

Leia também: AtelierNA: de Ribeirão Preto para o mundo 

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