Talvez o sucesso dos espaços de convivência feminina esteja em terem entendido que, hoje, a saúde vai muito além do exercício físico
Por Marina Kocourek*
Tenho observado que, nos últimos anos, têm surgido cada vez mais espaços de convivência voltados para as mulheres. Eles aparecem em diferentes formatos: academias, health clubs, grupos de corrida, viagens e encontros. Apesar das propostas serem diferentes, todos parecem responder ao mesmo tipo de necessidade.
Acho que isso acontece por alguns motivos:
A mulher de hoje procura lugares que concentram diferentes necessidades em um só espaço;
O exercício físico deixou de ser apenas uma questão de estética e passou a fazer parte de um projeto de qualidade de vida, autocuidado e longevidade;
O tempo se tornou um dos bens mais valiosos, e tudo o que simplifica a rotina ganha importância;
E existe um desejo mais evidente de encontrar momentos em que a mulher possa simplesmente ser ela mesma, sem precisar desempenhar tantos papéis ao mesmo tempo.
Talvez por isso o mercado também tenha começado a olhar para esse comportamento. Hoje, vemos surgir espaços que unem fortalecimento, recuperação, alimentação, convivência e bem-estar em um único lugar.
Não é apenas uma academia; é um ambiente pensado para que a mulher consiga otimizar seu tempo, cuidar da saúde de forma mais completa e permanecer ali porque faz sentido, e não apenas porque tem um treino marcado.
Conversando sobre esse tema com Camila Barbieri, proprietária de um empreendimento feminino que será inaugurado em Ribeirão Preto, perguntei o que diferencia um health club de uma academia tradicional. A resposta foi justamente essa mudança de olhar. Mais que um lugar para treinar, a proposta é criar um espaço onde as mulheres possam viver diferentes experiências: praticar atividades físicas, cuidar da recuperação do corpo, encontrar amigas, tomar um café, deixar os filhos em um espaço preparado para eles e, por algumas horas, cuidar de si sem precisar correr de um compromisso para outro.
Segundo ela, a ideia é oferecer uma atmosfera de comunidade, em que o treino seja apenas uma das formas de promover conexão e bem-estar.
Camila Barbieri, Marina Kocourek e Fabiana Albuquerque na preview experience do Slowe Health Club
Essa conversa me fez pensar nas viagens que organizo para grupos de mulheres: a corrida normalmente é o ponto de partida, mas nunca é a única experiência da viagem. O que realmente transforma aqueles dias é a convivência. É perceber que, durante um período, elas deixam de lado as obrigações da rotina, não precisam pensar na casa, no trabalho ou em quem ficou esperando por elas.
Existe uma liberdade que aparece quando estamos apenas entre mulheres.
Brinco que, muitas vezes, voltamos para a “quinta série B”. Rimos de bobagens, fazemos brincadeiras, conversamos sobre assuntos profundos e também sobre coisas completamente sem importância. Criamos intimidade em poucos dias e nos permitimos uma leveza que nem sempre encontra espaço na rotina.
Acho que acontece algo parecido nesses novos espaços de convivência feminina. Eles oferecem segurança para que cada mulher seja quem é, sem julgamentos sobre o corpo, sobre a roupa que escolheu para treinar, sobre o ritmo do exercício ou até sobre as conversas que surgem naturalmente entre mulheres.
Talvez o sucesso desses espaços não esteja apenas no fato de serem exclusivos para mulheres, mas esteja em terem entendido uma mudança de comportamento.
Atualmente, a saúde vai muito além do exercício físico. Ela passa pela praticidade, pelo autocuidado, pela convivência, pela qualidade de vida e pela busca de uma longevidade vivida com mais equilíbrio.
E, se tudo isso puder acontecer em um lugar onde a mulher se sinta confortável para permanecer, conversar, rir e simplesmente ser ela mesma, provavelmente seja justamente esse o maior diferencial dessa nova geração de espaços.
*Marina Kocourek é atleta e empresária no comando da 220Volts, uma agência de viagens que busca levar grupos de mulheres para correr em diferentes lugares do mundo.
Espaços de convivência feminina nascem da mudança de comportamento
Talvez o sucesso dos espaços de convivência feminina esteja em terem entendido que, hoje, a saúde vai muito além do exercício físico
Por Marina Kocourek*
Tenho observado que, nos últimos anos, têm surgido cada vez mais espaços de convivência voltados para as mulheres. Eles aparecem em diferentes formatos: academias, health clubs, grupos de corrida, viagens e encontros. Apesar das propostas serem diferentes, todos parecem responder ao mesmo tipo de necessidade.
Acho que isso acontece por alguns motivos:
Talvez por isso o mercado também tenha começado a olhar para esse comportamento. Hoje, vemos surgir espaços que unem fortalecimento, recuperação, alimentação, convivência e bem-estar em um único lugar.
Não é apenas uma academia; é um ambiente pensado para que a mulher consiga otimizar seu tempo, cuidar da saúde de forma mais completa e permanecer ali porque faz sentido, e não apenas porque tem um treino marcado.
Conversando sobre esse tema com Camila Barbieri, proprietária de um empreendimento feminino que será inaugurado em Ribeirão Preto, perguntei o que diferencia um health club de uma academia tradicional. A resposta foi justamente essa mudança de olhar. Mais que um lugar para treinar, a proposta é criar um espaço onde as mulheres possam viver diferentes experiências: praticar atividades físicas, cuidar da recuperação do corpo, encontrar amigas, tomar um café, deixar os filhos em um espaço preparado para eles e, por algumas horas, cuidar de si sem precisar correr de um compromisso para outro.
Segundo ela, a ideia é oferecer uma atmosfera de comunidade, em que o treino seja apenas uma das formas de promover conexão e bem-estar.
Essa conversa me fez pensar nas viagens que organizo para grupos de mulheres: a corrida normalmente é o ponto de partida, mas nunca é a única experiência da viagem. O que realmente transforma aqueles dias é a convivência. É perceber que, durante um período, elas deixam de lado as obrigações da rotina, não precisam pensar na casa, no trabalho ou em quem ficou esperando por elas.
Brinco que, muitas vezes, voltamos para a “quinta série B”. Rimos de bobagens, fazemos brincadeiras, conversamos sobre assuntos profundos e também sobre coisas completamente sem importância. Criamos intimidade em poucos dias e nos permitimos uma leveza que nem sempre encontra espaço na rotina.
Acho que acontece algo parecido nesses novos espaços de convivência feminina. Eles oferecem segurança para que cada mulher seja quem é, sem julgamentos sobre o corpo, sobre a roupa que escolheu para treinar, sobre o ritmo do exercício ou até sobre as conversas que surgem naturalmente entre mulheres.
Talvez o sucesso desses espaços não esteja apenas no fato de serem exclusivos para mulheres, mas esteja em terem entendido uma mudança de comportamento.
Atualmente, a saúde vai muito além do exercício físico. Ela passa pela praticidade, pelo autocuidado, pela convivência, pela qualidade de vida e pela busca de uma longevidade vivida com mais equilíbrio.
E, se tudo isso puder acontecer em um lugar onde a mulher se sinta confortável para permanecer, conversar, rir e simplesmente ser ela mesma, provavelmente seja justamente esse o maior diferencial dessa nova geração de espaços.
*Marina Kocourek é atleta e empresária no comando da 220Volts, uma agência de viagens que busca levar grupos de mulheres para correr em diferentes lugares do mundo.
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